Pixabay

RelGov: a mudança do perfil do profissional e da importância da área

Área de Relações Governamentais passa a ser estratégica, relevante, e com ações estruturadas em transparência

A área de Relações Governamentais no Brasil está passando por um importante processo de transformação, tanto quanto ao perfil e papel dos profissionais que atuam nesse mercado, como também com relação à importância da área internamente nas corporações.

Até pouco tempo atrás, a área de Relações Governamentais (que tem outras tantas nomenclaturas – Assuntos Governamentais, Assuntos Corporativos, Relações Institucionais etc), era entendida apenas como uma área de “relacionamento” existente para “viabilizar” assuntos ou negócios das empresas, que dependiam totalmente da aprovação do Governo (Executivo ou Legislativo – em todas as suas instâncias) ou de Órgãos Reguladores. E, seus executivos (usualmente conhecidos como Lobistas), consequentemente, eram reflexos diretos dessa imagem e conceito.

Entretanto, graças à chegada da área de Compliance nas empresas multinacionais, bem como aos recentes acontecimentos políticos e escândalos de corrupção no país, temos vivenciado uma significativa mudança de perfil dos profissionais desse mercado, como também de imagem e relevância dessa área nas corporações.

Em primeiro lugar, a área de Relações governamentais, que de fato tem um papel fundamental no diálogo entre iniciativa privada e pública, deixa de ter um aspecto de puro relacionamento e de resolver as coisas “a qualquer custo”, e passa a ser uma área estratégica, relevante, e com ações estruturadas e embasadas em transparência e ética.

Nesse sentido, também vemos uma mudança radical no perfil do profissional que lidera essa área.

Primeiramente, e antes de qualquer coisa, o profissional de Relações Governamentais, a partir de agora, passa a ter um perfil 100% voltado para a ética onde toda e qualquer ação, negociação e tomada de decisão, representando a sua companhia, deve ser pautada na transparência.

Além disso, o fator relacionamento puro, deixa de ser a única qualificação e pré-requisito que compõe o perfil do atual executivo de Relações Governamentais.

Agora, esse profissional passa a ser estratégico, analítico e perspicaz, tendo que conhecer a fundo o seu negócio, o segmento da indústria onde está inserido, a fim de entender as suas demandas, bem como mapear os principais stakeholders internos e externos. Tudo isso para estruturar o melhor caminho de ação para concluir os projetos estabelecidos para a área.

Flexibilidade, resiliência e capacidade de adaptação também são pontos importantes nesse novo perfil. O governo se altera a cada eleição e é importante que o profissional saiba abrir novas portas para representar de maneira transparente e ética a empresa na qual trabalha.

Ainda, esse novo profissional tem um papel muito relevante internamente nas corporações, pois é o responsável por disseminar a importância e o impacto que a área tem para o negócio, bem como por engajar todos os clientes internos.

E, toda essa transformação na área de Relações Governamentais vem causando um impacto muito positivo no mercado de trabalho brasileiro, com o aumento na busca e contratação de executivos com esse novo perfil (principalmente pelas companhias multinacionais), em substituição dos antigos profissionais.

Além disso, muitas empresas que não tinham essa área e que descobriram o resultado significativo que Relações Governamentais, em seu novo formato, traz ao negócio, começaram a contratar profissionais para criar do zero uma estrutura.

Entretanto, ainda estamos num processo de pleno amadurecimento desse mercado no Brasil onde Relações Governamentais têm muitos desafios pela frente.

O primeiro deles é a falta de profissionais seniores, qualificados e com esse novo perfil, por se tratar de um mercado muito restrito. A consequência disso é a inflação na remuneração dos profissionais atuais e a constante dança de cadeiras entre eles, principalmente em segmentos específicos como o farmacêutico, por exemplo.

Assim, existe uma necessidade forte de qualificação dos profissionais dessa área e da criação de cursos específicos de graduação.

Outro ponto relevante é com relação à imagem deturpada que muitos ainda têm da área. E, a regulamentação e institucionalização do Lobby no país é essencial para desmistificar esse conceito e trazer a relevância real de Relações Governamentais.

De qualquer forma, não há dúvidas de que tais mudanças vieram para melhorar muito esse mercado e torná-lo próspero para os profissionais que querem seguir esse caminho. Pois, a área de Relações Governamentais é, cada vez mais, fundamental para qualquer corporação no Brasil que, de alguma forma, têm seu negócio impactado pelo Governo.

Comentários