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Lava Jato

Membros da Lava Jato do Peru são removidos por procurador-geral

Decisão foi criticada pelo presidente da República, Martín Vizcarra, e por membros do Ministério Público

Odebrecht
Crédito: Agência Brasil

Os membros do Ministério Público do Peru Rafael Vela e José Domingo Perez Gómez, que fazem parte do grupo de investigação da operação Lava Jato no país e investigam a empreiteira brasileira Odebrecht, foram removidos de seus cargos nesta terça-feira (1/1).

A remoção dos dois membros da equipe da Lava Jato peruana foi feita pelo procurador-geral Pedro Chávarry e foi criticada por membros do poder Executivo e do próprio Ministério Público.

Chávarry justificou a mudança por uma suposta violação de hierarquia quando Gómez criticou a nomeação do atual procurador-geral. O chefe do Ministério Público peruano também questionou Vela por ter qualificado pedidos de informação sobre o andamento das investigações como “atos de assédio”. 

Dias antes de determinar a remoção dos membros do Ministério Público, Chávarry foi acusado por Goméz de executar atos para obstruir o acordo de colaboração premiada com a construtora Odebrecht.

O objetivo seria o de impossibilitar a utilização de provas contra a líder da oposição Keiko Fujimori, que está presa preventivamente, e outros acusados por lavagem de dinheiro. Chávarry chegou a ser denunciado por ter mentido sobre ligações com o empresário Antonio Camayo, membro de uma organização criminosa conhecida como ‘Os Colarinhos Brancos do Porto’, mas a denúncia foi arquivada pelo Congresso, amplamente fujimorista, em outubro.

O presidente da República do Peru, Martín Vizcarra, afirmou, por meio do Twitter, que rejeita profundamente a remoção dos dois promotores responsáveis pela investigação “de um dos casos mais importantes de corrupção”. O presidente também reafirmou a necessidade pela luta contra a impunidade.

Com a repercussão do caso, Vizcarra deixou o Brasil, onde presenciaria a posse do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), e retornou ao Peru. 

A remoção, avalia Vladimir Aras, procurador regional da República, é preocupante. “No Peru não existe a garantia da inamovibilidade, mesmo assim este tipo de interferência tem de ser muito bem justificada”, disse. “Minha preocupação é em relação à autonomia do MP”.

O Peru, lembra Aras, é um dos países que mais avançou nas investigações do caso Odebrecht, mais do que o Brasil, inclusive. Além de Keiko Fujimori, são investigados pelo grupo da Lava Jato os ex-presidentes Alejandro Toledo, Ollanta Humala, Alan García e Pedro Pablo Kuczynski, que renunciou em março, depois que escândalos de corrupção vieram à tona.

Outros membros do Ministério Público peruano também criticaram a decisão do procurador-geral. Zoraida Ávalos e Pablo Sánchez declararam para a imprensa peruana que os dois promotores removidos faziam um “bom trabalho”.

Além disso, eles afirmaram que a remoção prejudica o restante da investigação Lava Jato no país e o acordo de cooperação realizado com a Odebrecht, que prevê o pagamento de indenização de R$ 200 milhões.

Os substitutos dos membros removidos da operação Lava-Jato peruana serão os promotores Frank Almanza e Marcial Paucar. Almanza possui experiência de nove anos dentro do Ministério Público do Peru e terá a função de liderar a operação no país.


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