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Debêntures incentivadas, ligadas à infraestrutura, ganham força com juros baixos

Com Selic a 2,25%, investidores buscam diversidade em aportes para terem retornos mais rentáveis

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Rogério Santana, diretor de relacionamento com clientes da B3: “O mercado de capitais passa por um momento, nesse ambiente de taxas de juros baixa, com investidores numa quantidade significativa buscando a diversificação de seus portfólios, novas alternativas de investimento”. Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A busca por investimentos tem como fatores preponderantes o retorno, o risco e os custos com tributação. No atual contexto, com taxa básica de juros (Selic) no menor nível da história, a 2,25% ao ano, há uma procura pela diversidade na carteira de investimentos, destaca Rogério Santana, diretor de relacionamento com clientes da B3. “O mercado de capitais passa por um momento, nesse ambiente de taxas de juros baixa, com investidores numa quantidade significativa buscando a diversificação de seus portfólios, novas alternativas de investimento”.

Um dos ativos com maior atratividade são as debêntures incentivadas, que são isentas da cobrança de Imposto de Renda. “Um instrumento específico do setor de infraestrutura, que são as debêntures de infraestrutura, que oferecem isenções e incentivos para os seus detentores se forem investidores de varejo, tem ganhado bastante relevância no financiamento desse setor”, ressalta Santana.

O setor de infraestrutura, antes dependente do BNDES e de capital externo, hoje tem à disposição diversas alternativas. “São muitas as necessidades de infraestrutura e o mercado de capitais em seus diversos bolsos, seja ele crédito privado, direto em bancos, ou em assets, ou direto com distribuição de pessoas físicas, teve uma boa evolução da legislação” diz Arthur Piotto, ex-diretor da CCR. “Hoje existe um enorme potencial de financiamento do setor privado nesses novos projetos”, destaca. “Acredito que o mercado interno tenha um estoque suficiente para financiar uma gama grande de projetos”, completa.

O debate sobre “funding, mercado de dívida e mercado de ações” foi nesta quinta-feira (23/9). A conversa foi durante o 9º e último webinar do ciclo “Infraestrutura, Regulação e Investimentos”, realizado pelo JOTA e a CCR.

Antes de falar da situação atual do setor de infraestrutura, Piotto fez um retrospecto. “Antigamente, tínhamos como fonte de financiamento aqui no Brasil o BNDES apenas, combinado com outros bancos de fomentos localizados nos Estados Unidos, o BID e o IFC”, lembra. “O financiamento vinha em dólar e era preciso traçar uma estratégia dentro do plano de negócios de que o projeto teria que fazer frente a esse risco cambial”, conta Piotto. “Com o passar do tempo, vimos uma evolução muito favorável do cenário macroeconômico, as taxas de juros caíram e começamos a ver a participação de bancos privados, juntamente com o BNDES”, diz. “Essas agências de fomento no exterior foram perdendo sua relevância”.

“Com as quedas das taxas de juros houve um movimento mais acentuado, mais forte nessa direção, a tal ponto em que alguns projetos a participação do BNDES começou a ser questionada se fariam ou não sentido”, diz o ex-diretor da CCR. “Com a continuidade disso, passamos a ver fundos com interesse de participar dessas operações. Mais tarde, vimos os lançamentos dos papéis incentivados, e isso abriu um cenário novo para os investidores pessoas físicas”.

O diretor de relacionamento com clientes da B3, Rogerio Santana, elenca as possibilidades disponíveis hoje para captação de recursos para infraestrutura: “Temos, via mercado de capitais, as opções de emissão de dívida, pelas debêntures, por exemplo, ou mesmo o mercado acionário, com a chegada de novas empresas que precisam captar recursos”. Ele destaca também as “empresas do setor de infraestrutura que já estejam listadas no mercado de bolsa e que queiram captar novos recursos para fazer novos projetos, novos investimentos”.

Recentemente, a bolsa passou a admitir a negociação fundos de investimento em infraestrutura. “Esses fundos, basicamente, são veículos geridos por instituições do mercado, cuja vocação é investir em papéis do setor de infraestrutura, basicamente as debêntures”, explica Santana. “Ao ter esses fundos listados em bolsa, esses gestores têm maior liberdade para escolher os papéis onde farão o investimento”, diz. “Quando você tem um fundo listado e o cotista quer se desfazer daquele investimento, em vez de ele resgatar, ele vende, como se estivesse vendendo qualquer outro título de mercado”, destaca. “É um pequeno ajuste em nossas regras, mas que provavelmente terá um impacto de médio e longo prazo de ter um ecossistema para negociação de ativos de infraestrutura mais eficiente e adequado aos riscos e características do setor”.

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Além disso, os fundos soberanos, compostos por reservas internacionais e administrados por governos federais, também devem ajudar a financiar o setor aqui no Brasil. “Vejo o cenário com uma evolução crescente de fundos soberanos porque lá fora os juros têm sido negativos”, avalia Arthur Piotto. “Esses fundos têm uma vocação de longo prazo e, de certo modo, tem um papel quase de fundo de pensão, que tem obrigação de retorno também no longo prazo”.

Em janeiro, o leilão em São Paulo do lote rodoviário Piracicaba-Panorama, conhecido como PiPa, foi vencido por um consórcio que tem como um dos integrantes o Fundo Soberano de Singapura.