Compliance na Prática

COMPLIANCE

Processos de due diligence devem multiplicar efeito positivo na cadeia

Grandes empresas têm que adotar métodos que ajudem parceiros menores a evoluir, afirmam executivos

Painel “Integridade na cadeia de valor: ações e cuidados ao elevar os padrões de compliance dos parceiros de negócio”, no 2º Encontro de Compliance do Grupo J&F / Crédito: Ricardo Godoy/Divulgação J&F

Além de ser uma responsabilidade legal das empresas, realizar processos eficazes de due diligence em fornecedores e clientes tem potencial multiplicador. Grandes empresas têm o papel de incluir e instruir organizações menores, a fim de criar um ambiente de negócios melhor para todos.

Essas foram as principais conclusões da discussão “Integridade na cadeia de valor: ações e cuidados ao elevar os padrões de compliance dos parceiros de negócio”, durante o 2º Encontro de Compliance do Grupo J&F, na manhã desta terça (7/12). O evento continua com dois debates diários até quinta-feira (9/12). A participação é gratuita, e o JOTA fará a cobertura diária. 

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“A gente brinca que, até outro dia, no Brasil, não sabíamos se compliance é com C ou com dois S”, disse Eduardo Staino, diretor de Compliance e Auditoria Interna da Andrade Gutierrez. “E, de repente, o tema ficou absolutamente relevante em todas as organizações”.

Na construtora, fornecedores são ranqueados a partir de dois eixos principais, um de reputação e outro de compliance, que, depois, são avaliados de forma unificada. “A gente faz uma avaliação de integridade única, olhando não só os aspectos de ética e compliance, mas também os aspectos da capacidade funcional e financeira, porque não adianta você ter um fornecedor que é absolutamente ético, mas não consegue entregar o serviço”, afirmou Staino.

A realidade de grandes empresas, porém, pode estar distante de fornecedores pequenos, que, muitas vezes, sequer têm processos de conformidade. Para Olga Pontes, executiva de governança, risco e compliance que atuou na Braskem e na Novonor (ex-Odebrecht), “capacitar sobre uma relação ganha-ganha e uma relação de parcerias com empresas que também têm integridade é responsabilidade de todos”.

Pontes afirma que educar participantes da cadeia de produção é não apenas ter responsabilidade social, mas também contribuir para melhorar o ambiente de negócios. “É ser responsável socialmente, não só com os nossos agentes de transformação, mas também com os terceiros.” Ela frisa que, “por requerimento legal, existe a exigência de que as empresas passem a fazer não só due diligence de terceiros, mas também monitorar durante o período de relação contratual”.

No mesmo sentido, Staino disse que “nós, que trabalhamos em grandes organizações — e acabamos sendo um vetor de transformação no mercado —, precisamos ajudar essa turma e não simplesmente mandar um questionário”.

“Eu gosto de um modelo [de avaliação de terceiros] em que a gente faz para todo mundo e foca nos que têm risco”, ele afirma. “A empatia, se colocar no lugar da parte interessada, é fundamental. A gente precisa focar no que tem risco”, continua. “Não significa que não se deve olhar para os que têm menos risco, mas cuidar com mais profundidade dos que têm mais risco.”

E, para dentro da organização, a área de compliance não pode ser um obstáculo. “Nós somos catalisadores, o caminho para que as coisas aconteçam”, disse Pontes. “A responsabilidade de contratar corretamente é de todos, assim como a responsabilidade é de todos.” Para ela, “a área de conformidade é mais uma linha de defesa, que está ali para, se algo escorregar durante o processo natural do negócio, levantar a mão e fazer as perguntas necessárias”.

Staino concorda e resume: “A reputação é um recipiente que se encher a conta gotas”, mas que escoa rapidamente.

O executivo da Andrade Gutierrez finaliza destacando a importância de definir o que fazer quando acontece um problema. “A gente vive no mundo real”, ele ressalta. “Além de colocar o processo para funcionar, é importante pensar o final desse processo, alguma liderança com alçada para tomar aquele risco, capaz de aprovar ou vetar determinado fornecedor ou cliente.”