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CORONAVÍRUS

Cidade de São Paulo não tem previsão de quando encerrará quarentena

Segundo secretário de Saúde, avaliações são feitas de forma periódica e dependem da evolução dos casos de coronavírus

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Prefeitura inicia montagem dos hospitais de campanha com dois mil leitos. Foto: EDSON LOPES JR/SECOM/ Fotos Públicas

Não há uma previsão de quando acabará a quarentena na cidade de São Paulo, adotada em decorrência da pandemia do coronavírus. A avaliação é feita diariamente, a partir da evolução do número de infectados pelo coronavírus, de acordo com o secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido, em webinar promovido pelo JOTA nesta quarta-feira (25/03).

O secretário disse que a expectativa é que o pico da pandemia na capital paulista seja entre o fim de abril e o começo de maio. “As medidas de restrição devem começar a surtir efeito na semana que vem. Até sábado, tinha muita gente circulando, tivemos que colocar 40 carros nas ruas para alertar as pessoas”, disse. “O isolamento horizontal é importante para que a rede hospitalar ganhe tempo para se preparar. Na Itália, por exemplo, a rede pública começou a se preparar quando houve a primeira morte, não quando houve o primeiro caso da doença.”

Na conversa, os assinantes do JOTA tiveram acesso em primeira mão à atualização sobre a Covid-19 na cidade de São Paulo nesta quarta-feira (25/03): 41 mortes (na terça-feira eram 36), 537 casos confirmados, 78 internados na UTI e 4.300 casos suspeitos.

O prefeito Bruno Covas destinou R$ 1,1 bilhão para o combate ao coronavírus e a expectativa é por uma queda na arrecadação municipal na ordem de R$ 1,5 bilhão. “Nós estamos aguardando ajuda do Ministério da Saúde, mas até agora não recebemos nada”, afirmou Aparecido.

O secretário destaca que a cidade tem muitos gastos com atendimento médico, especialmente pelo fato de atender moradores de municípios vizinhos. “Tem um hospital no Campo Limpo em que 22% dos atendimentos são de moradores de Itapecerica da Serra, Embu e Taboão da Serra. Em Cidade Tirantes, 25% dos atendimentos são de pessoas de Poá, Ferraz de Vasconcelos, Santo André a Mauá”, afirmou o secretário.

Aparecido explicou que os hospitais de campanha que estão sendo montados no estádio do Pacaembu, na Zona Oeste, e no pavilhão de exposições do Anhembi, na Zona Norte, serão para o atendimento a infectados com quadro menos grave. “Serão espaços para a estabilização de pacientes que não necessitam de leito de UTI”, disse.

Juntos, os dois espaços vão abrigar 2 mil leitos para casos de baixa e média complexidade. “Dessa forma os hospitais, que têm uma estrutura melhor, vão pode abrigar exclusivamente [casos que necessitem de] leitos de UTI”, complementou.

A antecipação da vacinação contra a gripe, que é uma das ações laterais de combate ao coronavírus, vem apresentando êxito. Em dois dias, foram aplicadas 667 mil doses em São Paulo no público alvo, formado por idosos e profissionais da saúde. Em anos anteriores, no mesmo período a marca era sempre de pouco mais de 30 mil imunizações. “A vacinação é importante porque os sintomas iniciais da gripe são parecidos com o coronavírus”, explicou o secretário municipal de Saúde de São Paulo.

Questionado sobre os experimentos no uso da cloroquina em pacientes infectados, Edson Aparecido disse que sua pasta está focada no momento na política de enfrentamento da doença na área epidemiológica: “Tem muita gente fazendo estudos científicos, caso das universidades e de grandes laboratórios públicos. As áreas científicas estão mais debruçadas sobre esse estudo”.