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PF tem quatro inquéritos para apurar ameaças e ofensas à presidente do TSE

Última investigação envolve militar da reserva que fez ataques a Rosa Weber e ministros em vídeo

Zona Franca de Manaus Ministra Rosa Weber STF coronel
Ministra Rosa Weber. Crédito: Carlos Moura/SCO/STF

A Polícia Federal (PF) instaurou inquérito para investigar o coronel do Exército Carlos Alves, do Rio de Janeiro, que divulgou um vídeo nas redes sociais em que chama a presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Rosa Weber, de “vagabunda e corrupta”.

Na terça-feira (24/10), os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) defenderam a atuação da magistrada e a Procuradoria-Geral da República (PGR) requereu à PF a instauração do inquérito. Nesta quarta-feira (24/10), o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, confirmou o início das apurações contra Alves.

“Ontem mesmo determinei instauração de inquérito para apurar essas agressões que ela foi vitima, sabemos de quem se trata e onde se encontra”, disse.

No vídeo, o coronel faz ameaças a Rosa e critica o fato de ela ter recebido representantes do PT que foram ao TSE cobrar providências acerca da ação movida contra o candidato Jair Bolsonaro (PSL) porque ele teria se beneficiado de recursos de empresas que teriam comprado pacotes de mensagens para difamar o candidato adversário.

“Essa salafrária, essa corrupta, essa ministra corrupta e incompetente. Se ela fosse séria, patriótica e não devesse nada para ninguém, ela nem receberia essa  cambada no TSE”, afirma Alves na gravação.

Este foi o quarto inquérito aberto para apurar ameaças à presidente da Corte Eleitoral. Dos demais, dois se referem a e-mails enviados ao tribunal com ataques à Rosa e um terceiro ao caso de uma mulher que fez xingamentos à ministra em frente à Corte.

Segundo Jugmann, todos já foram identificados, inclusive o responsável por enviar e-mail do Japão com ataques à ministra.

Reação no STF

Ontem, o decano do STF, ministro Celso de Mello, fez duras críticas ao coronel, que, segundo o magistrado, fez um “discurso imundo, sórdido e repugnante”.

O ministro afirmou que alguns cidadãos abusam dos privilégios da liberdade de expressão. “Optam por manifestar ódio visceral e demonstrar intolerância com aqueles que consideram inimigo. Tem incapacidade de conviver com harmonia no seio de sociedade fundada em bases democráticas. Todo esse quadro imundo que resulta no vídeo que mencionei que longe de traduzir liberdade de palavras constitui corpo de delito com ofensas”, ressaltou.

O Centro de Comunicação Social do Exército, por sua vez, divulgou a seguinte nota sobre o tema:

1. A pessoa que aparece no vídeo é o Coronel Carlos Alves, militar da reserva.
2. O referido militar afronta diversas autoridades e deve assumir as responsabilidades por suas declarações, as quais não representam o pensamento do Exército Brasileiro. O General Villas Bôas, Comandante do Exército, é a autoridade responsável por expressar o posicionamento da Força.
3. Cabe ressaltar, ainda, que o Comandante do Exército, por intermédio de seu Gabinete, encaminhou uma representação ao Ministério Público Militar solicitando que fosse investigado o cometimento de possível ilegalidade.


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