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Ex-juiz e ex-presidente da OAB embarcam no discurso contra corrupção e se elegem

Witzel vence para governador do Rio de Janeiro e Ibaneis será chefe do Executivo da capital

Wilson Witzel
Ex-juiz Wilson Witzel nomeou desembargador para conselho de segurança. Crédito: Reprodução

Ao menos dois nomes ligados ao Judiciário tiveram sucesso no segundo turno das eleições deste ano ao deixar de lado a profissão para embarcar no discurso de combate à corrupção e vencer o pleito.

Para ganhar a disputa ao mais alto cargo estadual, Wilson Witzel (PSC) largou a magistratura, mas levou junto o cargo e usou o codinome de “ex-juiz” na campanha para se tornar governador do Rio de Janeiro.

Já o juiz aposentado Odilon de Oliveira (PDT), que fez traçou estratégia similar,  bateu na trave e perdeu por menos de 6% a disputa para chefia do Executivo do Mato Grosso do Sul.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil do Distrito Federal entre 2013 e 2015, Ibaneis Rocha (PMDB), por sua vez, surpreendeu ao começar a eleição com 2% nas pesquisas de intenção de votos e vencer o pleito com mais de 69% da preferência da população da capital.

Ele conquistou o eleitorado ao insistir no discurso de que é novo na política e prometer abrir mão de privilégios, de salário e de R$ 30 milhões que tem a receber de precatórios por conta da atuação como advogado. Esse recurso, segundo ele, será integralmente doado aos cofres do governo local.

Ele afirmou que não faria a doação se Rollemberg fosse eleito e negou que a promessa pudesse configurar compra de votos, como criticavam os adversários.

Amigo de Bretas

Já Witzel deixou a 6ª Vara Federal Cível do Rio de Janeiro no último dia 2 de março para se filiar ao PSC e se lançar ao governo fluminense. No primeiro turno, aproveitou-se da onda a favor de Jair Bolsonaro (PSL) e surpreendeu ao passar para o 2ª turno com mais de 40% dos votos, enquanto aparecia nas pesquisas com menos de 16%.

Ele não recebeu o apoio do presidenciável, mas de seu filho, Flávio Bolsonaro (PSL), que foi eleito senador e pedia voto casado com Witzel.

Outro trunfo dele no pleito foi a relação de amizade com o responsável pela Lava Jato no RJ e ex-colega de magistratura federal Marcelo Bretas, algoz de Sérgio Cabral, aliado de seu concorrente, Eduardo Paes.

Quando Bretas recebeu a medalha Pedro Ernesto da Câmara de Vereadores do RJ, em julho de 2017, Witzel discursou na cerimônia e ressaltou as qualidades do colega.

Enquanto juiz, Witzel foi muito atuante nas pautas da carreira e chegou a ser diretor, em 2011, da Associação dos Juízes Federal do RJ. Na entidade, foi o autor do projeto de lei – ainda em tramitação no Senado – que prevê a criação de uma guarda especial dentro da Justiça para a segurança dos magistrados.

O projeto está na pauta do Senado, mas ainda não tem acordo para ser votado. Esse projeto chegou a ser acelerado quando do assassinato da juíza Patrícia Acioli, anos atrás, em Niterói. A juíza estava numa lista de doze pessoas “marcadas pra morrer”, segundo os investigadores. Ela tinha sido responsável, nos últimos 10 anos de sua vida, pela prisão de mais de 50 policiais ligados a milícias e outros grupos de extermínio.

Já Odilon, que anda até hoje com escolta e chegou a ficar conhecido como o juiz mais ameaçado do país, não teve tanta sorte quanto os outros dois nomes ligados ao Judiciário.

Ele se aposentou da magistratura para concorrer a governador. Juiz Odilon, como se apresentou na campanha, era titular da 3ª Vara Federal de Campo Grande, especializada em crimes financeiros e lavagem de dinheiro, e ficou conhecido por ter prendido traficantes e desmantelado diversas organizações criminosas, motivo pelo qual foi alvo de inúmeras ameaças.

Embora tenha disputado pelo PDT, no segundo turno não seguiu a orientação nacional do partido, que declarou apoio crítica a Fernando Haddad (PT), e apoiou Jair Bolsonaro.


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