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Ataque a Bolsonaro foi motivado por divergências políticas, diz PF

Atuação de terceiros não foi identificada. Adélio Bispo foi indiciado por crime previsto na Lei de Segurança Nacional

Bolsonaro / Adélio Bispo
Momento em que Bolsonaro foi esfaqueado / Crédito: reprodução TV

O delegado da Polícia Federal Rodrigo Morais Fernandes, que apurou o atentado ao candidato à presidência da República Jair Bolsonaro (PSL), afirmou nesta sexta-feira (28/9) que “não restam dúvidas que o motivo que levou Adélio Bispo a praticar o crime foi o inconformismo com as ideias políticas propagadas” pelo candidato.

Com a conclusão do inquérito, Adélio será indiciado pelo crime previsto no artigo 20, parágrafo único, da Lei de Segurança Nacional. A pena prevista para o crime é de três a dez anos de reclusão. O ataque ocorreu no início do mês na cidade mineira de Juiz de Fora.

De acordo com o delegado, a investigação concluiu que no dia do crime Adélio agiu sozinho. Não foi identificada qualquer participação de outras pessoas que poderiam ter agido num suposto convencimento para a realização do atentado.

No curso da investigação foram realizados três interrogatórios com Adélio Bispo, autor do ataque. Além disso, 40 pessoas foram entrevistadas, das quais 30 presenciaram o ataque. Duas buscas foram realizadas na pousada onde Bispo morava e mais de 150 horas de vídeo foram analisadas.

A PF também informou que um segundo inquérito está em curso para apurar o possível envolvimento de terceiros no ato. “Ao cabo do primeiro inquérito, não conseguimos apontar a participação de um mandante, ou um financiador do crime, a partir desse segundo inquérito vamos tentar trazer de forma exaustiva qualquer indicativo que ele possa ter tido com alguma pessoa que pudesse ter interesse no evento criminoso”, afirmou Fernandes.

O delegado que presidiu a investigação explicou que os três interrogatórios feitos com Adélio Bispo deixaram claro que houve influência do discurso político de Bolsonaro na motivação para o ato. “Estamos convencidos de que realmente ele agiu por inconformismo político, ele diz que é um adepto da ideologia de esquerda. Alega que o candidato, com seu discurso político, não estava de acordo com seu pensamento”.

“O que nos trouxe essa confirmação foi a gama de material periciado, onde ele defende seu pensamento ideológico e a existência de várias mensagens, inclusive dirigidas a uma página do candidato em rede social, que ele faz ameaça de morte ao Bolsonaro”, disse o delegado responsável pela investigação.

Segundo a PF, Adélio afirmou nos interrogatórios que pretendia comprar uma arma de fogo para defesa própria e não para usar no crime contra o candidato. Adélio informou que teria feito algumas denúncias formais contra políticos de Uberaba, o que, segundo o investigador, não foi confirmado. Perguntado sobre o estado de saúde de Adélio, o delegado disse que as testemunhas ligadas ao indiciado não falam sobre um possível quadro de transtorno mental.


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