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Diário de Carreira: coordenador de contencioso cível

O faturamento de honorários advocatícios é um trabalho complexo que exige a análise dos contratos

Crédito: Pexels

Conheci a advocacia por meio do meu tio (Sérgio Baptista de Oliveira) que era advogado. Ele tinha um escritório em São Paulo e atuava nas áreas cível e trabalhista. Agora ele exerce outra atividade profissional, mas por opção pessoal e conveniência. À primeira vista, quando eu ainda era criança – e, nesta condição, não tinha uma compreensão maior/melhor do mundo – confesso que o que mais me chamou a atenção foi quando participamos do open office do meu tio.

Na ocasião, lembro de ter me impressionado com o lugar bonito, computadores (que na época eram novidades), doutrinas (que, para mim, naquele momento, eram apenas grandes livros) e todo o ambiente. Acho que essa boa impressão foi determinante para a minha escolha profissional. Depois, com o passar do tempo, percebi um outro lado da profissão – que é o essencial – o de ajudar as pessoas a resolverem os seus problemas e/ou conquistarem melhores condições. Vivenciar o sucesso do meu tio em alguns processos, especialmente em ações trabalhistas, despertou em mim uma empatia muito forte pela carreira e, então, desde antes de iniciar o segundo grau de ensino, eu já tinha definido que seria um Advogado.

Os meus pais, com muito amor e esforço, me proporcionaram a oportunidade de frequentar boas escolas, de modo que pude investir bastante nos estudos e, assim, ser aprovado no primeiro vestibular que prestei, o da Faculdade de Direito de Franca. Como eu morava em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, e tinha a intenção de fazer bons estágios, me dispus a viajar todos os dias até a cidade de Franca (SP) e voltar depois das aulas, percorrendo cerca de 200km por dia, com ônibus fretado. Foi uma rotina dura, mas que me disciplinou a ter resiliência e a batalhar pelos meus sonhos.

Durante o curso, me dediquei aos estágios em épocas diferentes na Justiça Federal, no Banco do Brasil, no Ministério Público Federal (MPF) e na Defensoria Pública. Essas experiências foram fundamentais para a minha formação, de modo que pude conhecer e experimentar diversas rotinas de trabalho e ambientes, desenvolvendo, então, múltiplas habilidades. Na Justiça Federal aprendi todo o trâmite cartorário, no banco conheci o serviço terceirizado das assessorias jurídicas, no MPF tive experiência na área criminal e, por fim, na Defensoria Pública, tive contato direto com a advocacia. Depois disso, concluí o curso de Direito e me credenciei na Ordem dos Advogados do Brasil.

Atualmente, sou associado do escritório Tortoro Madureira e Ragazzi, exercendo a função de Coordenador de Contencioso Cível, em São Paulo. A minha equipe conta com 8 advogados e 4 estagiários e atendemos uma ampla gama de clientes e ações cíveis.

Segunda-feira

Começo o meu dia às 5h30, quando acordo. Preparo o meu café da manhã, pratico 10 minutos de meditação, faço a leitura de algum livro que me proporcione motivação e pensamentos positivos e me arrumo para ir para o escritório. Gosto de chegar cedo, por costume e opção pessoal, mas também porque o cargo de coordenação exige que eu confira, organize e facilite o trabalho dos colaboradores da equipe.

Considero o período da manhã ideal para fazer isso e estou na minha mesa entre 7h30 e 8h. Invariavelmente, reviso o atendimento dos prazos e audiências do dia anterior e projeto os compromissos que teremos no dia. A tecnologia me ajuda muito nessa tarefa, trabalhamos com um sistema de acompanhamento processual excelente, que contém uma ferramenta de agenda.

Então, exporto para o Excel todas as informações, consigo organizar tudo e circular para o meu time. Resumidamente, obtenho a agenda de prazos e audiências de toda a equipe, faço uma conferência e disponibilizo os dados por e-mail. Depois de finalizar essa etapa, estive à frente de uma missão muito importante, a de organizar o faturamento de honorários advocatícios de cinco dos nossos clientes.

É um trabalho complexo que exige a análise de cada um dos nossos contratos, bem como da nossa base de processos e performance durante o mês, para calcular os honorários advocatícios contratuais de maneira acertada e justa. Este trabalho envolveu um nível de atenção muito alto (haja vista termos hoje cerca de 1.800 processos na carteira), ocupando praticamente toda a minha agenda.

Obviamente que, durante a atividade, precisei realizar algumas outras tarefas, como atender alguns telefonemas de clientes e conversar com os colaboradores para fins de orientações e organização. Tudo ocorreu bem, encerrei o meu expediente às 19h, quando fui para a academia, haja vista que sou adepto ao fitness style. Terminei de treinar por volta das 20h30, fiz uma refeição e, por hábito, estudei durante 40 minutos, tendo escolhido o Direito Constitucional como leitura. Como gosto muito de futebol, assisti um pouco das notícias dos clubes e fui dormir.

Terça-feira

Começo o meu dia da mesma maneira, ou seja, acordo às 5h30, tomo café da manhã, pratico meditação e trabalho a minha mente para que se mantenha motivada e positiva.

Chego ao escritório às 7h30, confiro o trabalho realizado no dia anterior, organizo a agenda do dia e baixo os e-mails recebidos da segunda-feira que estavam acumulados, pois o envolvimento com as planilhas de honorários advocatícios não permitiu que eu fizesse isso antes.

Quase no horário de almoço faço uma reunião com a equipe para definir estratégias de tratamento de alguns processos importantes. Alguns casos exigem atenção especial, seja em razão do valor envolvido, do assunto, ou até mesmo pelos pedidos dos clientes em razão de alguma movimentação interna de empresa.

