Agregador de Pesquisas

Agregador de pesquisas

Bolsonaro ultrapassa Lula no agregador de pesquisas do JOTA pela primeira vez

Briga no centro continua acirrada. Agregador é alimentado apenas com pesquisas espontâneas

Bolsonaro
Jair Bolsonaro, pré candidato à presidência / Crédito: Lucio Bernardo Junior / Câmara dos Deputados

O Datafolha divulgou na tarde desta segunda-feira (11/6) o relatório completo da sua mais nova pesquisa. A pesquisa altera os valores do modelo do agregador JOTA.  O resultado é relevante, pois o agregador vinha se mantendo estável. É possível dizer, portanto, que há alteração de cenário. Veja a seguir os resultados do agregador atualizado na última segunda-feira (11/06):

Jair Bolsonaro (PSL) aparece com 12%, entre 10.5 e 13.2%.

Lula (PT) aparece com 10.8%, entre 9.8% e 12%.

Ciro Gomes (PDT) aparece com 2%, podendo chegar a 2.5%. Ele também permanece estável.

Marina Silva (REDE) aparece com 1%, podendo chegar 1.6%

Desde a modelagem anterior, Geraldo Alckmin (PSDB) aparece com 1%, podendo chegar a 1.4%. Ele permanece estável.

O valor de não sabe chega a 45%, variando de 43.5% até 47%.

O agregador JOTA de pesquisas não constitui pesquisa eleitoral, sendo mera ferramenta que permite que os resultados de pesquisas eleitorais espontâneas elaboradas por diferentes institutos e devidamente registradas junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sejam agregadas. O objetivo é mostrar intenções de voto mais próximas da realidade, conforme modelo estatístico desenvolvido pelo JOTA. Para visualizar a ferramenta interativa, acesse https://data.jota.info/agregador/index.html.

Interessante notar que o valor na pesquisa espontânea dos candidatos na mais nova pesquisa Datafolha convergem para os valores que já apareciam no agregador do JOTA, um indicativo de que o modelo é confiável. Por exemplo, há um mês, o modelo do JOTA já apresentava Bolsonaro com 12% dos votos na espontânea.

A principal conclusão com os dados agregados da nova pesquisa Datafolha é que Lula realmente teve queda significativa. Ele aparece com cerca de 10% dos votos espontâneos. Além disso, Bolsonaro se consolida na liderança (com cerca de 12%), mas se mantém no mesmo patamar, o que pode indicar um teto.

A disputa pelo segundo lugar, considerando que Lula dificilmente conseguirá ser candidato, permanece embolada. Nas perguntas estimuladas, Ciro e Marina parecem estar adiante, mas nas perguntas espontâneas Ciro, Marina e Alckmin se mantêm estáveis em patamares similares.

Os resultados mostram que os eleitores estão mais acostumados com a saída de Lula. Apesar de a maioria ainda não prestar muita atenção na eleição (o valor de não sabe variou para cima), a disputa começa a chamar mais a atenção e alguns resultados começam a se consolidar. Para as próximas pesquisas é preciso analisar se Bolsonaro atingiu um teto e quem dos três outros candidatos é capaz de se descolar.

A partir das próximas pesquisas iremos incluir os chamados “house effects” no modelo, os efeitos de cada uma das diferentes pesquisas no valor final. O objetivo é aferir o grau de confiabilidade e o peso para cada instituto.

O agregador utiliza o modelo bayesiano para apontar tendências. Ele usa resultados anteriores como base para expectativas e acrescenta as novas pesquisas como novas probabilidades, atualizando essas expectativas. Assim, forma distribuições posteriores. Por isso mesmo, o modelo prevê resultados diários para todos os candidatos.

O agregador permite comparar pesquisas diferentes, o que não é possível fazer com pesquisas estimuladas de diferentes institutos. Para isso, usamos modelo do estatístico e cientista político Simon Jackman, da Universidade de Stanford, um dos principais especialistas em estatística bayesiana da atualidade.

Jackman ficou famoso por agregar resultados das eleições australianas, sua terra natal. Diz Jackman em seus estudos: “Os resultados das pesquisas variam ao longo de uma campanha eleitoral e entre organizações de pesquisa, dificultando o rastreamento de mudanças genuínas no apoio dos eleitores. Eu apresento um modelo estatístico que rastreia as mudanças no apoio dos eleitores ao longo do tempo agrupando as pesquisas”. Leia o estudo original.


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