Às Claras 2.0

Lobby

Comunicação de projeto de reforma tributária alcança 2,8 milhões de pessoas

Anfip, Fenafisco e In Press são premiados pela Aberje devido a case que dialogou com parlamentares e presidenciáveis

reforma tributária
Projeto "Reforma Tributária Solidária" é apresentado aos senadores - Crédito: Divulgação Anfip

Um projeto de relações governamentais sobre reforma tributária, que dialogou com ao menos 50 parlamentares e representantes dos presidenciáveis e alcançou cerca de 2,8 milhões de pessoas, foi premiado pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje) como o melhor case de comunicação e RelGov de 2018.

Chamado de Reforma Tributária Solidária, o projeto foi capitaneado pela Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip) e pela Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (Fenafisco). A comunicação ficou a cargo da agência In Press Oficina.

A iniciativa teve o objetivo de influenciar o poder público para “melhorar o sistema tributário de forma definitiva” por meio da substituição de diversos tributos indiretos por um Imposto sobre o Valor Agregado (IVA).

“Entende-se que a simplificação, além de não enfrentar as anomalias crônicas do sistema tributário, tem um agravante adicional: pode acabar com as fontes de financiamento do Estado Social, que se constitui no principal mecanismo de redução da desigualdade da renda no Brasil”, escreveram as entidades no início do projeto.

Com a participação de especialistas em Direito Tributário e economistas, as entidades formularam e sugeriram mudanças em 10 segmentos de tributação, que vão desde a renda da pessoa física até transações de comércio internacional. Leia a íntegra do diagnóstico.

Entre os que participaram na elaboração das propostas estão Eduardo Fagnani, coordenador do projeto e professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), assim como Fernando Gaiger Silveira, pesquisador do IPEA e doutor em economia pela Unicamp.

Quando tudo ficou pronto, Floriano Martins de Sá Neto, presidente da Anfip, foi um dos responsáveis por levar as propostas ao poder público. Atualmente auditor fiscal da Receita Federal, ele foi secretário-executivo do Ministério da Previdência Social, em 2004. “A vantagem de quem já esteve do lado de quem decide é conhecer a cabeça de quem está na cadeira da gestão”, disse Neto, cuja associação conta com mais de 10 mil associados.

Ele conta que não se preocupa em ser chamado de lobista. “Sempre que há pautas de interesse da categoria e dos cidadãos, nós procuramos dialogar. Somos defensores da regulamentação do lobby”, defendeu Neto. “Fazemos lobby de maneira rotineira e organizada junto ao governo central”, diz o auditor.

Um setor da associação monitora todos os projetos de lei de interesse da classe, como os relacionados a tributação e Previdência. Quando as propostas avançam no Congresso, a entidade procura o autor e relator do texto para oferecer melhorias ou mudanças.

“Não é possível impor restrições ao lobby. É preciso dar mais transparência, com reuniões transmitidas e gravadas. É uma maneira do poder público prestar contas à sociedade”, afirmou o presidente da Anfip.

No Congresso Nacional, as entidades conseguiram promover duas audiências públicas em junho para apresentar as propostas aos parlamentares.

O debate também alcançou os presidenciáveis: seis representantes dos partidos políticos participaram de um evento promovido para discutir as propostas de reforma tributária.

Comunicação

Todo o background comunicacional do projeto foi desenvolvido pela agência de comunicação In Press Oficina, também vencedora do prêmio Aberje. A ideia do projeto de comunicação era a de atingir especialistas, sindicatos, imprensa, sociedade e entes governamentais.

Segundo a jornalista Liliane Pinheiro, diretora de Operações da In Press Oficina, a estratégia se deu em quatro frentes. Em primeiro lugar, era necessário disponibilizar um conteúdo relevante da academia — trazendo os especialistas para debater e elaborar as propostas — para poder engajar a sociedade com uma linguagem simples.

Para isso, foi necessário alcançar formadores de opinião e profissionais de imprensa. Por fim, o objetivo final: influenciar os tomadores de decisão dos poderes públicos.

O investimento total em publicidade foi de R$ 170 mil, com divulgações em rádios, televisões e internet. A assessoria de imprensa também foi ativada, levando os representantes das entidades aos maiores veículos de comunicação do país.

“O modelo foi amplamente noticiado em mais de 360 matérias de veículos impressos, rádios, televisões e mídias online. Os conteúdos digitais, inicialmente patrocinados, agora são compartilhados de maneira orgânica. O saldo é mais do que positivo: foram quase 2,8 milhões de pessoas alcançadas”, informa a In Press Oficina.

No entendimento de Paulo Nassar, presidente da Aberje, o sucesso do projeto “Reforma Tributária Solidária” advém da comunicação profissional realizada pelas associações.

“É essa comunicação que pode garantir mensagens bem estruturadas, espaço e tempo certos do ponto de vista da circulação dessas mensagens, além de garantir a atenção de públicos saturados com tanta informação”, disse Nassar.

Segundo ele, a iniciativa da Anfip e da Fenafisco “se destaca pela transcendência”. “Foram definidas uma visão dos principais públicos, as mensagens estratégicas, os processos e meios de comunicação a utilizar, método a ser seguido, recursos humanos e materiais, além de mensuração de resultados.”

Os debates acerca sobre a reforma tributária continuarão fortes neste ano. O próximo passo, segundo o presidente da Anfip, é fazer lobby junto à equipe econômica do presidente Jair Bolsonaro (PSL) . “Estamos buscando contato, batendo na porta e solicitando audiências.”


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