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Márcia Cavallari: espaço para a antipolítica é menor nestas eleições

CEO do Ibope Inteligência afirma que devido à pandemia, eleitor está em busca de segurança

Casa JOTA com CEO do Ibope Inteligência, Márcia Cavallari / Crédito: Reprodução

Nestas eleições, o eleitor está priorizando a segurança — e consequentemente deixando a antipolítica de lado. Isto significa que o eleitorado procura rostos conhecidos, nomes de destaque e continuidade de gestões bem avaliadas. A avaliação foi apresentada ao JOTA pela CEO do Ibope Inteligência, Márcia Cavallari. Na entrevista, ela comentou, ainda, que a taxa de abstenção deste ano ainda é uma incógnita pelo fator pandemia, ressaltou o pragmatismo do eleitorado no pleito municipal, explicou detalhes de pesquisas. 

Na tarde desta sexta-feira (6/11), Márcia Cavallari foi a entrevistada da 5ª edição, do “GPS Eleitoral”, série especial de webinars sobre as eleições 2020. O debate contou com a presença de Fernando Mello, cientista político e sócio-diretor do JOTA, e de Daniel Marcelino, cientista de dados do JOTA. A mediação foi feita pelo analista-chefe do JOTA em São Paulo, Fábio Zambeli.

Márcia Cavallari acredita que, neste ano, há uma probabilidade menor de que outsiders da política saiam vencedores da corrida eleitoral. “O eleitor, nestas eleições, está votando mais na segurança. É, de fato, um fator muito importante nestas eleições, frente à insegurança pela pandemia e tudo que foi este ano. A busca por segurança está sendo maior”, explica.

De acordo com ela, de forma geral, prefeitos com saldo positivo de avaliação, ou seja, avaliação ótima e boa maior do que a soma de ruim e péssima, estão na frente ou disputando para ir para o segundo turno. Em um contexto em que a avaliação da gestão do prefeito não é boa, o caminho está mais aberto aos novatos.

“Quando os prefeitos estão mal avaliados, aí sim, nessa situação, tem um espaço maior para novos candidatos, mas mesmo assim a gente vê que candidatos mais conhecidos do eleitor estão mais presentes na disputa. Não posso dizer que não vá acontecer em lugar nenhum, pode ter gente desconhecia virando de última hora, sendo eleitos. Mas, via de regra, candidato conhecido, que conheça bem os problemas da cidade, segurança, que ofereça soluções factíveis está levando vantagem”, diz a CEO do Ibope Inteligência. 

A esfera municipal, lembra ela, é a mais próxima do eleitor, já que o dia a dia está na cidade. “Se a cidade funciona, o eleitor está buscando continuidade. Mesmo nos casos dos prefeitos que não podem concorrer porque já estão no segundo mandato, os candidatos deles estão levando vantagem”, diz. Ela cita, por exemplo, ACM Neto, prefeito atual que faz campanha ao vice, Bruno Reis, que lidera as pesquisas. 

O chamado voto útil deve ser decidido apenas nos dias finais da campanha. Com as alterações no processo eleitoral que a pandemia exigiu, o tempo de campanha foi reduzido e as energias dos cidadãos foram canalizadas justamente para a Covid-19. “Nesta campanha, a pandemia tomou muito da atenção do eleitor, que entrou tardiamente nas eleições. Antes, em julho já discutíamos essa questão. Agora, o próprio registro de candidaturas se deu em 26 de setembro, e só então começou a pensar-se em eleição, no começo de outubro, e, ainda sem muito engajamento das pessoas. A análise e decisão do eleitor vai se dar mais tardiamente.”

Ainda assim, ela ressalta que não se surpreenderia com resultados não previstos pelas pesquisas. Segundo ela, em eleições municipais, e, especialmente neste contexto de pandemia e menor tempo de campanha, as pesquisas são uma forma de contar a história da disputa e de indicar tendências. “Eleição municipal é que a tem maior probabilidade de mudança mais rápida. O universo da pesquisa é menor. Qualquer fato que acontece na cidade se espalha muito rapidamente. A pesquisa está ali para monitorar os momentos da campanha”, enfatiza. 

Márcia Cavallari cita, como exemplo, pesquisa feita em âmbito nacional, em outubro, indicando que 40% dos eleitores afirmaram decidir o voto nos últimos dias da campanha. Além disso, há aqueles que não sabem ainda se irão comparecer às urnas por receio de infecção pelo novo coronavírus.

“Temos monitorado a intenção de as pessoas irem votar numa situação de pandemia. A gente tem perguntado se ‘com certeza’, ‘talvez’ ou ‘não vai votar de jeito nenhum’. Não dá para dizer se essas pessoas que responderam talvez, não irão votar realmente. Mas tem uma média de 5% ou 6% de pessoas que já falam que não vão em função da pandemia”, afirma.

O ideal, sugere a CEO, é acompanhar as pesquisas que serão divulgadas na próxima semana, porque serão as últimas rodadas dos estudos antes do primeiro turno e devem mostrar resultados mais próximos dos das próprias eleições.

Quanto à influência do presidente da República no pleito, Márcia Cavallari considera que em eleições municipais o chefe do Executivo nacional tem pouca capacidade de mudar o cenário. “O eleitor é mais pragmático: quem vai resolver o meu problema do dia a dia aqui. Não vimos apoio de presidentes anteriores impactando em eleições locais”, avalia.


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