Justiça

Lava Jato

Candidatos à PGR minimizam conversas vazadas: ‘Nada de irregular’

Procuradores ainda criticaram Raquel Dodge por não ter se pronunciado sobre os vazamentos

Ministério Público; pgr; TCM
Créditos: Fotos Públicas / José Cruz/Agência Brasil

No último debate antes da votação da lista tríplice da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), candidatos à procurador-geral da República (PGR) minimizaram nesta sexta-feira (14/6) a gravidade do conteúdo das conversas de procuradores vazadas.

Enquanto alguns avaliaram que não há irregularidades nas conversas entre Deltan Dallagnol e Sergio Moro, outros disseram que não é possível avaliar informações obtidas de forma ilícita. Os procuradores ainda criticaram a postura de Raquel Dodge, por não ter se pronunciado sobre o caso até agora.

Para o procurador regional José Robalinho, não há “nada de grave” no que foi divulgado pelo site Intercept Brasil. “Não vi nas conversas que aconteceram ali nada de grave, não há indução, não há nada de irregular”, disse.

“Quando você tem uma determinada fase de investigação as operações, e o que é uma operação? É quando a Polícia e o MP chegam numa fase da investigação e solicitam ao Judiciário uma série de medidas, portanto, o diálogo com o Judiciário neste momento, inclusive sobre os momentos em que as medidas são realizadas, é da natureza da coisa, não tem nada de mais”, falou Robalinho. “O que se viu ali foi a camaradagem, ou o respeito, a amizade, entre pessoas que trabalhavam juntas já há vários anos. Nenhum dos dois ultrapassou nenhum limite”.

O procurador regional Vladmir Aras, também candidato, concentrou seus comentários sobre o caso na forma como as conversas foram obtidas. “É impossível discutir o conteúdo porque se trata de algo que nem merece o nome de prova ilicitamente obtida. Porque sequer prova é. Para algo ter a categoria de prova precisa haver antes a comprovação de uma cadeia de custódia. Aquilo pode servir como informação, mas jamais como prova, e daí não se pode tirar nenhuma conclusão”, falou.

Em sua visão, trata-se de um “ato de espionagem deliberado para atacar a Lava Jato e, mais do que isso, atacar a luta do Ministério Público, da Justiça brasileira e também da Polícia Federal contra a corrupção”, resumindo-se a um “ataque criminoso”.

O subprocurador-geral Bonifácio de Andrada também minimizou a gravidade das conversas, e ressaltou que as invasões configuram crime. “As invasões eu acho um crime grave, eu acho muito grave e precisa ser investigado. Coloca em risco a nossa segurança toda, dos tribunais, juízes. O que vazou em si não tem relevância jurídica, mas tem consequências políticas importantes. Então eu acho que é mais político do que jurídico em si”, falou.

“Pode ser que venham mais coisas, mas do que já apareceu aí até agora, eu acho que não vai ter uma consequência jurídica relevante, vai ter um debate aí, mas não tem nada”, continuou.

Críticas a Dodge

Durante o debate e depois dele, os candidatos à PGR não economizaram críticas à Dodge. Desde o início de sua gestão, muitos membros do Ministério Público Federal já criticaram sua forma isolada de chefiar a órgão.

Nesta quinta-feira (14/6), após o debate, alguns candidatos criticaram o silêncio da atual procuradora-geral da República sobre os vazamentos de conversas de membros da força-tarefa da Lava Jato.

Questionado sobre o assunto, o procurador regional Blal Dalloul disse: “O silêncio dela diz tudo, prefiro não julgar as pessoas. Ela faz uma gestão pela qual ela optou por um discrição, às vezes exagerada. Mas nós candidatos precisamos mudar essa história. Eu, se fosse PGR, já teria me manifestado sobre o tema, acho que esse silêncio não é bom”.

Já Aras foi sucinto, dizendo apenas que “deveria ter havido uma manifestação pública imediata em relação ao assunto” por parte de Raquel Dodge. Para Robalinho, foi um erro não se manifestar. “O que só tenho a lamentar é que infelizmente a liderança da nossa casa, a chefe da instituição, até agora não deu nenhuma manifestação sobre isso, e isso não é a maneira correta de agir um procurador-geral da República diante dos ataques que sofreu o Ministério Público Federal”, falou.


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