Advocacia

Cinema

Qualidade sem aumentar custos

Com 7% de aumento na receita no ano passado, Pinheiro Neto aposta em crescimento conservador para 2015

A defesa dos credores na recuperação judicial da OGX, do Grupo Eike Batista, e a troca de ações do Santander foram as operações de destaque de 2014 no Pinheiro Neto Advogados. Sem grandes expectativas de crescimento em um ano de eleições e Copa do Mundo no Brasil e com um mês de atraso em relação ao orçamento em julho, a banca recuperou a marcha e chegou ao fim do ano com uma projeção de aumento de receita entre 6,5% e 7%.

+ JOTA: Balanços de escritórios sobre 2014 e perspectivas para 2015 

“Não era um ano de crescimento. Estamos superando nossas expectativas”, afirma Alexandre Bertoldi, sócio gestor do escritório, um dos mais tradicionais do país.

Mesmo com sinais de desaquecimento da economia, a área de Fusões e Aquisições foi a grande responsável pela superação de expectativas. Após um primeiro semestre fraco, a equipe chegava a fazer três, quatro reuniões por dia para lidar com a demanda, conta Bertoldi.

“Notamos que não há incentivo para grandes aventuras. Mas, apesar da falta de otimismo, empresas que estão aqui a médio e longo prazo estão vendo oportunidades. Além disso, os ativos brasileiros ficaram mais baratos com a alta do dólar”, comenta.

Exceto pela operação de troca de ações do Santander Brasil pelo Santander Espanha, a quase paralisia no mercado de capitais foi sentida pela banca. Ninguém parece ter surfado também na onda de grandes obras de infraestrutura esperadas para a Copa do Mundo e Olimpíadas. “Estávamos preparados, mas ela não veio. Não houve perda, mas sim frustração de expectativa”, diz Bertoldi.

Como a eleição recente para novos sócios indicou, o Pinheiro Neto aposta especialmente em três áreas para 2015:

– Previdenciária: “Percebemos um crescimento mais rápido no número de casos com a unificação da Receita Federal com a Previdenciária [Super-Receita]”.

– Recuperação judicial: “Diante do aperto de crédito e sem alternativa de financiamento, imaginamos que empresas optem por recuperação”.

– Fusões e Aquisições: “O aperto do mercado e a alto do dólar podem gerar operações estruturadas”.

Prevendo um viés de aperto no próximo ano, o desafio da advocacia, segundo Bertoldi, será manter a qualidade e o nível de atendimento sem aumentar os custos para os clientes. “Temos que ser mais conservadores na perspectiva de crescimento, mas não achamos que o mundo acabará ou se resolverá em 2015. Acreditamos em continuidade”, afirma, acrescentando que a eleição da presidente Dilma Rousseff (PT) não alterou o planejamento estratégico da banca. “O aumento dos juros foi uma mensagem positiva e um pragmatismo maior na condução da economia pode ser boa”, completa.

Segundo Bertoldi, o mercado de advocacia está mais competitivo não só pela existência de bons escritórios, mas pelo fortalecimento dos departamentos jurídicos das empresas. “Qualidade e consistência serão fundamentais para o sucesso, e os escritórios têm que ser cautelosos quanto ao crescimento demasiadamente rápido, pois isso pode comprometer a qualidade”, alerta.

Raio X do Pinheiro Neto Advogados

Crescimento da receita: 6,5% a 7%

Novos casos abertos: 800 por mês. Em média, por ano, são abertos 10 mil novos casos. 35% do movimento total é gerado por M&A, 35% pelo contencioso e propriedade intelectual, 25% pela área tributária e 5% pela trabalhista

82 sócios. A partir de janeiro, 85

280 advogados. A proporção é de 3,5 advogados para cada sócio de modo a manter a filosofia do escritório de “crescer organicamente”. “Não pode ser 2 nem 5”, diz Alexandre Bertoldi, sócio gestor do PN. Com três novos sócios a partir de janeiro, a previsão é de contratação de 10 a 15 advogados.


Cadastre-se e leia 10 matérias/mês de graça e receba conteúdo especializado

Cadastro Gratuito