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“Advogado corporativo deve ter interesse genuíno por negócios”

Oportunidades na carreira estão crescendo, segundo Flávio Franco, diretor jurídico da Netshoes

Flavio Franco Crédito: Divulgação

No saturado mercado de trabalho dos profissionais do Direito, encontrar um nicho que absorve cada vez mais profissionais representa um tremendo alento. Pois essa é a realidade dos advogados corporativos, segundo Flávio Franco, diretor jurídico da Netshoes e coordenador de um curso pioneiro de educação executiva para profissionais de departamentos jurídicos no Insper, em São Paulo.

O papel do jurídico nas empresas está crescendo, segundo Franco, por uma série de fatores. Em primeiro lugar, porque os negócios estão cada vez mais regulados, a exemplo do e-commerce. Em segundo, porque o compliance é uma prática que veio para ficar nas companhias e sua implantação passa pelo time interno de advogados. Em terceiro, porque as empresas estão começando a valorizar o jurídico como parceiro nas estratégias comerciais.

A participação maior dos advogados no dia a dia das empresas caminhou nos últimos anos em sintonia com uma mudança no perfil dos profissionais. “Por muito tempo, o jurídico foi visto como um departamento que servia para atrapalhar. Os gestores mais modernos estão mostrando para as empresas que os advogados estão ali para ajudar a viabilizar negócios”, diz Franco. “Há um caminho longo a percorrer. A gente ainda se depara muito com um perfil jurídico da década de 80, do advogado que se veste diferente das outras pessoas da empresa, que fala diferente, que usa latim. Mas o momento é de oportunidade para transformar essa realidade”, avalia o diretor.

Para ser um bom advogado corporativo, segundo Franco, o profissional precisa “ter interesse genuíno por negócios e gostar mais de gente que de papel, porque, nas empresas, o Direito é instrumento”.

Por isso, no curso do Insper, leis e doutrinas são as coisas de que menos se fala. Nas aulas, diretores jurídicos experientes falam das competências exigidas do executivo da área, como capacidade de comunicação, liderança, conhecimento de contabilidade (“tem que saber provisionar”) e relações governamentais e muita gestão – de pessoas, projetos, rotina, crise e de escritório externo (como definir quem contratar, como medir as entregas).

“Comunicação é importante, por exemplo, para construir parcerias dentro e fora da empresa. Os outros executivos têm de me ver como viabilizador de negócios e isso não se conquista com decreto”, explica Franco. “A contratação de escritórios externos também tem suas peculiaridades. Eu não vou contratar um cara porque ele me mandou um folder bonito ou me adicionou no LinkedIn. Não vou contratar o cara que joga golfe comigo. O mercado é muito exigente. Os gestores querem escritórios que conheçam e agreguem valor ao negócio.”

Desde 2015, já houve duas edições do curso, de 42 horas, divididos em dois meses e meio de aulas. Duas novas turmas estão contratadas para 2017. Não são aceitos advogados de escritórios, apenas os que já trabalham em empresas. “É um público de gestores ou coordenadores, já qualificados, para suprir uma carência de formação do mercado.”

Entre os professores, estão, além de Franco, outros nomes importantes da área, como Luciana Freire, Gianfranco Cinelli, Gustavo Biagioli, Luciano Malara, Frederico Andrade, Amira Chammas e Elias M. Neto.

Segundo Franco, as escolas de Direito hoje formam apenas litigantes. “Não se fala de gestão, nem do próprio escritório, muito menos de um departamento jurídico. Pretendemos ter um curso de pós graduação para gestores jurídicos e, no futuro, espero que isso seja uma disciplina na graduação.”

 


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