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Xadrez político

Para Mandetta, candidatura para confrontar Lula e Bolsonaro deve vir de consenso

Ex-ministro fala em união para terceira via nas eleições e enxerga cinismo se presidente se imunizar nesta semana

Mandetta
Ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta | Crédito: Fábio Rodrigues Pozzembom / Agência Brasil

Ex-ministro da Saúde do governo Jair Bolsonaro, Luiz Henrique Mandetta diz que a iniciativa de possíveis candidatos à presidência assinarem em conjunto carta à favor da democracia é aproximação inicial, mas não há garantia de união no futuro. O manifesto foi escrito ao lado de Ciro Gomes, João Doria, Eduardo Leite, João Amoêdo e Luciano Huck  “Movimento ainda não há, mas entendimento, sim. Se a democracia não nos unir, nada mais une esses homens. Todo o público entende que se não houver união, não haverá salvador da pátria”, afirmou o ex-ministro em live do JOTA nesta quinta-feira (1/4). O documento foi divulgado na quarta-feira (31/3), data que marca a deflagração do movimento de militares golpistas que implantaram uma ditadura militar no Brasil, em 1964.

Sobre uma eventual chapa para disputar o Planalto, Mandetta se mostrou interessado, mas admitiu que não há consenso no grupo. “Não tenho esse apego desmedido, pode não ser o meu nome lá, mas de um desses homens em que há entendimento”.

Também afirmou que estaria disposto a apoiar outro candidato mais viável para vencer Bolsonaro ou Luiz Inácio Lula da Silva em segundo turno: “Agora é um momento de unicidade, algum polo que não esteja amarrado com essas agendas retrógradas. Daqui pra frente é ver quem dialoga também não só com a Faria Lima, mas com a favela. Qualidade todos têm, vai ter que ser consensual, desde que todo mundo tenha essa predisposição”.

Ele explicou porque outros nomes já cotados para disputar as eleições não aparecem como signatários do documento. “O Sérgio Moro participou até certo ponto, mas disse que não poderia assinar, porque onde ele trabalha isso é vedado. Não havia tempo hábil para juntar mais, como a Luiza Helena Trajano”, afirmou, explicitando que Lula seria um caso a parte.

“Ele e o PT já decidiram que o Brasil é dele. Você só cabe no Brasil se for o Brasil dele. Assim como o Bolsonaro, em que você só tem o direito de permanecer calado”, completou.

Mandetta não poupou críticas aos virtuais adversários no pleito de 2022. “Se não colocarmos esse populismo inconsequente, o do Lula, que poderia ter usado a nova classe média da época em que era presidente e ter investindo na base, e não populismo. Agora vem esse outro populismo do Bolsonaro, com o Paulo Guedes, que é inconsequente. Não sei quem ganharia em um segundo turno, se Lula ou Bolsonaro, mas o Brasil perde nos dois casos”, opinou.

 

Descartando efeito simbólico, possibilidade de Jair Bolsonaro (sem partido) receber a vacina contra a Covid-19 nos próximos dias é tida pelo ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta como tentativa de recuperar popularidade no combate à Covid-19. Grupo de pessoas com a idade do presidente, 66 anos, começarão a ser vacinadas neste sábado (3/4) em Brasília.

“Quem tem que ver significado para o Bolsonaro tomar vacina são aqueles seguidores dele. Para nós que acreditamos em ciência, é cinismo. Ele é o presidente mais mal avaliado do mundo na condução da pandemia, agora vai tentar mudar isso”, disse Mandetta em live do JOTA nesta quinta-feira (1/4).

Mais tarde, em live nas suas redes sociais, o presidente disse que irá decidir tomar o imunizante “depois que o último brasileiro for vacinado”. Segundo ele, esse é o exemplo que um chefe deve dar.

Na ótica do ex-ministro, não deve haver efeito positivo entre a base do presidente, depois de ele ter questionado repetidamente a segurança da aplicação: “O ato dele vai gerar mais vantagem pro vírus; os seguidores vão tratar como jogada de marketing. É uma decisão pautada por ele estar vendo que a população quer tomar vacina e ele é um empecilho. O fato de estarmos nessa situação tem nome e CEP: chama Jair Bolsonaro e mora no Palácio do Planalto. Bolsonaro vai se vacinar no sábado sentado em 340 mil óbitos que estão na conta dele”.

A condução da política de vacinação também foi criticada pelo ex-ministro, que questionou a orientação dada pelo Ministério da Saúde no fim de março de estados e municípios reservarem a segunda dose do imunizante para quem já tomou a primeira. “Isso está passando para a população a sensação de que agora vai, que o fluxo de produção melhorou, mas ainda não há estudo com o que acontece se faltar vacina e demorar a tomar a segunda dose. Foi uma decisão política, e não da ciência” disse ele.


O episódio 54 do podcast Sem Precedentes discute o julgamento da 2ª Turma do STF, que decidiu que Moro foi parcial em suas decisões no caso do tríplex do Guarujá contra Lula. Ouça: