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Pandemia

Professores discutem perspectivas do novo ‘normal’ do cenário educacional

Nuno Crato, Tadeu da Ponte e Jorge Lira falaram em webinar JOTA/Insper sobre soluções para educação

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Foto: Lucas Sabino/Prefeitura de Criciúma

Diversos alunos voltaram às aulas nesta semana em Portugal. Para o retorno ser possível, eles seguem uma série de medidas, como o uso obrigatório de máscaras, higienização das mãos e a reorganização de horários e espaços. Nuno Crato, ex-ministro da Educação do país, afirma que o regresso está acontecendo de forma muito controlada.

Para Crato, uma das lições que é possível extrair desse momento é a importância da escola presencial, pois a interação da sala de aula é fundamental. Além disso, explica que estudos indicam que, em termos de resultados, o ensino online é pior que o ensino presencial.

Tadeu da Ponte, coordenador do Centro de Educação do Insper, explica que as instituições foram forçadas a adotar as tecnologias intensamente sem preparo nem planejamento. “É diferente de quando se desenha um curso para ser ministrado remotamente. Ainda dessa forma, as análises e estudos revelam diferenças desfavoráveis no comparativo com o ensino presencial”, diz.

Entretanto, o professor entende que após uma severa adaptação, as instituições estão agora em um momento de aprimoramento, de assentamento da tecnologia. Além disso, um aspecto negativo que observa é a dificuldade em relação à retomada de processos avaliativos que regulam a aprendizagem. Já que, na perspectiva do aluno, a avaliação serve de estímulo para estudar.

De acordo com Jorge Lira, professor da Universidade Federal do Ceará, o atual cenário educacional parece ter agravado velhos e crônicos problemas. “Os professores constataram o vazio curricular que temos. No sentido de termos de lados manuais que se mostraram mais rígidos que nunca, impermeáveis ao alunos desassistidos fora do ambiente escolar”, afirma.

Nuno Crato, que foi ministro da Educação de Portugal entre 2011 e 2015, afirma também que a ideia dos jovens como nativos digitais e multitasking é um mito. Segundo ele, a geração atual tem facilidade em lidar com ferramentas nas quais se interessam, como redes sociais, mas apresentam dificuldades ao se depararem com plataformas de ensino. O ex-ministro também considera uma falácia a máxima de que os jovens conseguem manter o foco mesmo com estímulos simultâneos, como computador, celular e televisão.

Crato defende que as maneiras de aprender continuam as mesmas, porque nosso cérebro não mudou. “Aprendemos da mesma forma. As maneiras de aprender não mudaram, porque nosso cérebro não mudou”, diz.

Por fim, ele entende que o que é preciso fazer em termos de ensino agora é o que os bons professores já fazem: basear-se numa progressão da matéria, ir rearticulando as coisas e garantindo que o jovem aprenda. 

Os professores participaram, nesta sexta-feira (22/5), do webinar promovido pelo JOTA em parceria com o Centro de Gestão e Políticas Públicas do Insper. O tema do debate foi “Caminhos para a construção do novo normal na educação”.