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Conta pós-Itália tinha R$ 100 mi após início da Lava Jato

Emílio Odebrecht diz que mandou parar caixa 2 depois da prisão do filho, em junho de 2015

27/10/2015 - Brasília - DF - Audiência Pública e Reunião Ordinária. Ex-Presidente do BNDES de nov/2004 a mar/2006, Guido Mantega, na CPI do BNDES. Foto: Antonio Araújo / Câmara dos Deputados

Uma planilha repassada por delatores da Odebrecht indica que o saldo na conta do “pós Itália”, codinome que seria do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, com a empreiteira era de R$ 101,4 milhões 15 dias após a 1ª fase da Operação Lava Jato ter sido deflagrada em março de 2014.

O documento faz referência a “feira”, apelido do marqueteiro João Santana , com repasse de R$ 16 milhões em 2014 e “doação a partido” de R$ 4 milhões em 2013. Santana e a mulher Mônica Moura participaram das campanhas do PT à Presidência de 2006, 2010 e 2014, trabalhando para os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Mantega nega as acusações.

Em sua delação, Hilberto Mascarenhas, responsável pelo setor de propina da Odebrecht, que em julho de 2014, Marcelo Odebrecht autorizou pagamento de R$ 24 milhões para ser debitado da conta pós-Itália. Segundo Mascarenhas, o valor foi pedido por Mantega para financiar campanha à reeleição de Dilma.

Um e-mail disponibilizado pelos delatores mostra ainda que Marcelo Odebrecht escreveu para Mascarenhas que “pós-Itália” tinha ficado incomodado com uma movimentação feita pelo setor de propina.

Emílio Odebrecht disse, em sua delação premiada, que deu ordem para parar o pagamento de propina e de dinheiro via caixa 2 para políticos só depois da prisão de seu filho Marcelo, em junho de 2015 — mais de um ano após o início da operação – o que significa que o esquema de corrupção da empresa seguiu operando mesmo com a Lava Jato em curso.

 


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