Entendo que conversar com a equipe é uma técnica sempre válida, pois podemos debater ideias, trocar experiências e, assim, encontrar soluções eficazes, além de reforçar a nossa interação, que, em meio ao dia-a-dia, muitas vezes fica prejudicada e limitada aos e-mails. Conseguimos, então, levantar várias boas ideias para atender as expectativas dos clientes. Neste dia, especificamente, abordamos processos ativos, ou seja, ações nas quais estamos cobrando créditos e precisamos pensar em estratégias para trazer de volta o dinheiro para os nossos clientes.

Tendo analisado, neste contexto, algumas novas decisões a respeito do tema, comparando com precedentes, e levando em consideração a possibilidade de entabular acordos. Paro para almoçar por volta de 12h30 e no período da tarde vou ao fórum para despachar uma petição de expedição imediata de um mandado de levantamento de uma quantia expressiva em benefício de uma das empresas que atendo.

Vou ao fórum central no gabinete do juiz da 27ª Vara Cível e verifico a disponibilidade da juíza com a serventuária. A conversa com a juíza foi muito efetiva e consegui frisar as razões que constam na nossa petição, restando aguardar a decisão.

Retorno ao escritório para terminar de ler meus e-mails e verificar com a equipe se está tudo certo. Tudo OK! Dessa vez, encerro o meu expediente um pouco mais cedo, às 18:30hs e, excepcionalmente, não vou treinar para ver o jogo do Palmeiras no Allianz.

Quarta-feira

Apesar do cansaço por ter dormido mais tarde do que de costume, consigo começar o meu dia com as minhas práticas habituais e no mesmo horário. Chego ao escritório e depois de fazer as conferências de prazo e a projeção de agenda da equipe, como de praxe, realizo um call com um de nossos clientes, para afinar os últimos detalhes para a propositura de uma ação de Rescisão Contratual cumulada com cobrança de multa.

É um caso emblemático para a empresa e as questões contratuais exigem muito cuidado na definição da melhor estratégia (por melhor redigido que seja um contrato, sempre há espaço para interpretações).

Abordamos todos os pontos que nos causavam receio, oriundos das provas de descumprimento das cláusulas contratuais, e ajustamos o ingresso da ação. Depois, baixei os meus e-mails e saí para almoçar. Quando retornei, recepcionamos um cliente novo que precisa inventariar e partilhar os bens deixados pela sua mãe, infelizmente falecida recentemente. Conhecemos os detalhes (pessoas envolvidas, bens deixados, etc), passamos as orientações pertinentes e solicitamos a disponibilização dos documentos necessários para a continuidade do trâmite de inventário e partilha. Finalizo o expediente analisando um recurso elaborado por um dos integrantes da equipe. Como de costume, vou à academia e treino por mais ou menos uma hora, faço a última refeição do dia, estudo Direito Administrativo durante 45 minutos e, antes de dormir, leio um pouco do livro “O Poder do Hábito”.

Quinta-feira

Como de praxe, levanto às 5h30, tomo café da manhã, medito, leio, me troco e vou para o escritório. A primeira missão do dia é a rotineira de conferir o cumprimento dos prazos do dia anterior e programar a agenda da equipe.

Mas, diferentemente, às quintas-feiras acrescento uma prática preventiva, a de informar os advogados que trabalham comigo dos prazos e audiências futuras, utilizando o nosso sistema de acompanhamento processual e o Excel para fazer tal projeção.

Penso que, como coordenador, preciso municiar o time de todas as informações possíveis e facilitar ao máximo o trabalho. Feito isso, respondo os meus e-mails, distribuindo as novas tarefas e antes do horário de almoço, faço uma reunião com o sócio responsável pela operação que coordeno, sobre assuntos diversos, como, por exemplo, andamento de processos complexos, análise de atendimento dos clientes, performance da equipe, etc.

Depois ajudo uma estagiária a tratar de um caso novo que envolve a criação de uma holding patrimonial. Assim, analisamos os documentos que foram enviados pelo cliente – em geral, matrículas de imóveis – montamos uma tabela com todas as informações, pesquisamos processos e dívidas para depois avisarmos aos sócios responsáveis para agendarem a reunião.

Finalizo o expediente respondendo os meus e-mails e como faço quase todos os dias sigo para a academia. Mais tarde, arrumo a minha mala e viajo até Ribeirão Preto, pois na sexta-feira visitarei o nosso escritório no interior para passar o dia com dois colaboradores da equipe que ficam alocados na cidade. Essa interação pessoal, mesmo que periódica, é muito importante!

Sexta-feira

Mesmo sendo sexta-feira e tendo viajado na noite anterior, sigo a minha rotina de levantar às 5h30, tomar café da manhã, meditar, ler, me trocar e seguir para o escritório. O deslocamento em Ribeirão Preto é incomparavelmente mais tranquilo.

Ao chegar confiro o trabalho do dia anterior, bem como programo a agenda da equipe. Por telefone, faço uma call com os colaboradores que estão em São Paulo sobre os compromissos da próxima semana.

É fundamental deixar tudo bem organizado. A seguir, me reúno com os dois advogados da equipe desse escritório para conversar sobre a evolução do trabalho, dificuldades e projeções.

Depois disso, recebo uma ligação informando que os documentos para a realização do inventário e partilha (do cliente que conheci na quarta) foram entregues e me enviam esses dados por e-mail.

Faço a conferência já organizando o procedimento via extrajudicial com o tabelião do cartório. Almoço com os meus antigos colegas, pois  trabalhava em Ribeirão Preto até fevereiro deste ano.

Respondo os meus e-mails, faço a revisão de algumas peças que foram elaboradas e encerro o meu expediente. Vem o final de semana, tempo para descansar e curtir a família. No domingo à noite já preciso retornar para São Paulo.

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