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Supremo

‘Desprestígio às instituições democráticas’, diz Ayres Britto sobre vídeo de Bolsonaro

Ex-ministro do STF afirma que vídeo com hiena representando Corte lhe causou ‘profundo desagrado’

Ayres Britto
O ex-ministro do STF Carlos Ayres Britto / Crédito: José Cruz/Agência Brasil

O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Ayres Britto disse que o vídeo publicado na conta do Twitter do presidente Jair Bolsonaro (PSL) em que o tribunal do qual fez parte é representado por uma hiena lhe causou profundo desagrado e representa um “desprestígio às instituições democráticas”.

As imagens foram ao ar nessa segunda-feira (28/10) e retiradas da rede minutos depois por causa da repercussão negativa. O vídeo mostra um leão, que seria o presidente Bolsonaro, sendo acossado por hienas, uma delas o Supremo Tribunal Federal. Também há hienas representando a OAB, o Greenpeace, veículos de comunicação, como a Globo, a Veja e o jornal Folha de S. Paulo, além de partidos políticos, incluindo PT e o PSL.

O ministro Ayres Britto participou nessa terça-feira (29/10) na FGV Direito em São Paulo de um evento que discutiu liberdade de expressão na internet. Questionado com relação ao conteúdo do vídeo e se o uso da internet por autoridades exige um decoro, o ministro respondeu: “Eu vejo o episódio por um prisma mais grave, que foi o prima do desprestígio às instituições. Vida civilizada é vida entorno das instituições. A vida de qualquer povo civilizado gravita entorno de suas instituições, como a imprensa, o poder legislativo e partidos políticos”.

“Esse desprestígio generalizado às instituições me causou mais do que estranheza, causou profundo desagrado. Não é por aí. O Ruy Barbosa dizia ‘salvação sim, salvadores não’. Fiquei muito contrariado, entristecido, preocupado com esse episódio de generalizado desprestígio às instituições democráticas”, complementou o ex-ministro.

Mais cedo, o presidente Jair Bolsonaro, que cumpre agenda na Arábia Saudita, pediu desculpas ao STF e disse que o vídeo foi um erro. “Me desculpo publicamente ao STF, a quem porventura ficou ofendido. Foi uma injustiça, sim, corrigimos e vamos publicar uma matéria que leva para esse lado das desculpas. Erramos e haverá retratação”, afirmou o presidente ao jornal O Estado de S. Paulo.


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