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PF apura compra de votos no TRF5

Esquema envolve advogados e ex-desembargador. Decisões eram negociadas por R$350 mil

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (30/8) a Operação Alcmeon, que apura esquema de compra e venda de votos juntos a uma turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, com sede no Recife.
O grupo teria atuado em apelações criminais, ações rescisórias e revisão criminal. De acordo com as investigações, políticos seriam os principais clientes. Fariam parte do grupo advogados e um ex-desembargador, que negociariam votos em sentenças criminais para a libertação de presos ou liberação de bens apreendidos em ações penais.

O desembargador aposentado Francisco Barros Dias foi preso preventivamente. Em Mossoró (RN), quatro escritórios de advocacia foram alvos de busca e apreensão. Dois advogados e um estagiário foram levados para depor.

Em um caso específico, a pena de um ex-prefeito, que era de 28 anos de reclusão foi reduzida para dois anos e oito meses, e substituída por restritiva de direito.  A PF informou que ações do grupo indicariam também o cometimento de delitos de exploração de prestígio em vários processos em trâmite no Tribunal, inclusive processos relacionados à Operação Lava Jato.

O esquema criminoso foi desvendado por meio de acordo de colaboração premiada em que um empresário relatou pelo menos duas situações em que teria obtido os benefícios do grupo depois de ter sua prisão decretada e seus bens apreendidos durante uma operação policial deflagrada no estado. O grupo cobraria em média R$ 350 mil. Em determinado momento, um dos advogados ligado à organização criminosa teria retido os documentos de veículos de um dos delatores como forma de garantir o pagamento futuro da propina.
São cumpridos 23 medidas judiciais, sendo dois mandados de prisão preventiva, oito mandados de condução coercitiva e 13 mandados de busca e apreensão nas cidades de Natal, Mossoró/RN e Recife/PE.
São investigados crimes de associação criminosa, falsidade ideológica de documentos particulares, uso de documentos particulares ideologicamente falsos e lavagem de dinheiro. O nome da operação faz referência a um personagem da mitologia grega e está relacionado à traição e quebra de confiança.

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