Casa JOTA

ELEIÇÕES 2020

Marqueteiros de Covas e Russomano apostam em integração de TV, rádio e redes sociais

Ao JOTA, Felipe Soutello e Elsinho Mouco concordaram sobre a importância de uma comunicação integrada nestas eleições

eleições municipais 2020 Covas e Russomano
Urnas eletrônicas / Foto: Roberto Jayme/Ascom/TSE

As campanhas eleitorais que conseguirem combinar de forma inteligente as diversas plataformas de comunicação que existem hoje terão vantagem nas eleições municipais deste ano. Essa é a aposta de Felipe Soutello, marqueteiro da campanha de Bruno Covas (PSDB), e Elsinho Mouco, marqueteiro da campanha de Celso Russomano (Republicanos).

Em depoimento enviado ao JOTA nesta sexta-feira (9/10), Soutello e Mouco, que são adversários na corrida eleitoral, convergem sobre a melhor estratégia para a campanha, que desta vez enfrenta diversas limitações de circulação devido a pandemia da Covid-19.

A participação dos marqueteiros ocorreu em webinar realizado pela Casa JOTA sobre os efeitos do tempo de TV e das redes na caça aos votos e as iniciativas de combate à desinformação. O webinar faz parte do “GPS Eleitoral”, uma jornada especial de cobertura das eleições 2020. O foco é conectar as campanhas municipais com temas de alcance nacional que impactam a previsibilidade do cenário político rumo a 2022.

Neste primeiro debate, além de Soutello e Mouc, participaram Fábio Bernardi, publicitário e especialista em marketing político, Priscylla Ferreira, consultora em marketing político digital, e Thiago Rondon, coordenador digital de combate à desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

“Nessa eleição especificamente teremos uma importância grande de integração dos meios de comunicação. Quem souber combinar melhor esses mecanismos, criar interdependência desses meios de comunicação, terá uma vantagem”, afirmou Soutello.

Segundo o marqueteiro, a estratégia específica de Bruno Covas, que busca a reeleição, será fazer um trabalho grande de informação do mandato. “Evidentemente, a prefeitura não pode fazer uma divulgação das obras que realizou por causa da pandemia. Então a campanha é o momento de mostrar a obra do prefeito na cidade de São Paulo”, diz.

Para Mouco, a grande jogada será conseguir uma união entre os nativos digitais e os imigrantes digitais. “Quem conseguir somar esses dois times, o on e o offline, vai conseguir fazer o melhor trabalho. Então, para dizer rapidamente, o protagonismo da televisão volta”, avalia.

Para o marqueteiro de Russomano, outro destaque da candidatura está no fato de o candidato se apresentar dessa vez com um padrinho — no caso, o atual presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

“Ele nunca teve [um padrinho]. Sai da pessoa física e vem para a pessoa jurídica. Acho que será uma eleição de três padrinhos: Lula, Doria e Bolsonaro estarão na campanha mais importante do país, que é a de São Paulo”, afirma Mouco.

Fake News

De acordo com o coordenador digital de combate à desinformação do TSE, Thiago Rondon, a desinformação em massa é a principal preocupação para o pleito deste ano. “O TSE vem combatendo a desinformação de forma sistêmica. São mais de 60 parceiros, entre operadoras móveis, partidos políticas, agências de checagem e plataformas”, afirma Rondon.

Para ele, como a desinformação é complexa, ela precisa ser combatida de diversas formas. “Um dos problemas que enfrentamos é o de infraestrutura. O Brasil tem acesso à internet muito limitado. O que isso significa: muitos brasileiros acessam internet pelo que chamamos de zero rating, que não precisa de dados móveis para acessar alguns aplicativos”, explica. “No WhatsApp, por exemplo, muitos conseguem usar, mas, quando recebem o link com uma notícia, não conseguem acessar. Realizamos, então, uma parceria com as operadoras de dados que, durante o processo eleitoral, todos os brasileiros não terão que ter um plano de dados para acessar informações sobre a Justiça Eleitoral.”

Segundo Rondon, o mais perigoso processo de desinformação acontece quando é articulado em perfis não autênticos ou quando há financiamento para realizar desinformação em massa. “O que estamos procurando é fazer uma chuva de informação, para informar melhor o eleitor e ele esteja imune da desinformação”.

Nesse sentido, o papel do eleitor é fundamental: “Todo mundo tem uma responsabilidade de orientar seus amigos, familiares, com informações precisas e esclarecedoras. Essa é uma das maneiras mais eficientes de ajudar”, diz.

Campanha na TV

Fábio Bernardi, publicitário e especialista em marketing político, e Priscylla Ferreira, consultora em marketing político digital, também apostam na convergência de meios de comunicação para as campanhas eleitorais deste ano.

“Pela pandemia, este ano não é um ano que pode ser comparado com 2018. O que a gente vai ter para a frente, na minha opinião, é que houve um crescimento das redes sociais, mas isso não é em detrimento da TV. É uma soma. A TV, a rádio e as redes sociais vão conviver com grande grau de influência e importância para as eleições nos próximos anos”, disse Bernardi.

Para ele, para chegar no coração dos eleitores, é preciso somar qualidade técnica com criatividade. “Mas criatividade sem estratégia, sem posicionamento, sem conteúdo, sem uma dose racional, é só purpurina. Enquanto que a estratégia sem criatividade, sem beleza, acaba ficando uma conversa chata”, afirmou.

Segundo Ferreira, o processo mais difícil é fazer uma estratégia em conjunto com toda comunicação da campanha eleitoral. “É mais unir, do que dividir”, disse, acrescentando que “o maior desafio é o convencimento, por parte da equipe e candidatos, de que a internet pode ser usada com sabedoria”.

“O conteúdo é macro, mas como vou distribuir, dialogar e traduzir esse conteúdo em cada veículo é diferente”, sustentou.


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