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WEBINAR DO JOTA

Luciano Huck: ‘a política brasileira precisa parar de olhar no retrovisor’

‘Sempre me fazem essa pergunta e é sempre a mesma resposta sabonete’, disse sobre uma candidatura à presidência

Luciano Huck
“Temos que fazer de tudo para defender a democracia, não podemos aceitar nenhum rompante autoritário". Crédito: YouTube

“Sempre me fazem essa pergunta e é sempre a mesma resposta sabonete”, disse o apresentador Luciano Huck ao ser questionado se pretende um dia se candidatar à Presidência. “Hoje não, hoje eu tenho meu trabalho, estou participando de movimentos cívicos. Tem que deixar as coisas acontecerem. Qualquer resposta para essa pergunta só assopra uma brasa que não beneficia o Brasil”, respondeu. Em relação a uma possível filiação partidária, disse “não, não, não, estou ancorado no que me comprometi a fazer desde o começo, o meu papel agora é como cidadão ativo”.

Huck participou do webinar do JOTA nesta quarta-feira (6/5) durante pouco mais de uma hora. Na política, ele avalia que é “preciso parar de olhar no retrovisor e tem que olhar para a frente, os que ficaram para trás não poderão nos ajudar mais”. Segundo ele, “a gente precisa de gente que coloque a mão na massa”.

Em nenhum momento citou o nome do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Nos momentos em que se referiu ao Executivo federal, disse sempre “governo”. Para ele, há um problema de liderança no país e temos instalada uma crise institucional.

“Temos que fazer de tudo para defender a democracia, não podemos aceitar nenhum rompante autoritário ou que desrespeite qualquer um dos Poderes instalados”, defendeu.

O apresentador saiu em defesa das Forças Armadas. “Muitas vezes as pessoas tentam dragar as Forças Armadas como se pactuassem com qualquer rompante autoritário, isso não é verdade”, disse. “Conheço bastante gente nas três Forças e tenho bastante segurança que hoje a enorme maioria dos militares no Brasil são defensores da democracia”.

Sobre a polarização no país, Huck entende que “é muito fácil gerar militância nos extremos, porque é só você atacar o outro lado, é um discurso muito simplório”. Para ele, é preciso gerar a “militância do bem radical, com as pessoas que querem o bem da nação, não o mal do outro”.

Huck considera desnecessários todos os movimentos políticos que aconteceram durante a pandemia, mas não citou nenhum exemplo específico. “A gente tinha que ter o país 100% focado no combate à pandemia, no combate às consequências imediatas dela”.

Ao falar de pontos positivos do governo, citou dois ministros: “esse governo tem mérito com a Tereza Cristina (ministra da Agricultura) e com o Tarcísio Gomes de Freitas (ministro da Infraestrutura), acho que são dois nomes sérios que estão ali tentando fazer o melhor que eles podem”.

Em relação à postura que vem adotando na pandemia, afirmou que decidiu ancorar sua participação na articulação dos movimentos de solidariedade. Antes de elencar as ações das quais vem participando, lembrou qual foi a motivação para ter uma postura mais ativa. “Estou nos últimos 20 anos viajando e tive a chance de ter a visão do país de forma muito ampla”, disse. “Comecei a viver um pouco o dia a dia do país em recortes muito heterogêneo, comecei a ver as coisas muito de perto. Isso me trouxe um incômodo de ineficiência”.

Huck disse que criou uma rede de conexões, principalmente nas favelas, e percebeu que “a fome estava correndo muito mais rápida do que o vírus”. No pós-crise, o apresentador espera que a sociedade saia mais fraterna, mais solidária.

Webinars

A conversa com Luciano Huck fez parte da série de webinars diários que o JOTA está realizando, durante a pandemia da Covid-19, para discutir os efeitos na política, na economia e nas instituições. Todos os dias, tomadores de decisão e especialistas são convidados a refletir sobre algum aspecto da crise.

Entre os convidados, já participaram do webinar estão o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro, o presidente do STF, Dias Toffoli, o ministro Gilmar Mendes, o ministro Luís Roberto Barroso, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), a presidente da CCJ do Senado, Simone Tebet (MDB-MS), o presidente da Comissão de Agricultura da Câmara, Fausto Pinato (PP-SP), o economista e presidente do Insper, Marcos Lisboa; além de representantes de instituições como a Frente Nacional de Prefeitos, a Confederação Nacional das Indústrias e a Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho.

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