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RENDA CIDADÃ

Economistas e mercado reagem mal às alternativas para viabilizar Renda Cidadã

Entendimento de economistas ouvidos pelo JOTA é que criatividade para driblar teto fiscal só adia dívidas

O Ibovespa, o principal índice da B3, fechou esta segunda-feira com queda de 2,4%, aos 94.666 pontos, o menor nível desde junho. Créditos: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil

Economistas ouvidos pelo JOTA avaliam que o plano do governo de usar parte de recursos do Fundeb e da verba destinada ao pagamento de precatórios soa como alternativa criativa para driblar o teto de gastos. “Acho que um dos maiores problemas é a sensação de criatividade semelhante ao que teve no governo Dilma”, afirma Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset. A ideia do governo é utilizar esse dinheiro para custear o Renda Cidadã, que deve substituir o Bolsa Família.

O mercado financeiro reagiu de forma negativa ao anúncio feito pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o ministro da Economia, Paulo Guedes e líderes da base governista no Congresso. O Ibovespa, o principal índice da B3, fechou esta segunda-feira com queda de 2,4%, aos 94.666 pontos, o menor nível desde junho.

Uma das justificativas para o uso de dinheiro do Fundeb e de precatórios é que, dessa forma, não há o descumprimento do teto de gastos. Ou seja, o governo não correria o risco de gastar além do que a legislação permite, que é o Orçamento do ano anterior acrescido do índice oficial de inflação, o IPCA. “Essa contabilidade criativa é um sinal muito ruim, porque a dívida continua preocupando”, diz o economista Jason Vieira. “Precatórios é algo que precisa ser pago em algum momento e aí você traz uma insegurança jurídica muito grande”.

O economista-chefe do Banco Digital Modal Mais, Alvaro Bandeira, alerta que a estratégia só posterga o pagamento de dívidas: “Um dia será preciso pagar os precatórios. Você só está retardando o pagamento de dívidas e amanhã pode sair até mais caro”.

“A forma como o programa está sendo apresentado não é boa, porque não se está remanejando gastos. O formato não é bom, por isso o mercado reagiu negativamente”, diz Juan Jensen, sócio da 4E Consultoria e professor do Insper.

Já o especialista em contas públicas Raul Velloso entende que esse não é o momento de criar um programa social. “Sou a favor de manter o auxílio emergencial por mais seis meses e no valor de R$ 600, o mundo todo está fazendo isso, é um momento excepcional”, diz. “Para levantar esses valores se emite moeda. Nessa hora, não importa como se financia”, afirma. “Quanto ao Fundeb, é um fundo destinado à educação e para mim em educação não se mexe”.


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