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Afif: ‘sem abertura controlada, haverá abertura descontrolada, com desobediência’

Assessor especial do Ministério da Economia disse ainda que o Orçamento do Estado não suporta economia parada

Afif
Guilherme Afif: “A economia vai demorar muito mais do que um ano para começar a embalar de novo tal o grau de paralisação”. Crédito: Elza Fiúza/Agência Brasil

Na lista de auxílios ao setor privado, os microempreendedores, com faturamento anual entre R$ 80 mil e R$ 360 mil, ficaram em último na fila e, até o momento, não tiveram assistência nenhuma. Eles representam mais de 70% do universo empresarial e serão socorridos a partir da semana que vem. “Temos 3,2 milhões de microempresas que estão em dia com os impostos, então está na hora da reciprocidade”, diz Guilherme Afif, assessor especial do Ministério da Economia.

O valor do auxílio seguirá a seguinte fórmula: 30% do valor do faturamento anual da empresa divido por 12 e multiplicado pelo número de meses da paralisação. “Será uma linha de crédito com oito meses de carência e um prazo de 36 meses para pagamento depois do processo. A taxa de juros não poderá ser superior a 7% ao ano”, explica Afif. O Tesouro vai dar 85% da garantia do crédito. “Vamos irrigar o pequeno empresário a partir da semana que vem para ele ter um oxigênio de sobrevivência”, diz. “Temos que dar socorro para essa travessia”.

O crédito deve ajudar grande parte dos lojistas de shoppings. “O setor é formado por micro e pequeno empreendedores, e até agora não chegou para esses lojistas nenhuma ajuda financeira”, lembra o vice-presidente institucional da Multiplan, Vander Giordano. “Continuamos fechados e não há muito fôlego para continuar”, revelou. “A maior parte dos shoppings está fechada há cerca de 60 dias. Estimamos que as perdas no setor já estão em R$ 25 bilhões”.

Guilherme Afif e Vander Giordano participaram de webinar do JOTA nesta quarta-feira (13/5) para discutir estratégias de saída da crise.

O grupo Multiplan tem 19 shoppings e no momento somente um deles está aberto, o de Canoas, no Rio Grande do Sul. “O tempo médio de fluxo do frequentado do shopping de Canoas era de 35 minutos e agora é de 11 ou 12 minutos. A pessoa compra e vai embora”, destacou Giordano, ao defender a reabertura dos centros de compra.

Afif concorda, e diz que não vai haver uma corrida aos shoppings em caso de reabertura porque a população está com medo. “Se você não promover uma abertura controlada, vai haver uma abertura descontrolada em forma de desobediência”, alerta. “Vamos ver se no dia 31 de maio conseguimos distensionar, criar os grupos necessários de preservação e o resto voltar ao trabalho com todo cuidado”.

“Precisamos girar a economia para gerar recursos para a saúde”, afirma Giordano. Pensando na volta, o setor de shoppings elaborou um protocolo de segurança para a reabertura. São 23 medidas no estágio inicial, incluindo distanciamento, controle de fluxo de pessoas, e horário de funcionamento entre 12h e 20h.

Para Afif, quem vai arcar com o aumento de gastos no combate a pandemia é a iniciativa privada, com o pagamento de impostos. Segundo ele, não cabe no Orçamento do Estado a economia parada.“Temos que buscar a curva de Laffer, diminuindo impostos para aumentar a arrecadação”, defendeu. Por isso, considera essencial reformas estruturais. “A economia vai demorar muito mais do que um ano para começar a embalar de novo tal o grau de paralisação”.

E como ficam os shoppings no pós-crise? Vander Giordano avalia que “o senso de liberdade vai ficar como uma boa lição [da pandemia] e os shoppings vão continuar sendo ambientes onde as pessoas podem se encontrar”.

Webinars

A conversa com Guilherme Afif e Vander Giordano faz parte da série de webinars diários que o JOTA está realizando para discutir os efeitos da pandemia na política, na economia e nas instituições. Todos os dias, tomadores de decisão e especialistas são convidados a refletir sobre algum aspecto da crise.

Entre os convidados, já participaram do webinar estão o apresentador e empresário Luciano Huck, o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro, o presidente do STF, Dias Toffoli, o ministro Gilmar Mendes, o ministro Luís Roberto Barroso, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), a presidente da CCJ do Senado, Simone Tebet (MDB-MS), o presidente da Comissão de Agricultura da Câmara, Fausto Pinato (PP-SP), o economista e presidente do Insper, Marcos Lisboa; além de representantes de instituições como a Frente Nacional de Prefeitos, a Confederação Nacional das Indústrias e a Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho.

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