Liberdade de Expressão

Reação

Bolsonaro usa posição de poder para intimidar a imprensa, dizem OAB e Abraji

Nota afirma que governante mobiliza população para agredir jornalistas, o que abala um dos pilares da democracia

Bolsonaro
Presidente da República Jair Bolsonaro / Crédito: Isac Nóbrega/PR

Um dia após o presidente Jair Bolsonaro usar seu twitter para criticar uma jornalista com base em declaração atribuída falsamente à repórter, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) divulgaram uma nota para condenar o gesto do chefe do Executivo.

As entidades afirmam que Bolsonaro age com a intenção de intimidar o trabalho dos jornalistas e promove um ataque à  “imprensa livre e crítica”, que seria um dos “pilares da democracia”.

“Na noite de domingo, Bolsonaro fez um novo ataque público à imprensa, desta vez valendo-se de informações falsas. Isso mostra não apenas descompromisso com a veracidade dos fatos, o que em si já seria grave, mas também o uso
de sua posição de poder para tentar intimidar veículos de mídia e jornalistas, uma atitude incompatível com seu discurso de defesa da liberdade de expressão”, afirma o texto.

De acordo com as entidades, “quando um governante mobiliza parte significativa da população para agredir jornalistas e veículos, abala um dos pilares da democracia, a existência de uma imprensa livre e crítica”.

No domingo, Bolsonaro divulgou em suas redes sociais um relato sobre diálogo de uma jornalista do jornal  “Estado de S.Paulo” com uma pessoa não identificada que tratava das apurações envolvendo o senador Flavio Bolsonaro (PSL-RJ), seu filho. O presidente afirmou, no Twitter, que “querem derrubar o
governo com chantagens, desinformações e vazamentos”.

A postagem traz um áudio, cuja transcrição dos trechos audíveis não estão de acordo com a interpretação feita por Bolsonaro. Bolsonaro afirma que a jornalista teria dito “querer arruinar a vida de Flávio Bolsonaro e buscar o impeachment do presidente Jair Bolsonaro”. O “Estado de S.Paulo” afirma que essa frase jamais foi dita pela repórter do jornal.

Leia a íntegra da nota:

“Na noite de domingo, o presidente Jair Bolsonaro fez um novo ataque público à imprensa, desta vez valendo-se de informações falsas. Isso mostra não apenas descompromisso com a veracidade dos fatos, o que em si já seria grave, mas também o uso de sua posição de poder para tentar intimidar veículos de mídia e jornalistas, uma atitude incompatível com seu discurso de defesa da liberdade de expressão. Quando um governante mobiliza parte significativa da população para agredir jornalistas e veículos, abala um dos pilares da democracia, a existência de uma imprensa livre e crítica.

A onda de ataques no domingo começou antes da manifestação do presidente. Grupos que apoiam Bolsonaro difundiram e amplificaram nas redes sociais declarações distorcidas da repórter Constança Rezende, de O Estado de S.Paulo, para alimentar a narrativa governista de que a imprensa mente quando se refere às investigações sobre as movimentações financeiras atípicas de Fabrício Queiroz, ex-motorista do senador Flávio Bolsonaro. Como é comum nesse tipo de ataque, a família de Constança também virou alvo. O grave nesse episódio é que o próprio presidente instigou esse comportamento, ao citar como indício de suposta conspiração que Constança é filha de um jornalista de O Globo.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) se unem neste momento no repúdio a qualquer tentativa de intimidação de jornalistas. Profissionais atacados por fazer seu trabalho terão sempre nosso apoio.

Diretoria da Abraji
Felipe Santa Cruz – presidente do Conselho Federal da OAB
Pierpaolo Cruz Bottini – coordenador do Observatório de Liberdade de Imprensa do Conselho Federal da OAB”.


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