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Alckmin: ‘o PSDB está correto. Não tem que discutir, neste momento, impeachment’

Para ex-governador de São Paulo, é preciso aguardar resultado de investigações sobre interferência política na PF

Alckmin
Para Alckmin, não existe disputa entre saúde e economia porque, nas palavras dele, “elas andam juntas”. Crédito: Wilson Dias/Agência Brasil

O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) prega cuidado e humildade para lidar com o coronavírus e lamenta que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não esteja liderando o enfrentamento à crise. O tucano também avalia ser lamentável que nas atuais circunstâncias ainda se crie uma instabilidade política, pois o foco deveria ser total na saúde pública. Em relação às denúncias feitas pelo ex-ministro Sergio Moro, de que Bolsonaro queria interferir na Polícia Federal de forma política, Alckmin defendeu que haja investigações.

Segundo ele, seu partido, o PSDB, faz bem ao, por enquanto, não defender o impeachment. “O PSDB está correto, não tem que discutir, neste momento, impeachment. Primeiro tem que investigar, e os fatos vão nortear essa decisão”, disse durante webinar do JOTA nesta segunda-feira (11/5).

Ao ser questionado sobre Sergio Moro, disse que há duas questões. “Ele não poderia ter entrado [no governo] e também não poderia ter sido tirado do jeito como foi”, avaliou. “Como pode um juiz de Direito que agiu indiretamente na eleição aceitar fazer parte do governo que ganhou? Isso é inconcebível do ponto de vista ético”, destacou o ex-governador de São Paulo. “Ele também não poderia ter sido tirado do jeito que foi. Óbvio que foi tirado porque o presidente queria interferir na Polícia Federal”.

Ao falar sobre a crise de saúde pública que o país enfrenta, Alckmin disse lamentar “que o presidente da República não lidere esse momento”. Segundo ele, o presidente tem oportunidade para corrigir os rumos do governo, mas fica preocupado com o comunismo. “Precisa contar para ele que o muro de Berlim caiu”.

Sobre o coronavírus, Alckmin lembra que há muitas dúvidas sobre suas características e que por isso é necessário ter cuidado. “Sempre se ouviu que o vírus gosta de tempo frio e seco, mas se fosse assim não devíamos ter sua disseminação na Amazônia”, disse.

Para Alckmin, não existe disputa entre saúde e economia porque, nas palavras dele, “elas andam juntas”.

No pós-crise, o tucano avalia que o agronegócio vai fazer a diferença e que o setor é hoje o motor exportador do país. “Também acho que a infraestrutura vai ser importante, porque construção civil gera muito emprego”.

Alckmin também afirmou que não pretende disputar as eleições municipais neste ano. “Não serei candidato, está fora de questão, vou apoiar o Bruno Covas [prefeito de São Paulo]”, disse.

Em relação ao futuro, deixou as possibilidades abertas, sem dar pistas do que pretende fazer. “Na vida pública é o povo que manda, são as circunstâncias, o momento”, destacou. “Você precisa estar preparado para servir a população. Fico triste hoje de ver a política servindo aos políticos. O entusiasmo na vida pública é permanente”.

Webinars

A conversa com Geraldo Alckmin fez parte da série de webinars diários que o JOTA está realizando, durante a pandemia da Covid-19, para discutir os efeitos na política, na economia e nas instituições. Todos os dias, tomadores de decisão e especialistas são convidados a refletir sobre algum aspecto da crise.

Entre os convidados, já participaram do webinar estão o apresentador e empresário Luciano Huck, o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro, o presidente do STF, Dias Toffoli, o ministro Gilmar Mendes, o ministro Luís Roberto Barroso, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), a presidente da CCJ do Senado, Simone Tebet (MDB-MS), o presidente da Comissão de Agricultura da Câmara, Fausto Pinato (PP-SP), o economista e presidente do Insper, Marcos Lisboa; além de representantes de instituições como a Frente Nacional de Prefeitos, a Confederação Nacional das Indústrias e a Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho.

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