Justiça

Lava Jato

Candidato a PGR nega ser amigo de Eduardo Cunha

Carlos Frederico Santos enviou mensagem aos colegas para negar proximidade com investigado na Lava Jato

As investigações da Operação Lava Jato contaminam a sucessão na Procuradoria Geral da República. Como caberá ao procurador levar adiante as apurações e preparar a acusação contra os parlamentares investigados, qualquer suspeita de ligação do candidato com um dos alvos é razão para desconfianças.

Um dos candidatos ao cargo, o subprocurador-geral da República Carlos Frederico Santos enviou mensagem aos colegas para negar que seja amigo pessoal do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), um dos investigados na Lava Jato.

O subprocurador foi um dos principais auxiliares de Antonio Fernando de Souza quando este chefiou o Ministério Público. Hoje, Antonio Fernando advoga para Eduardo Cunha na Lava Jato.

Na mensagem enviada pela rede interna, Carlos Frederico negou ser próximo do presidente da Câmara.

“Não conheço, pessoalmente o Deputado Federal Eduardo Cunha, e jamais mantive com ele qualquer contato, nem me sujeito a ser candidato de pessoa A, B ou C, pois sempre fui firme e independente, adjetivos que tive a oportunidade de mostrar, não só na minha vida profissional, como também na presidência da ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) e na Secretaria Geral (da PGR)”, escreveu.

“Sempre nutri amizade e respeito por Antonio Fernando e dele realmente sou amigo, como também sou amigo de Roberto Gurgel, Cláudio Fonteles, Wagner Gonçalves e outros da velha-guarda, com os quais, mantenho, inclusive, convívio social”, acrescentou. “Não nego amizade por razão alguma, muito menos por motivos ideológicos, partidários, religiosos e de trabalho”, continuou.

Carlos Frederico disputará com outros três candidatos, inclusive o atual chefe do MP, Rodrigo Janot, as eleições promovidas pela ANPR. Os três nomes mais votados integrarão a lista tríplice que será, em seguida, remetida para a Presidência da República.

A presidente Dilma Rousseff não é obrigada a escolher um dos nomes da lista. O primeiro mandato de Janot termina em setembro.

Veja abaixo a íntegra da mensagem:

Há maneiras várias de se fazer campanha. A que conheço e tenho praticado é a de divulgação de ideias, metas, plataformas, trabalho – o desejo objetivo de edificar e melhorar sempre a Instituição. A isso me proponho.

Lamentavelmente, há quem adote outras práticas e vejo com pesar quando são importadas para o Ministério Público Federal. E aí se “desvela o véu”.

Temos percebido que conversas da rede membros alcançam a imprensa e é nessa mesma imprensa que se têm intensificado nos últimos dias notícias plantadas sobre minha amizade com Antonio Fernando, com o nítido intento de vincular a minha candidatura a Lista Tríplice para Procurador Geral da República ao Deputado Federal Eduardo Cunha, com o evidente propósito de me serem retirados votos junto à classe (Época on line e Radar on-line de 17/06/2015, dentre outros).

Sempre nutri amizade e respeito por Antonio Fernando e dele realmente sou amigo, como também sou amigo de Roberto Gurgel, Cláudio Fonteles, Wagner Gonçalves e outros da velha-guarda, com os quais, mantenho, inclusive, convívio social.

Não nego amizade por razão alguma, muito menos por motivos ideológicos, partidários, religiosos e de trabalho. Entendo que cada um tem liberdade de agir conforme os seus desígnios, principalmente quando dentro dos parâmetros legais, aprendizado que recebi de meus pais e que tornei rotina na minha casa com meus filhos e Ana, minha esposa e colega – a liberdade de expressão e opinião.

Contudo, isso não me obriga a concordar nem compartilhar das ideias e ideais das pessoas com as quais convivo. Por isso, sempre soube respeitar a divergência, sem violentar meus valores ou deixar que determinem ou influenciem minhas decisões e postura.

Fui Secretário-Geral da gestão do Antonio Fernando, durante quatro anos, por competência, e continuei ainda no cargo por mais um ano com Roberto Gurgel, e pelo mesmo motivo, até que, em 2010 pedi para sair para estudar, fazer pós-graduação, em razão de já ter ficado um bom período afastado das minhas funções de Procurador Regional da República. E todos sabem que mesmo diante do quinto móvel não fui promovido a Subprocurador Geral da República na gestão de Antonio Fernando (nem Ana, que é mais antiga, do 9ᵒ Concurso). A amizade tem limites nos padrões éticos de cada um.

Não conheço, pessoalmente o Deputado Federal Eduardo Cunha, e jamais mantive com ele qualquer contato, nem me sujeito a ser candidato de pessoa A, B ou C, pois sempre fui firme e independente, adjetivos que tive a oportunidade de mostrar, não só na minha vida profissional, como também na presidência da ANPR e na Secretaria Geral.

Continuarei minha campanha com ética, respeito, críticas, ideias e soluções, de forma impessoal, e podem estar certos de que não patrocíno disputa institucional com política partidária, pois se o Deputado Federal Eduardo Cunha está servindo ou sendo usado como cabo-eleitoral não é por mim.

Forte abraço a todos!

Fred


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