Liberdade de Expressão

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Juiz veta entrevista de hacker que admitiu invasão de celulares de autoridades

Leite não vê semelhanças com caso Lula e diz que fala poderia representar prêmio para eventual manipulação de provas

Foto: reprodução rede social

A Justiça Federal do Distrito Federal negou pedidos para que jornalistas entrevistassem Walter Delgatti Neto, hacker que confessou ter invadido contas de Telegram de autoridades. A decisão é do juiz substituto Ricardo Leite,  10ª Vara Federal do DF. O magistrado argumentou que a medida poderia trazer prejuízos para as investigações, que ainda estão em andamento.

Leite ainda descartou semelhanças do caso de Delgatti Neto com o do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teve entrevista autorizada da prisão pelo ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, mesmo cumprindo pena pela condenação no âmbito da Lava Jato.

Leite ressaltou que o caso “está sob segredo de justiça por se tratar de caso de grande complexidade cujas diligências empreendidas pela autoridade policial devem ser resguardadas”. Na avaliação do juiz, liberar a fala à imprensa representaria um prêmio para o hacker.

“Nesse contexto a realização de entrevistas jornalísticas com Walter Delgatti ocasionaria tumulto para as investigações que ainda não foram concluídas. O investigado já prestou alguns depoimentos perante a autoridade policial que poderiam ser distorcidos de forma a comprometer o trabalho investigativo. Ademais, dos diálogos que WALTER travou com os demais comparsas, deixa-se entrever que se vangloriou por ter sido o autor da invasão das contas Telegram e celulares de autoridades públicas e demais celebridades, sentindo até um certo orgulho de estar em evidência por tais práticas, tendo até se comparado ao Caso Snowden, sendo que autorizar o contato do investigado com a imprensa agora no início das investigações seria premiar-lhe oportunizando eventual manipulação de provas”.

Segundo o juiz,  a situação em nada se compara com o precedente do Supremo Tribunal Federal no caso Lula. “Como bem destacou o Parquet, naquele caso de autorização de entrevista pelo ex-presidente Lula, tratava-se de ação penal “suficientemente instruída, sem diligências pendentes que pudessem ser afetadas por eventuais declarações do réu.”

“Portanto, o princípio que resguarda a liberdade de informação deve ser mitigado em prol do interesse público (da devida apuração dos fatos) e do caráter sigiloso do inquérito, por ser imprescindível para preservar o trabalho investigativo da polícia até que seja concluído – motivação da própria prisão preventiva que visa garantir a instrução criminal. Permitir o contato da imprensa com WALTER DELGATTI, por ora, certamente atrapalharia as investigações além de criar um precedente para que todos os jornalistas dos diversos veículos de comunicação que solicitassem entrevista com o investigado
tivessem o pedido deferido ante a igualdade de tratamento”, completou.


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