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10 livros essenciais para um jovem delegado civil

Chefe de Polícia do Rio Grande do Sul listou obras de Zygmunt Bauman e Domenico de Masi


1-) A sociedade em rede, de Manuel Castells

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É fundamental justamente para compreender a atual sociedade multi-conectada, principalmente por meio da rede mundial de computadores. É quase uma metáfora da necessidade de conexão entre as pessoas e de se relacionar, de verificar e de estabelecer contatos e buscar soluções. Também é essencial para saber como lidar com investigações que envolvem o ambiente digital, já que é necessário conhecer suas possibilidades e profundidade.

2-) Risco, de John Adams

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O livro auxilia na diferenciação entre o risco, que é contemplado por toda decisão humana, e o medo, que é um sentimento. A análise de risco é extremamente importante para o policial. Ao se conhecer o risco que se enfrenta em determinada situação pode-se abstrair o medo.

3-) Sociedade do Risco e Direito Penal, de Marta Rodriguez de Assis Machado

A autora encara a sociedade atual como uma sociedade de risco e a relaciona com o Direito Penal. Ela analisa criticamente como o Direito Penal pode/deveria lidar com esta realidade.

4-) Introducción a la Teoría de Sistemas, de Niklas Luhmann

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É fundamental conhecer a teoria sistêmica para saber como se organizam e evoluem os sistemas, além de se verificar como funcionam e se reorganizam as organizações e como elas podem afetar e serem afetadas em suas estruturas, funções e em seus próprios produtos. A polícia também é uma organização que afeta e é afetada por outros sistemas organizacionais. Conhecer o ambiente sistêmico e a teoria sobre ele é fundamental para conseguir se adaptar.

5-) O ócio Criativo, de Domenico de Masi

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É um livro muito bom porque o autor traz justamente a possibilidade de utilizar o período em que não estamos trabalhando para realizar transformações e produzir algo para si e/ou em prol da sociedade, algo que um delegado de polícia pode e deve fazer. Um delegado – e qualquer outro profissional – não pode apenas trabalhar, tem que fazer isso com prazer. Em geral, quem é aprovado no concurso é vocacionado e/ou se apaixona pela atividade.

6-) Medo Líquido, de Zygmunt Bauman

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Trata-se de outra obra extremamente importante para compreender o sentimento do medo, transformado na contemporaneidade. Este sentimento pode transmutar as pessoas e, talvez, exigir uma maior atuação policial. O autor conceitua e explora os medos primários e secundários. Mais uma vez: para atuar de forma adequada, o policial precisa conhecer o medo e distingui-lo do risco.

7-) Confiança e Medo na Cidade, de Zygmunt Bauman

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Outra obra de Bauman. O autor aborda a concepção de como as pessoas se comportam ao se isolarem. Ele fala dos medos urbanos, das pessoas fechadas em condomínios, que vivem em uma espécie de caixa de Pandora. Para trabalhar de maneira adequada, o delegado precisa, além de deter os conhecimentos técnicos, compreender a sociedade em que ele atua e entender como as pessoas buscam proteção além do Estado em face da ineficiência deste e, até mesmo, em face da ineficiência do aparato policial.

8) Cultura do Medo, de Débora Regina Pastana

Este livro complementa as obras anteriores. É uma visão um pouco mais direcionada à cultura do medo, baseada naquilo que a imprensa produz e que não necessariamente é a análise mais adequada. Uma parcela dos meios de comunicação produz uma sensação de medo constante. Nós, como delegados, não podemos trabalhar na produção deste medo. Devemos, sim, com dados e estatísticas precisas, fazer uma análise mais adequada do contexto para se extrair uma solução. Se a sociedade produzir o Direito Penal só com base no medo, vamos ter regras para tudo – e não pode ser assim.

9-) Cultura do Medo, de Barry Glassner

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Ele faz uma análise bem sólida sobre o medo gerado pela exposição pública de determinados fatos isolados, como, por exemplo, sobre os casos de estudantes dos Estados Unidos que praticaram crimes em escolas contra colegas. São casos esporádicos, que a mídia explora incessantemente passando a ideia de que se trata de algo rotineiro. A mídia aborda os casos de terrorismo desta mesma maneira. Trata-se de uma análise crítica desse processo.

10-) Os Anjos Bons da Nossa Natureza: por que a violência diminuiu, de Steven Pinker

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O ser humano é bárbaro por natureza – e estamos vendo isso no Espírito Santo, onde pessoas comuns se tornaram saqueadoras nos supermercados e lojas. O que nos faz não sermos bárbaros é a convivência numa sociedade organizada. Pinker faz uma análise histórica e nos mostra que desde os primórdios até recentemente a violência era muito maior do que atualmente. A natureza do homem é dissecada nesta obra.

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