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Ministra Tereza Cristina: “próxima safra será maior do que a deste ano”

“Processos produtivos que vieram [na pandemia] vão ficar e vão melhorar”, afirma a ministra da Agricultura

Ministra da Agricultura, Tereza Cristina: “O agro hoje está no centro de tudo, e talvez a população brasileira tenha entendido a importância desse segmento para garantir o alimento”. Crédito: YouTube

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina (DEM-MS), afirma esperar uma nova safra recorde no ano que vem. “Temos assistido bem de perto o que estamos comprando de fertilizantes e sementes, e a gente tem certeza de que a próxima safra será maior do que essa”, diz. “Se a gente tiver o clima ajudando, teremos uma safra maior do que a deste ano.”

Segundo ela, o Brasil está em uma época virtuosa do agronegócio. “O Brasil é uma grande potência agroambiental. Nós vamos conseguir preservar e produzir, porque temos terra, água, energia e temos gente. Podemos ser mais competitivos”, afirma a ministra.

O senador Irajá (PSD-TO) compartilha do mesmo otimismo: “Possivelmente a agricultura e a pecuária devem dar um grande salto no PIB. Deveremos chegar na casa dos 30% de participação”.

Parte da maior competitividade do Brasil se deve à pandemia. “Estamos diante de uma das maiores oportunidades abertas ao agronegócio brasileiro”, avalia Alexandre Mendonça de Barros, sócio-consultor da MB Agro. “Isso se deve, em parte, a uma crise sanitária sem precedentes que os chineses estão vivendo em sua produção de proteína animal. O rebanho suíno, a principal carne consumida, caiu 45%.”

As avaliações foram feitas durante webinar que faz parte do ciclo JOTA/Paper%20Tereza%20site%2016/07/20" target="_blank" rel="noopener noreferrer">“Brasil pós pandemia”, promovido pelo JOTA e a Paper Excellence. O tema foi “a força do agronegócio na retomada da economia”.

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A percepção dos convidados é que o setor se fortaleceu durante a pandemia, do ponto de vista técnico e de prestígio. “Acho que os processos produtivos que vieram [na pandemia] vão ficar e vão melhorar daqui pra frente”, prevê a ministra Tereza Cristina. Mas ela alerta que avanços são necessários, especialmente com os pequenos e médios produtores. “Nós precisamos de assistência técnica, e de boa qualidade. Vemos que quando ela chega na ponta [nos pequenos e médios produtores] o retorno é imediato”, diz.

“Na minha leitura, duas coisas espetaculares vão acontecer no agronegócio por causa da Covid: a digitalização no campo e a organização do processo produtivo”, diz Mendonça de Barros. “Acho que a tecnologia digital permite uma multiplicação do conhecimento de uma maneira sem precedentes.”

Sobre os desafios que o setor terá a partir de agora, o consultor entende que eles serão principalmente no âmbito de reforço de elos com novos parceiros comerciais. “Se nós olharmos hoje, a Europa representa menos de 15% do que o agronegócio brasileiro exporta”, diz. “Ao mesmo tempo, ganhamos uma importância muito grande na Ásia e no Oriente Médio. A Europa continua importante, mas nem de perto se compara à China.”

Segundo Mendonça de Barros, a relação com a China e a Ásia é bem diferente. “Temos que construir estratégias em diferentes regiões. Me parece que a Europa vai ser destino de produtos tropicais que eles não conseguem produzir. No caso da Ásia, há uma clareza de déficit de produção”, avalia.

Com maior exposição, lembra Mendonça de Barros, também será preciso um preparo estratégico. “O comércio agrícola do Brasil é o maior do mundo, longe dos outros, bem longe dos outros quanto ao saldo”, diz. “Evidentemente, vamos ser questionados pelos países que competem com o Brasil”, alerta. “Estamos olhando para uma complexidade muito maior, e que exigirá um comprometimento da nossa estratégia de relacionamento internacional muito maior do que no passado”.

