Justiça

Lava Jato

Advogados da Odebrecht criticam denúncia “midiática e escandalosa” do MPF

Assista ao vídeo da coletiva dos advogados, após apresentação de provas contra executivos feita pela força tarefa da Lava Jato

Advogados da Odebrecht criticam denúncia feita pelo MPF
Advogados da Odebrecht criticam denúncia feita pelo MPF

Poucas horas depois do oferecimento de denúncia contra seu presidente e alguns de seus principais executivos, a maior empreiteira do país reagiu dobrando a aposta na estratégia de negar irregularidades relacionadas à investigação da Lava Jato.

Advogados da Odebrecht criticaram o que classificaram de divulgação “midiática e escandalosa” feita pela Força Tarefa que reúne Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita, que na tarde desta sexta-feita mostraram em uma coletiva de imprensa as provas que, segundo os procuradores, não deixam dúvidas de que a empreiteira utilizou contas na Suíça para transferir mais de R$ 1 bilhão para diretores da Petrobras.

Os procuradores deixaram claro que não consideram válidas as versões da defesa e chegaram a dizer que se tratavam de “mentiras repetidas mil vezes”, que não se sustentariam diante das provas.

Também nesta sexta, o juiz Sérgio Moro decretou nova prisão preventiva contra Marcelo Odebrecht, que também teve seu pedido de habeas corpus, relativo à decretação anterior de prisão, não ser apreciado no STJ.

“Não há a mais mínima necessidade da manutenção da prisão, só que nós não conseguimos levar aos tribunais a discussão disso, porque fomos hoje impedidos por uma manobra inteligente, ardilosa, mas que deu certo, que impediu as cortes superiores de Brasília de examinarem nosso pleito”, disse um dos advogados, na entrevista coletiva concedida pela defesa da empresa na noite desta sexta.

“Nada do que foi dito nessa coletiva que acabou de ser dada (…) diz respeito e nada disso contribui para justificar uma prisão ilegal”, disse a advogada Dora Cavalcanti. Segundo ela, as prisões não respeitam a presunção de inocência e o devido processo legal.

A advogada disse que só a partir de agora a defesa vai conseguir fazer seu trabalho, com acesso aos elementos que deram base à denúncia.

Assista à entrevista coletiva dos advogados da Odebrecht e leia abaixo a nota de esclarecimento divulgada pela empresa.

Nota de Esclarecimento – Denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal

A Odebrecht considera que o oferecimento da denúncia pelo Ministério Público Federal (MPF) do Paraná feito hoje é o marco zero do início do trabalho da defesa. A partir de agora, os advogados poderão conhecer as alegações imputadas aos executivos investigados, assim como será possível analisar o conjunto de documentos apresentado pela acusação, o que viabilizará, finalmente, o devido exercício do direito de defesa.

No entanto, as alegações apresentadas pelo MPF, de forma midiática e escandalosa na tarde de hoje, não justificam, em hipótese alguma, a manutenção da prisão arbitrária e ilegal do diretor presidente do Grupo, Marcelo Odebrecht e de quatro ex-executivos. Muito menos justificam a surpreendente decretação de nova prisão preventiva, com a revogação da anterior, num claro movimento para anular os efeitos dos pedidos de habeas corpus perante o STJ.

Sobre o pedido de cooperação enviado pelos procuradores da Suíça, a Odebrecht buscará todos os esclarecimentos junto às autoridades competentes naquele país para que os fatos sejam devidamente apurados. Note-se que enquanto o Ministério Público da Suíça busca informações para ampliar suas investigações, no Brasil os procuradores atribuem aos mesmos dados o peso da mais absoluta verdade. Mais uma vez verifica-se que enquanto o MPF diz que trabalha com fatos, na verdade, vemos juízos de interpretação, suposições e alegações desconexas e descontextualizadas.

Os advogados lamentam a exposição pública de todo o processo e a falta de critérios na divulgação de documentos vazados a conta gotas, sem nenhum pudor, chegando a expor, desnecessariamente, até mesmo as famílias dos executivos. 

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