Liberdade de Expressão

Conet 2019

Envolver o governo na regulação das notícias falsas não é uma boa ideia

Para Rob Faris, palestrante do CONET 2019, o ideal é treinar as pessoas para distinguir o conteúdo falso do verdadeiro

notícias falsas
Rob Faris, palestrante do Conet2019 / Crédito: Thiago Santos/ITS/JOTA

A evolução do ambiente político e a educação dos cidadãos são dois fatores que podem ajudar no combate às notícias falsas. Já uma regulação das fake news que envolva o governo é uma má ideia porque misturaria política com a geração de conhecimento público.

Essa é a opinião do diretor de pesquisa do Centro Berkman Klein da Universidade de Harvard, Rob Faris, exposta durante a Conferência Nacional de Internet 2019 (#CONET2019), realizada no Congresso Nacional e organizado pelo JOTA em parceria com o Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS), nesta terça-feira (7/5).

Faris foi o primeiro palestrante e fez um resumo sobre as eleições nos Estados Unidos, que até hoje são alvo de investigações sobre uma possível influência da Rússia para ajudar Donald Trump a disseminar fake news contra seus adversários.

O professor destacou que fez estudos sobre o pleito americano de 2016 e que percebeu que há uma divisão muito clara sobre quais veículos de comunicação são compartilhados pelas pessoas mais alinhadas ao partido Republicano e quais são usados pelos Democratas.

Essa divisão, afirma, é muito mais antiga do que a internet, o que o leva a concluir que o problema das fake news são muito maiores do que as redes sociais.

“Nossos  estudos sugerem que, ao menos nos EUA, o fenômeno está ligado aos próprios ecossistemas históricos de notícias. São construções políticas que existem há muito tempo, que estão, na verdade, na raiz do problema da desinformação”, destacou.

Envolver o governo na regulação das notícias falsas não é uma boa ideia, segundo o professor. “Combater as fake news pela regulação seria praticamente impossível. Você não pode legislar para tornar as pessoas quem elas não são ou mudas suas ideias com uma regulação”, disse. Além disso, misturaria política com a geração de conhecimento público, o que na visão dele, não seria salutar.

A melhor maneira de enfrentar as fake news é ensinar o cidadão a desenvolver um senso crítico. “Tem que ensinar as pessoas a serem céticas, para saberem no que podem acreditar ou não. Ensinar a sofisticação da mídia para o leitor poder distinguir o que é verdadeiro do que é falso. Mas isso não é fácil de fazer”, afirma.

Quanto aos checadores de fatos, Faris afirma se tratar de “uma coisa bastante complicada”. Isto porque, nos Estados Unidos, as pessoas tendem a não acreditar nas checagens de fatos pelo fato de elas serem feitas por empresas.

Carlos Affonso de Souza, diretor do ITS, e Laura Diniz, a diretora e sócia do JOTA, abriram o evento e destacaram a importância de debater as notícias falsas e os resultados do Marco Civil da Internet, aprovado há cinco anos.

“O papel da imprensa não é só cobrir os fatos, mas também acompanhar o desenrolar das discussões mais profundas, como é o caso da aplicação do Marco Civil, e inclusive proporcionar possibilidades de reflexão sobre essa legislação e criar um espaço de discussão para que a gente pense o futuro”, afirmou Laura.

Souza seguiu no mesmo caminho e ressaltou a importância do evento: “O futuro do Brasil passa pelo debate sobre o futuro da internet. Qual internet queremos?  De que forma vamos lidar com os desafios que nos são apresentados hoje em dia?”, questionou.


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