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Economia

Pandemia impulsiona processo de bancarização e inclusão econômica no Brasil

‘Pela primeira vez, as pessoas estão se acostumando a usar pagamentos online’, explica Carlos Emmanuel Ragazzo

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Crédito: Marcos Santos/USP Imagens

O Banco Central instituiu oficialmente o regulamento do Pix, arranjo de pagamentos instantâneos. Segundo a autoridade monetária, a operação estará disponível para a população a partir de novembro.

O diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central, João Manoel Pinho de Mello, explica que a novidade era um dos pilares da Agenda BC#, que busca aliar inovação tecnológica a uma agenda microeconômica da instituição.

Com potencial de alavancar a competitividade e a eficiência do mercado, o sistema pretende aumentar a velocidade em que pagamentos ou transferências são feitos e recebidos. “O Pix é uma plataforma multifuncional, nela as empresas poderão ofertar diversos instrumentos de pagamentos. Dessa forma, o Banco Central vai ofertar um ecossistema para as empresas”, diz.

De acordo com Mello, esse ecossistema funciona com dois aspectos operacionais. O primeiro é o Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI), plataforma centralizada de liquidação de pagamentos instantâneos. “É a tubulação que faz o dinheiro sair da conta de quem paga e chegar na conta de quem recebe”, ilustra. O segundo aspecto é o Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT), o banco de dados que identifica pagadores e recebedores por chaves ou características. 

O tempo operacional do Pix também é mais eficiente. As transferências ocorrem diretamente da conta do usuário pagador para a conta do usuário recebedor, sem a necessidade de intermediários, o que propicia custos de transação menores. “A média que esperamos é de dois segundos, com os limiares de 99% das transações ocorrendo em até 10 segundos e 50% das transações em até seis segundos”, pontua.

A transformação digital dos meios de pagamento foi tema de webinar realizado nesta quarta-feira (12/8) que faz parte de ciclo de três debates promovido pelo JOTA em parceria com o Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (SindiTelebrasil). Essa série de webinars é uma amostra do que será discutido no Painel Telebrasil, que é o principal encontro de lideranças do setor de telecomunicações. Neste ano, o evento ocorrerá em formato 100% digital, ocorrendo nos dias 8, 15, 22 e 29 de setembro.

Com a atual crise de saúde pública, Carlos Emmanuel Ragazzo, advogado e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), observa que temos um processo de bancarização acontecendo para que as pessoas possam receber o auxílio emergencial. “Pela primeira vez, as pessoas estão se acostumando a usar pagamentos online”, diz.

Além disso, nas empresas e indústrias também afetadas pela pandemia, há a necessidade de fluxo de caixa que faz com que o pagamento imediato retire a ineficiência dentro do sistema.

Para o professor, o Banco Central está agora encaixando a infraestrutura para poder escalar esse movimento.

“É como se fosse uma tempestade perfeita para uma mudança no mercado de pagamentos, em consequência das alterações tecnológicas e culturais que estão ocorrendo”, afirma.

Rodrigo Gruner, diretor de inovação e serviços digitais da Vivo, acredita que o caminho aberto pelo Banco Central é uma oportunidade muito grande de trabalho em conjunto com instituições que estejam atuando nesse mercado. 

“O tema do pré-pago é um excelente exemplo de digitalização, o usuário faz o cashing: transforma aquele dinheiro em espécie em algo digital”, explica.

Renato Ciuchini, VP de estratégia e transformação da TIM Brasil, revela que a operadora estuda como integrar essas carteiras com o Pix e transformar esse ambiente além do pré-pago. A sua estimativa é de que as operadores no Brasil gastem, entre arrecadação de fatura e margem de recarga, em torno de R$ 1 bilhão por ano. “Então, com o Pix, existe uma melhora tanto de eficiência quanto da redução de custos muito grande”.

“Talvez a maior carteira digital do país seja o wallet pré-pago das operadoras, que gira em torno de R$ 20 bilhões de reais por ano. Por que ela não pode ser uma wallet de pagamentos além do mercado?”, conclui.