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‘Paredes São de Vidro’: JOTA lança podcast para contar como STF virou protagonista

Ex-ministros e jornalistas detalham como resistência à transmissão das sessões deu lugar à transparência e ao espetáculo

Novo podcast do JOTA analisa como o STF passou de desconhecido a protagonista
Novo podcast do JOTA analisa como o STF passou de desconhecido a protagonista

Quem acompanha pela televisão os longos votos dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e, por vezes, os embates acalorados entre eles não imagina que a transmissão das sessões da Corte, em tempo real, é fruto de um processo que envolveu, claro, os ministros, mas teve a participação decisiva de atores pouco conhecidos do público.

O JOTA lança na próxima quarta-feira (25/08) o primeiro dos quatro episódios de “Paredes São de Vidro”, um podcast que analisa como o STF deixou as margens da política brasileira e se tornou um ator central nas principais decisões da história recente do país. Nesta página, você pode se cadastrar para ser avisado dos novos episódios e receber conteúdo extra sobre o tema preparado por nossa equipe.

No passado, os ministros eram quase desconhecidos da população e levavam uma vida discreta e relativamente tranquila, bem diferente dos tempos atuais. Uma discussão mais áspera entre dois membros da Corte foi o estalo para a mudança definitiva na forma como o Supremo lidava com a opinião pública.

Nessa cronologia da transparência e do espetáculo do Judiciário nos tempos atuais, um dos principais marcos data de 1992. Naquele ano, o país que reaprendia a caminhar na democracia acompanhava atônito às denúncias de irregularidades envolvendo pessoas do círculo próximo do então presidente Fernando Collor.

Um STF ainda discreto, recluso e contido nas suas decisões foi chamado a interferir no julgamento do impeachment do presidente da República. Todos os olhos do país se voltaram imediatamente para os ministros da Corte que definiriam quais seriam as regras do processo.

Sob esse cenário, um medo se abateu sobre o então presidente do Supremo, ministro Sydney Sanches. O temor nada tinha a ver com a decisão que faria parte da História do país. A maior preocupação do magistrado era a combinação de uma multidão em polvorosa do lado de fora e paredes de vidro suscetíveis a danos ao menor sinal de pancada.

Para dissipar os manifestantes e minimizar as chances de qualquer confusão generalizada, o ministro tomou uma iniciativa inédita: pela primeira vez na sua história, o Supremo transmitiria ao vivo um julgamento. Essas e outras boas histórias serão contadas no “Paredes São de Vidro”, programa patrocinado pelo Conselho Federal da OAB, pela Torre Comunicação e Estratégia e por Caputo Bastos e Fruet Advogados.

“O podcast é uma história contada em quatro episódios, que envolve ministros, ex-ministros, assessores de comunicação, jornalistas e disputas que começaram na década de 1970, 1980, por mais atenção da imprensa, passando por uma tentativa, na década de 1990, de popularizar o Tribunal nos programas de auditório, chegando na década de 2000 à resistência de ministros em serem filmados no Plenário, e, agora, com esse debate sobre politização do STF e espetacularização de suas decisões”, conta Felipe Recondo, cofundador do JOTA, apresentador e roteirista do “Paredes São de Vidro”. O podcast conta ainda com a edição e roteiro de Eduardo Gomes.

Você pode ouvir o podcast na sua plataforma preferida de áudio (Spotify, Apple e outros). A cada semana, um novo episódio vai ao ar.