Eleições

ELEIÇÕES 2020

Candidatos já registrados nas eleições declararam ao TSE ter R$ 79,6 mi em espécie

Um deles, de São Borja (RS), disse ter R$ 1,7 milhão junto com a esposa. Segundo contador, valor foi investido em caminhões

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Crédito: Pexels

Dos 38.741 candidatos a prefeito, vice-prefeito e a vereador que já se registraram no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para concorrer às eleições de 2020, 3.347 reúnem, juntos, mais de R$ 79,6 milhões em moeda nacional em espécie. Outros 62 candidatos declaram, ainda, acumular R$ 2,8 milhões em moeda estrangeira.

Os números, atualizados até a última quinta-feira (17/9) são de um levantamento realizado pelo JOTA Labs com base em informações públicas, registradas pelos próprios candidatos. Todos os dados estão disponíveis para acesso no sistema da Corte, com atualização diária (no repositório de dados eleitorais e no DivulgaCand).

Um dos maiores valores registrados até o momento na categoria é de um candidato a vereador em São Borja (RS), Fabrizio Dipamil, que declarou o valor de R$ 1,05 milhão em nome de sua esposa e mais R$ 660 mil em seu nome.

Procurado, o candidato pediu que a reportagem entrasse em contato com seu contador. O profissional, por sua vez, afirmou que o montante, na verdade, já foi usado para a compra de uma frota de caminhões, mas as notas fiscais ainda não foram emitidas.

“No ano que vem, a gente vai fazer a troca de patrimônio, mas não podia omitir esse valor que está em negociação”, disse o contador.

O atual prefeito de Itapecerica da Serra, Jorge Costa (PTB), que busca a reeleição, também aparece nas primeiras colocações do ranking de candidatos com maior quantidade declarada de moeda em espécie. Ele declara ter R$ 500 mil em moeda nacional. O JOTA procurou o prefeito, mas não teve retorno até a publicação. Costa se recupera da Covid-19 e está afastado do cargo.

Para Juliana Sakai, diretora de operações da Transparência Brasil e membro da Transparência Partidária, o alto valor autodeclarado é curioso. “Em tese, quando se tem dinheiro em espécie é porque não quer chamar atenção das autoridades. Mas nesses casos, o candidato está realmente preocupado que isso seja declarado legalmente para evitar problemas”, diz.

Marcelo Issa, fundador do Movimento Transparência Partidária, explica que a autodeclaração de bens dos candidatos não pode trazer discrepância com o declarado para a Receita Federal, já que os dados são cruzados. “O ideal é que o montante declarado em espécie pelo candidato não seja parte significante do conjunto de bens que ele possui”, afirma.

Além de bens em espécie, diversos outros tipos de posses são declarados no TSE, como por exemplo, o de uma candidata que diz possuir “25 porcos e 15 galinhas”, avaliados em um total de R$ 6 mil.

O prazo para o envio das declarações ao TSE de quem quer se candidatar a cargos eletivos no pleito de 15 de novembro termina em 26 de setembro.


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