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Edir Macedo pede que MPF investigue Haddad por crime de intolerância religiosa

O bispo também entrou com ação contra o petista por danos morais e queixa-crime por injúria e difamação

Edir Macedo
Crédito: reprodução/Facebook

O empresário e bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e dono da TV Record, entrou nessa sexta-feira (26/10) com processo cível e denúncias criminais contra o candidato à presidência Fernando Haddad (PT).

As ações foram motivadas pelas declarações de Haddad à imprensa no dia 12/10.

Na ocasião, o candidato afirmou: “sabe o que é o Bolsonaro? Vou dizer para vocês o que é o Bolsonaro. Ele é o casamento do neo-liberalismo desalmado representado pelo Paulo Guedes, que corta direitos trabalhistas e sociais, com o fundamentalismo charlatão do Edir Macedo. Isso que é o Bolsonaro”.

Em seguida, ele também disse: “sabe o que está por trás dessa aliança? Chama em latim auri sacra fames. Fome de dinheiro. Só pensam em dinheiro.”

Por ter afirmado que o líder religioso é um “fundamentalista charlatão” com “fome de dinheiro”, a defesa do bispo, representada pela advogada Adriana Guimarães Guerra, pede que o Ministério Público Federal (MPF) investigue se houve um crime de intolerância religiosa.

Segundo a defesa, Haddad proferiu declarações “manifestamente discriminatórias e preconceituosas à fé professada por milhões de cristãos espalhados pelo país” e que “incitam ódio e repulsa religiosa”.

A advogada de Edir Macedo também entrou com um processo contra Haddad pedindo uma indenização de 83 salários mínimos por danos morais  – o equivalente a cerca de 77 mil reais. De acordo com o pedido, o valor será integralmente destinado à instituição de caridade Associação Brasileira de Assistência e Desenvolvimento Social (Abads).

“Não se pode admitir que um candidato a presidência opte pelo discurso de ódio, ferindo direitos de quem quer que seja, especialmente direitos constitucionais. Também não se pode admitir que esse tipo de conduta seja considerada liberdade de expressão, especialmente quando propagada por um advogado, o qual possui expertise e discernimento”, afirma a defesa em petição inicial.

Segundo a defesa, as declarações do petista demonstram “verdadeira birra, pirraça, ira e frustração [do candidato] que, para se promover durante o período eleitoral, resolveu proferir inverdades e ofensas, por não ter recebido o apoio individual de um dos maiores líderes religiosos do mundo”.

A advogada lembra que, em eleições passadas, Edir Macedo já apoiou o Partido dos Trabalhadores (PT). O objetivo de Haddad, portanto, seria o de ferir a honra do evangélico por estar insatisfeito com seu apoio a Jair Bolsonaro (PSL).

Também foi requisitado que Fernando Haddad seja impedido de publicar qualquer ato ofensivo e inverídico a respeito do bispo, além de uma retratação pública e retirada imediata das publicações em suas redes sociais nas quais ele replicou as declarações.

Na esfera criminal, o bispo entrou com queixa-crime pelos crimes de difamação e injúria.

Na denúncia, além da declaração já mencionada, a defesa também citou uma entrevista do candidato à revista Valor Econômico, quando ele afirmou que “vê problemas quando Edir Macedo escreve um livro chamado ‘Plano de Poder’ visando o poder de Estado, escolhe um candidato e coloca uma televisão a serviço desse candidato”.

“É nítido que o querelado Fernando Haddad busca de forma, diga-se de passagem, inacreditável, travestir a respeitada obra literária (que enaltece a propagação do Evangelho) em um verdadeiro “manual para o golpe de Estado”, afirmou a defesa na denúncia.


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