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Ministro do comércio da Colômbia, José Restrepo: ‘PIB caiu 20% em abril’

Governo colombiano adotou 170 medidas para conter impactos da pandemia, incluindo subsídio de crédito a empresas

José Restrepo
O ministro do Comércio, Indústria e Turismo da Colômbia, José Manuel Restrepo, participou de webinar do JOTA realizado nesta terça-feira (4/8). Crédito: YouTube
A reportagem foi alterada às 20h20 de 5 de agosto de 2020 para corrigir o montante da queda do PIB da Colômbia em abril. O valor correto é de 20%

A Colômbia, assim como o Brasil, adotou um programa para auxiliar a população de baixa renda durante a pandemia do novo coronavírus. O país criou o Ingresso Rápido, que repassa uma renda básica de emergência a cerca de três milhões de pessoas (a Colômbia tem cerca de 50 milhões de habitantes). Em termos proporcionais, o programa beneficia menos pessoas do que o auxílio emergencial, que foi repassado a mais de 66 milhões de brasileiros, ou seja, quase um terço da população.

Além disso, o governo colombiano também agiu de forma ativa para fornecer garantia ao crédito destinado aos pequenos empresários. “Tomamos medidas atípicas como, por exemplo, linhas de garantias de créditos”, afirma o ministro do Comércio, Indústria e Turismo da Colômbia, José Manuel Restrepo. “São linhas onde o Estado garante o crédito com subsídio de até 75% ao sistema financeiro. É uma estratégia que nos permitiu investir cerca de US$ 2 bilhões somente para micro, pequenas e médias empresas.”

Houve ainda a concessão de benefícios fiscais. “Tomamos a decisão de diferir o pagamento de impostos de IVA, imposto de renda, registros mercantis”, explica o ministro.

Para manter os empregos, a tática foi parecida com a adotada pelo governo brasileiro. “Concedemos subsídio que permite que o Estado pague por quatro meses até 40% do salário mínimo para empregados de empresas”, conta.

Ao todo, o governo da Colômbia adotou 170 medidas para mitigar os efeitos da pandemia.

O ministro do Comércio, Indústria e Turismo da Colômbia, José Manuel Restrepo, falou das medidas em webinar do JOTA realizado nesta terça-feira (4/8) que faz parte da série para discutir os impactos da pandemia na economia e na política.

Em 2019, a Colômbia era o país de seu porte que mais crescia na América Latina. No ano passado o país teve uma alta de 3,3% do produto interno bruto (PIB). “No primeiro trimestre do ano, mesmo com três semanas de isolamento, a Colômbia continuou sendo a economia do seu tamanho que mais cresceu na América Latina, 1,1%”, relata Restrepo.

Os impactos negativos trazidos pela pandemia já foram traduzidos em números. As exportações, que vinham em ritmo recorde, registram queda de mais de 30%. O mesmo ocorreu com o consumo, que tinha resultados positivos de pelo menos seis pontos acima de inflação. “Claro, houve uma queda, e a queda foi de dois dígitos para o setor do comércio, assim como na indústria”, diz o ministro. “Em abril o PIB da Colômbia caiu cerca de 20%.”

A Colômbia, nas palavras de Restrepo, começou um processo de reabertura das atividades gradual, progressivo e ordenado. “O reinício da atividade produtiva tem duas condições: responsabilidade empresarial, com o cumprimento de protocolos de segurança, e disciplina cidadã, usando máscaras e garantindo distanciamento”.

O ministro elogiou a transparência adotada pelo presidente Ivan Duque Márquez. “O presidente está, diariamente, conciliando, articulando cada um dos atores do governo ao redor da pandemia”, diz. “Faz isso em reuniões, mas também, em boa medida, em seu programa de televisão”, afirma, ressaltando que o programa é um “instrumento de transparência”.

Segundo Restrepo, o presidente “todos os dias conta ao país durante uma hora quais medidas foram tomadas, como estamos, como estão os gastos, quais dificuldades estamos tendo, como estamos solucionando”.

Para ele, “um dos êxitos na Colômbia é que aqui há transparência em tudo, nas cifras, nas políticas e nas ações”.