Às Claras 2.0

LOBBY

Encontros ajudam parlamentares a entender como funciona setor elétrico

Workshops sobre o setor de energia aconteceram em quatro estados e atingiram mais de 40 autoridades

Crédito: Pixabay

O setor de Relações Governamentais da Neoenergia estava preocupado. Era outubro de 2018, logo após o primeiro turno das eleições, quando eles decidiram que um plano deveria ser traçado: devido à renovação na Câmara dos Deputados e no Senado, seria preciso conscientizar parlamentares sobre a importância da pauta energética no Brasil.

O superintendente de Relações Institucionais da Neoenergia, João Paulo Rodrigues, bateu o martelo: seria preciso realizar workshops com os novos parlamentares. “O setor passa por aperfeiçoamentos, e seria necessário explicar às novas autoridades como ele funciona”, resumiu o profissional. 

Desde abril deste ano, então, o plano avançou: quatro encontros com deputados foram realizados na Bahia, Rio Grande do Norte, Pernambuco e São Paulo. Esses estados foram selecionados devido à localidade das distribuidoras da Neoenergia.

Esse projeto de diálogo da Neoenergia com o setor público foi reconhecido e venceu a 2ª edição Prêmio Marco Maciel, organizado pela Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig).

Nos quatro encontros realizados, a companhia conseguiu trazer ao debate mais de 40 autoridades, como deputados federais, senadores, assessores, autoridades locais do legislativo e executivo (deputados estaduais, governo e associações) para discutir as inovações do setor elétrico.

“Mudanças transformarão o setor elétrico, a exemplo de dois projetos de lei oriundos das casas legislativas (PL nº 1917/2015 – em tramitação na Câmara dos Deputados e PL nº 232/2016 – discutido no Senado) que tratam da modernização do setor elétrico, incluindo aí a liberalização do mercado”, explicou Rodrigues ao JOTA.

A ação da empresa se baseou em quatro diretrizes: fortalecer as relações com os parlamentares, introduzir o setor elétrico para os parlamentares eleitos em 1º mandato, fomentar a discussão de temas relacionados ao setor e apresentar a pauta do setor elétrico para o período 2019 – 2022.

Cada um dos quatro encontros foi dividido em dois momentos. O primeiro, realizado pelos representantes de cada distribuidora local, com a apresentação das características da distribuição de energia nas áreas, os programas sociais e a estrutura de gestão da empresa.

O segundo, realizado pela Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), com exposição de temas e tendências do setor elétrico que estão sendo discutidos no Congresso.

“Essa estrutura do evento permitiu, a um só tempo, subsidiar os parlamentares e assessores a respeito de informações importantes para o local de sua origem, onde tem a sua base política-eleitoral, e com informações relevantes para a sua atuação como parlamentar em Brasília”, destacou ao JOTA o chefe de relações governamentais da empresa ao.

Apesar de nenhum projeto de lei sobre o setor de energia ter sido aprovado até então, a empresa acredita que o resultado foi positivo, já que houve a divulgação dos workshops realizados na imprensa e em redes sociais de parlamentares.

Além disso, a Neoenergia afirma ter percebido que os desdobramentos no Congresso Nacional se deram, por enquanto, com o aumento do nível técnico das discussões.

Lobby

Ao JOTA, João Paulo Rodrigues, um dos principais profissionais de relações governamentais do Brasil, se posicionou favoravelmente à regulamentação do lobby no Brasil. “Uma profissão extremamente necessária”, defendeu.

João Paulo Rodrigues é responsável por comandar uma equipe de oito pessoas ligada diretamente à vice-presidência da Neoenergia. A empresa sentiu a necessidade de se relacionar com o poder público principalmente após a incorporação da Elektro Holding, em 2017.

A partir daí, com o aumento de participação da Iberdrola no Grupo Neoenergia, que passou de 39% para 52%, a empresa se tornou a maior do Brasil em número de clientes no setor de distribuição, com 13,6 milhões de usuários em São Paulo, Mato Grosso do Sul, Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Norte.

“Quando a área de RelGov surgiu, percebemos o tamanho das coisas que poderíamos atuar”, contou Rodrigues, que antes de se tornar lobista da empresa, foi da área jurídica.

“Hoje, os departamentos jurídicos atuam em processos repetitivos, já no estágio da discussão judicial. Precisamos ter advogados sem processos judiciais, sem gravatas, atuando de forma a influenciar soluções antes de se tornar um processo”, acredita o profissional.

Para ele, regulamentar o lobby é “importantíssimo”. Apesar disso, o profissional de RelGov acredita que está havendo uma discussão burocrática da discussão. “O importante é criar um estatuto da profissão”, disse Rodrigues.


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