Jotinhas

#habeascorpus: sensacionalismo jurídico nas redes sociais

Pedido de HC para ex-presidente Lula movimenta Twitter e Facebook

Logo após a notícia do pedido de habeas corpus para o ex-presidente Lula, na manhã desta quinta-feira (25/06), no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, acentuou-se a polarização do espectro político nas redes sociais. Rapidamente o tema “habeas corpus” entrou nos trending topics do Twitter com notícias sobre o fato e inúmeros comentários acusatórios e de defesa ao ex-presidente.

“O cara é tão culpado que já pede um habeas corpus antes de ser preso” e “nem foi preso AINDA e já pediu um habeas corpus. Pensa no tamanho do ‘esquema’ que esse cara comanda” foram alguns dos comentários contrários a Lula, notadamente em número maior aos de defesa.

Ressalte-se que grande parte dos tweets levaram em consideração que o pedido foi feito pelo próprio ex-presidente, informação negada pelo Instituto Lula. O TRF4 divulgou, no início da tarde, o nome do impetrante: Mauricio Ramos Thomaz.

Por outro lado, alguns tentavam esclarecer que Lula não tinha relação alguma com o pedido, dizendo que a mídia “conservadora” tinha se aproveitado do fato. “Gente que não estranha divulgação do habeas corpus do Lula por meio do Twitter do Caiado” e #DivulgueAVerdade: o ex-presidente Lula não entrou com pedido de habeas-corpus” e “Nenhum movimento de extrema direita, nenhum discurso de ódio caminha sem o apoio direto ou indireto da mídia, que é conservadora e elitista” foram exemplos da defesa em mais um capítulo do que podemos considerar esse conflito político nas redes sociais.

Cabe indenização?

Em entrevista ao JOTA, o especialista em direito civil Flávio Yarshell disse que, em tese, se a interpretação for que de alguma forma o pedido atingiu a honra de Lula por vias oblíquas ele poderia entrar com pedido de danos morais.

“Se houve desvio de finalidade e o objetivo não era proteger o direito de ir e vir da pessoa, do paciente, mas na verdade levantar mais dúvidas e criar um clima, poderia gerar um tipo de indenização, sim”, disse, mostrando que a utilização da via jurídica para a materialização de um boato pode ensejar um atentado contra a imagem do ex-presidente.


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