No Congresso, há projetos que são monitorados pelo agronegócio e que podem aumentar ainda mais a produção do setor. No Senado, a expectativa é que na volta dos trabalhos nas comissões, prevista para agosto, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) avalie o projeto de lei 2.963/2019, que facilita a aquisição de terras por estrangeiros. “Estamos com esse projeto criando normas regulatórias, criando limites”, afirma o autor do texto, senador Irajá. “Essas pessoas que virão para investir passarão a ser bons parceiros. Abre-se um novo ambiente, uma nova oportunidade de negócios aqui no país.”

Outro tema acompanhado de perto no agro é a regularização fundiária, que chegou a ter uma Medida Provisória, a 910/2019, cuja validade se encerrou em maio. Há um projeto de lei na Câmara, o 2633/2020, do deputado Zé Silva (Solidariedade-MG), que trata do mesmo assunto. “Não tendo um documento, as pessoas ficam inviabilizadas de poder pegar um financiamento para custeio, investimento”, lembra o senador Irajá. “E quando a gente não cria as condições para as pessoas terem o título dessas propriedades, os órgãos de controle ficam impossibilitados de exercer seu papel”, afirma.

“Acho que é fundamental [a regularização fundiária] para pacificar o nosso campo, para poder legalizar a situação das nossas famílias. E para reduzir as queimadas na Amazônia, que estão muito ligadas às terras sem propriedade”, diz o senador.

A ministra Tereza Cristina diz que a regularização é um pedido dos governadores do Norte. “Quando tivemos no ano passado as queimadas na Amazônia, fizemos duas visitas aos governadores do bioma amazônico”, lembra. “Qual foi o pedido de todos? Regularização fundiária. Então está na hora de o Brasil colocar o dedo na ferida e resolver a situação.”

Agro na pandemia

O Brasil deve fechar o ano com safra recorde, com mais de 245 milhões de toneladas colhidas, de acordo com levantamento do IBGE. “Nós trabalhamos muito [na pandemia]. Nossa missão, além de cuidar da agropecuária, é cuidar do abastecimento, que foi o tema central”, diz a ministra Tereza Cristina.

“Isso no meio da maior safra que tivemos. Então tivemos que nos reinventar naquele momento para que tudo acontecesse da melhor maneira possível, a colheita, a logística, o escoamento dessa safra”, lembra a ministra Tereza Cristina.

Segundo ela “o agro hoje está no centro de tudo, e talvez a população brasileira tenha entendido a importância desse segmento para garantir o alimento”.

Meio ambiente

Os três convidados do webinar avaliam que o debate sobre meio ambiente contém exageros. “90% dos produtores estão conforme a nossa legislação [de meio-ambiente], que é a mais rígida do mundo”, afirma a ministra Tereza Cristina. “O que precisamos fazer? Corrigir, fazer uma correção de rumo na fiscalização, mas principalmente divulgar o nosso Código Florestal, novas práticas de manejo sustentável”.

“Aprovamos o Novo Código Florestal em 2012 e é o mais rigoroso do mundo”, diz o senador Irajá. “Quando pegamos dados da Embrapa, a gente observa que o Brasil tem 67% da sua área de proteção preservada”, ressalta.

“Não tem nenhum outro país que consegue manter e preservar suas riquezas naturais como o Brasil”, destaca Irajá. “O Brasil é o único país do mundo que tem uma entidade chamada reserva legal, em que toda propriedade privada tem uma parcela da sua área preservada obrigatoriamente por lei”.

O consultor Alexandre Mendonça de Barros, da MB Agro, vai além: “está na hora de nós pacificarmos o agro e o meio ambiente, não há dicotomia entre essas duas coisas, há uma falsa dicotomia”.

Veja como foram os primeiros webinar da série:

Crise reforça necessidade de cooperação entre empregadores e empregados:

Interesse de investir continua graças à perspectiva de reformas e concessões:


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