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Ministério Público

Após críticas, procurador-geral do Peru volta atrás e mantém membros da Lava Jato

Pedro Chávarry disse que promotores devem ficar no caso devido à ‘transcendência e importância das investigações’

Lava Jato
Os membros da Lava Jato peruana Rafael Vela e José Domingo Pérez / Crédito: Andina

O procurador-geral do Peru, Pedro Chávarry, cancelou, nesta quarta-feria (2/1), por meio de uma resolução, a sua decisão de afastar os membros do Ministério Público responsáveis pela investigação da Lava Jato no país.

Rafael Vela e José Domingo Perez Gómez investigam a construtora brasileira Odebrecht e políticos peruanos acusados de corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes.

Chávarry justificou sua mudança de postura devido à “transcendência e importância das investigações” que envolvem a Odebrecht. Apesar disso, o chefe do Ministério Público peruano afirmou ser necessária uma “transparência” das ações feitas na investigação pela equipe de promotores.

No primeiro dia do ano, durante a madrugada, Chávarry afastou os dois promotores com a justificativa de violação de hierarquia, após ser criticado por Gómez quando foi nomeado como procurador-geral.

Além disso, Chávarry foi acusado pelo mesmo promotor, dias antes do anúncio da remoção, de obstruir o acordo de colaboração premiada com a Odebrecht.

O procurador-geral peruano questionou o outro promotor do caso, Vela, por ter qualificado pedidos de informação sobre o andamento das investigações como “atos de assédio”.

Os promotores do Ministério Público do Peru estavam em estágio avançado na investigação da Odebrecht e no acordo de cooperação com a empresa, que prevê o pagamento de indenização de R$ 200 milhões.

No Peru, Chávarry também foi denunciado por ter mentido sobre ligações com o empresário Antonio Camayo, membro de uma organização criminosa peruana conhecida como ‘Os Colarinhos Brancos do Porto’. A denúncia foi arquivada pelo Congresso, em outubro.

A decisão, que deixa a resolução de afastamento dos promotores sem efeito, ocorreu após uma série de críticas, inclusive do presidente da República do Peru, Martín Vizcarra, de membros do Ministério Público peruano e dos procuradores da República da operação Lava Jato no Brasil.

O presidente peruano havia afirmado, por meio de sua conta do Twitter, que discorda sobre a remoção dos promotores que investigavam “um dos casos mais importantes de corrupção”.

Os membros do MP que substituiriam os afastados, Frank Almanza e Marcial Páucar, rejeitaram a proposta para cuidarem do caso, afirmando, em uma resolução assinada, que projetos de leis apresentados no Legislativo peruano e medidas de intervenção dentro do próprio Ministério Público gerariam “perda de independência e autonomia para a investigação da Odebrecht”.

Com a nova resolução, os promotores Rafael Vela e José Domingo Perez Gómez irão continuar a investigar políticos peruanos como a líder da oposição Keiko Fujimori, que está presa preventivamente, e os ex-presidentes Alejandro Toledo, Ollanta Humala, Alan García e Pedro Pablo Kuczynski, que renunciou em março após casos de corrupção.


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