Agregador de Pesquisas

Aprovação presidencial

Agregador: Bolsonaro tem 40,5% de avaliação negativa e 29,8% de avaliação positiva

Segundo agregador de popularidade presidencial do JOTA Labs, há mudanças expressivas na aprovação do presidente

Bolsonaro
O presidente da República Jair Bolsonaro ao lado da primeira-dama, Michele Bolsonaro / Crédito: Carolina Antunes/PR

O presidente da República Jair Bolsonaro entra no 17º mês de governo com uma avaliação negativa crescente, com 40,5% de ruim e péssimo, e avaliação positiva em declínio, com 29,8% de ótimo e bom. Há quatro semanas, ele tinha 37% de avaliação negativa e 31,2% de positiva.

Os dados fazem parte da mais atualizada versão do agregador de popularidade do JOTA Labs. A avaliação regular, que era 28,5%, hoje está em 26,9%. O agregador foi atualizado com mais 8 pesquisas nacionais divulgadas nos últimos dias. Ao todo, o agregador conta com 109 pesquisas do período que envolve o governo Bolsonaro. 

Os valores apresentados acima são a mediana do modelo de agregação. Considerando os intervalos de credibilidade, a avaliação positiva pode variar entre 26,4% e 33,2%.  Para a avaliação negativa, o intervalo estimado vai de 36,5% e 43,1%. Para a avaliação neutra, os valores vão de 24% e 29%.

O agregador JOTA é uma ferramenta exclusiva que leva em consideração mais de 500 pesquisas de opinião conduzidas no país nos últimos 32 anos, comparando 11 governos e 8 presidentes. Em outubro, o agregador já havia mostrado que Bolsonaro tem a pior avaliação entre os presidentes em primeiro mandato. A ferramenta interativa está disponível aqui: https://data.jota.info/aprovacao/.

A avaliação negativa superou a positiva já em julho do ano anterior, e desde então se mantém assim. Mas com os intervalos de credibilidade se sobrepondo em alguns momentos, era difícil distinguir qual estava acima ou abaixo. Essa situação mudou com os últimos acontecimentos envolvendo o Planalto.

A aprovação geral de Bolsonaro estava praticamente estável desde abril do ano passado, centrada em 33% das avaliações ótimo e bom e 34,5% de ruim e péssimo. Todavia, essa estrutura de apoio entre os brasileiros sofreu mudanças significativas nas últimas semanas, em virtude do desgaste na opinião pública com o trabalho realizado pelo governo federal no combate à pandemia da Covid-19 e dos atritos envolvendo dois dos ministros mais populares do governo: Luiz Henrique Mandetta (Saúde) e Sergio Moro (Justiça), ambos demitidos no último mês.

É preciso observar nos próximos dias o impacto das medidas adotadas pelo governo para mitigar os efeitos da pandemia, principalmente econômicos, no curto prazo, junto aos eleitores mais pobres, cerca de 50 milhões de brasileiros. É provável que a ajuda de até R$ 1.200 por família comece a fazer efeito também sobre a aprovação do presidente, elevando a avaliação positiva nesse segmento e cancelando eventuais perdas de popularidade entre pessoas de maior renda.

O agregador indica que o saldo da aprovação do governo está negativo e aumentando. Em novembro de 2019, Bolsonaro apresentava déficit (saldo negativo) na ordem de -5 pontos. Hoje, o índice atingiu seu menor patamar de aprovação: -10,2 pontos. Ou seja, o valor mais que dobrou em seis meses. 

A ferramenta permite que pesquisas sejam agregadas para estimar, mais perto da realidade, a aprovação do trabalho do presidente; com o modelo estatístico de fusão de pesquisas desenvolvido pelo JOTA, é possível comparar resultados de diferentes institutos de pesquisa. O modelo é baseado na técnica conhecida como Filtro de Kalman e considera diversas informações das pesquisas, como a distância entre a data de coleta dos dados até o presente, o tamanho da amostra utilizada, o número de estados e municípios pesquisados e o intervalo de credibilidade ou margem de erro da pesquisa. 

O JOTA tem experiência com esse tipo de método de agregação. Na eleição de 2018, Bolsonaro apareceu com 54,8% das intenções de voto no nosso agregador de pesquisas eleitorais e acabou a eleição com 55,1%. Já Haddad registrou 45,2% no modelo e recebeu 44,9% dos votos. O agregador chegou mais perto do resultado final do que qualquer um dos institutos de pesquisa considerados individualmente.