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Adolfo Sachsida: Bolsonaro usou ‘jargão popular’ ao falar em “país quebrado”

Sobre a agenda para 2021, secretário considera a PEC Emergencial a mais relevante do ponto de vista fiscal

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Adolfo Sachsida, secretário de política econômica do Ministério da Economia. Crédito: Anderson Riedel/PR

O secretário de política econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, afirmou ao JOTA que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) usou um “jargão popular” ao dizer que “o país está quebrado”. Na terça-feira (5/1), Bolsonaro foi indagado por um apoiador sobre o reajuste na tabela de Imposto de Renda e respondeu: “O Brasil está quebrado, chefe. Eu não consigo fazer nada. Eu queria mexer na tabela do Imposto de Renda, tá, teve esse vírus, potencializado pela mídia que nós temos, essa mídia sem caráter”.

Questionado sobre a fala, Sachsida disse em webinar do JOTA realizado nesta sexta-feira (8/1) que o presidente apenas justificou a impossibilidade de um benefício tributário. “Acredito que a fala do presidente foi apenas um jargão popular que ele usou para endereçar o problema”, pontuou. “Sejamos francos, todos nós temos conhecimento desse problema e se refere à situação delicada da economia brasileira.”

Em novembro, o secretário disse considerar baixa a probabilidade de uma segunda onda da pandemia aqui no Brasil porque, em sua avaliação à época, os estados estavam próximos de atingir a chamada imunidade de rebanho. No webinar, antes de responder a uma pergunta sobre possíveis ações caso a pandemia continue com alta taxa de contágio, Sachsida fez um reparo:

“Quero aproveitar a pergunta para me desculpar, eu não deveria ter me pronunciado sobre a segunda onda, não é a área da SPE. É uma questão epidemiológica e não faz sentido eu me pronunciar sobre isso. Foi um erro meu ter falado sobre segunda onda”, avaliou.

Sachsida reafirmou que não há chances de retomada do auxílio emergencial, encerrado em 31 de dezembro, e revelou que considera a PEC Emergencial a medida estruturante mais importante do ponto de vista fiscal.

Veja a relação dos principais temas abordados durante o webinar:

Auxílio emergencial

“Havia um clamor muito grande, de vários setores da sociedade, pela prorrogação do auxílio emergencial, algo que lhe dava muita popularidade. Ele [Bolsonaro] foi lá e vetou. […] Uma série de programas emergenciais foram feitos para combater a pandemia. Agora, precisamos focar nos programas estruturais, e o Congresso Nacional tem sido um grande parceiro. Nas questões associadas à economia, acho que é o momento agora dos grandes debates estruturais. Me parece que a melhor maneira de ajudar a população brasileira hoje é avançar na agenda estrutural”

Agendas prioritárias

“Do lado fiscal, na minha opinião, a prioridade é a PEC Emergencial. Como eu disse, esse ano é o ano para consolidar o compromisso fiscal. A reforma administrativa está andando. ‘Ah, mas não está votando’, mas o fato de não estar votando não quer dizer que não esteja avançando. Na agenda de produtividade, [os projetos mais importantes] são os marcos legais. Por exemplo, a modernização do setor elétrico, as PPPs, o regime de autorização para ferrovias. Então temos uma robusta agenda de marcos legais que podem ajudar muito”.

O secretário demonstrou otimismo em relação à privatização da Eletrobras: “A Eletrobras teve um grande avanço no governo Temer. Acredito que agora, em 2021, temos boas expectativas de que a questão da Eletrobras vai se desenrolar”.

Reforma Tributária

“Como você constrói consenso nessas reformas? Passo a passo.
Na minha opinião, o ponto de partida deveria ser a unificação de PIS e Cofins. Se você consegue juntar PIS e Cofins, você está dando aos estados uma grande amostra das vantagens de fazer um IVA”

Vacina e volta do isolamento social

Sachsida se limitou a dizer que não vai faltar dinheiro para vacinação.

Também afirmou que a Secretaria de Política Econômica não tem nenhum índice quanto ao porcentual mínimo de vacinação necessário para a retomada de determinados setores.

Já com relação à volta do isolamento mais rígidos em algumas cidades, como Belo Horizonte, sua avaliação é que as medidas restritivas, por ora, não vêm trazendo impactos na economia do país. “Do ponto de vista de previsões, no momento, esse aumento de distanciamento social isolado em algumas capitais não afetou as previsões. Até o momento não houve grandes efeitos”, disse.

No entanto, fez um alerta quanto aos impactos de isolamentos mais rígidos. “Se o nível de isolamento social no Brasil chegar a valores de maio de 2020, a conta que nós tínhamos à época era de R$ 20 bilhões por semana [de custo]”, destacou.

Sachsida: projeções para 2021

Ao longo de todo o webinar, Sachsida frisou diversas vezes a importância da retomada da busca do equilíbrio fiscal neste ano. “Acho que a grande tarefa do governo federal em 2021 vai ser manter as finanças sob controle”, afirmou.

“A longo prazo, o grande problema do Brasil é produtividade. E como pretendemos fazer isso? Melhorando os marcos legais. Aí, quero agradecer ao Congresso, que junto com o governo federal, deu grandes passos ao longo da pandemia. O Congresso aprovou a Nova Lei de Licitações, a Nova Lei de Falências, a BR do Mar foi aprovada na Câmara. A melhoria do ambiente de negócios vai aumentar os investimentos na economia brasileira. Junto, temos em 2021, a agenda de concessões de reformas econômicas. Então é uma agenda microeconômicas para melhorar a produtividade e uma agenda macroeconômica para garantir a consolidação fiscal da economia brasileira. Por isso, temos a segurança de a economia brasileira vai crescer acima de 3% em 2021”.