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Milton Seligman: com liderança ativa, podemos sair melhores da crise

Professor do Insper e ex-ministro da Justiça, Seligman participou do webinar JOTA-Insper

Milton Seligman
Milton Seligman, professor do Insper e ex-ministro da Justiça / Crédito: Reprodução Youtube

A cidade de Milão, no norte da Itália, vai ampliar a malha de ciclovias e calçadas para facilitar a locomoção no pós-crise e evitar aglomerações no transporte público. As mudanças estruturais fazem parte do plano Strade Aperte, anunciado para melhorar a segurança dos cidadãos. “A crise permite a criação de um novo normal melhorado, e isso depende de uma liderança ativa no processo”, destaca Milton Seligman, ex-ministro da Justiça e professor do Insper, que participou nesta quarta-feira (22/4) do webinar promovido pelo JOTA em parceria com o Centro de Gestão e Políticas Públicas do Insper.

Seligman, que também é colunista do JOTA, destaca que a liderança tem um papel fundamental, que é o de ter empatia para entender os diferentes problemas. “Você não sai da crise sozinho, não há nenhuma solução individual”, afirma. “Não temos como sair disso sem uma grande colaboração entre o governo federal, governos estaduais, governos municipais, comunidade acadêmica, cientistas e sociedade civil”. Ele complementa, dizendo que “o papel da liderança é ter prudência, sem negacionismo ou implantação de pavor”.

O esforço coletivo, no entendimento de Seligman, é fundamental. “Ninguém vai sair dessa crise sozinho, nem uma pessoa, nem uma empresa nem um governo”, diz. Por isso, ele defende que o Brasil aumente as relações, com postura multilateral. “Não é possível que o governo brasileiro tenha uma posição de enfrentamento com a OMS, que é onde há fluxo de informações”, ressalta. “Vamos encontrar o remédio, a vacina, e isso será fruto de uma ação coletiva”.

A avaliação dele sobre o Brasil é a de que “estamos perdendo mais tempo com questões de Estado do que propriamente tratando a crise de maneira irmanada”.

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Essa crise específica, avalia Seligman, nos atingiu em uma grande vulnerabilidade, que é o sistema de saúde. O ex-ministro afirma ser falso o dilema entre saúde e economia: “o que você tem que enfrentar é o conjunto do problema”. Para ele, esse enfrentamento precisa ser feito com base em evidências, bases e fatos. “As soluções mágicas não levam a soluções adequadas”, alerta.

No pós-crise, o professor do Insper entende que será inevitável as comparações entre países, mas acredita que não haverá o desejo de que determinadas culturas sejam globalizadas. No caso do Brasil, Seligman acredita que haverá uma revalorização do Sistema Único de Saúde (SUS). “O SUS se mostrou importante porque não precisamos criar uma maneira de unir federação, estados e municípios. O sistema já existia e devemos sair da crise com o entendimento de que ele precisa ser mais financiado”.

Ao falar sobre a postura das empresas, lembrou que a responsabilidade corporativa se consolidou nos últimos anos no Brasil. Como exemplo de ações na crise, destacou as adaptações fabris na Ambev para produzir álcool em gel e a doação de R$ 1 bilhão pelo Itaú. “Nesse processo, é importante uma liderança para coordenar as contribuições, que também partem da sociedade civil”, diz. “As empresas vão sair da crise certas de que elas têm que gerar valor para a sociedade, é uma obrigação ética”.

O JOTA realiza a partir das 11h30 desta quinta-feira (23/4) mais um webinar em parceria com o Centro de Gestão e Políticas Públicas do Insper. O convidado será o professor Sério Lazzarini, que vai falar, entre outros assuntos, sobre o papel na crise das organizações estatais, incluindo bancos de desenvolvimento.