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Menos é mais

Priorizando casos mais complexos, Mattos Filho busca sócio para passar a atuar na área penal

Em 2011 foram 6.127. Passaram para 4.213 em 2013 até que em meados de dezembro o número de casos novos contabilizados em 2014 no Mattos Filho Advogados não passava de 3.607. Crise não há. A despeito da redução na entrada de novas demandas, o faturamento de um dos escritórios full-service mais importantes do país tem aumentado. “Temos apresentado um movimento de deixar de atender casos de menor porte, na busca por casos de melhor qualidade. Ou seja, o faturamento continua crescendo, e o número de casos diminuindo”, afirma o sócio Roberto Quiroga Mosquera.

+ JOTA: Balanços de escritórios sobre 2014 e perspectivas para 2015 

A projeção para 2014 é de um crescimento nominal (sem descontar a inflação) de até 12%, puxado especialmente pela área de fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês). Foram cerca de 80 operações acompanhadas no ano. “Apesar de a economia não ir bem, essas operações vinham sendo programadas. Ainda com a subida do dólar, os ativos brasileiros ficaram mais baratos, o que interessou investidores estrangeiros”, conta Quiroga. Ele destaca, ainda, a atuação do escritório na recuperação judicial do Grupo X, do empresário Eike Batista, e na disputa societária em andamento entre os controladores da Usiminas.

À política de agregar valor em um número menor de casos soma-se à meta do escritório de “fazer carreira” em uma área pouco explorada por escritórios full-service. Nos últimos anos, o Mattos Filho saiu em busca de um sócio criminalista que seja capaz, segundo Quiroga, “de concorrer com as boutiques”. “Vamos continuar a busca em 2015”, afirma. Com isso, a banca ampliaria as atividades concentradas atualmente em 23 práticas que passam pelo direito empresarial, de família até terceiro setor.

Na entrevista abaixo, o sócio do Mattos Filho projeta 2015 e anuncia a chegada, no abrir do novo ano, de um sócio estratégico nas áreas de Concorrencial e Compliance.

Crédito: Divulgação
Crédito: Divulgação

Quais foram as grandes vitórias e grandes derrotas do escritório em 2014?

Sobre as vitórias, é possível destacar o número relevante de M&As e de operações de dívidas que fizemos. Sem dúvida, outro grande ponto foi a participação na maior recuperação judicial que o Brasil já teve, a do Grupo X. É evidente que para o cliente a situação foi péssima, mas como questão jurídica foi de altíssima relevância. Tivemos também o caso atual da Usiminas-Ternium, em Contencioso.

Dentro do escritório, outra vitória foi a consolidação de nossas áreas de Propriedade Intelectual e Tecnologia da Informação, com o sócio Fabio Kujawski, que apresentam clientes importantíssimos. Além disso, houve o supercrescimento da prática de Seguros, em que já contava com um sócio que é líder de mercado, mas tivemos a oportunidade de fazer mais dois novos sócios orgânicos e, também, de anunciar a vinda de Cassio Gama Amaral, sócio dedicado à área contenciosa em Seguros. No mais, continuamos liderando as áreas tributária e societária.

Como frustração, posso citar a área de IPOs, que não foi tão bem esse ano, mas não por questões do escritório, mas, sim, pela situação do mercado. O Mattos Filho não conseguiu também constituir uma prática de Direito Penal. Nós temos buscado há alguns anos um profissional da área penal, mas queremos um sócio que realmente possa concorrer com as boutiques e tenha qualidade para ter a estatura dos grandes criminalistas. Vamos continuar a busca em 2015 e, para o início do ano, já temos a chegada de um sócio muito importante nas áreas de Concorrencial e Compliance.

Quais os desafios da advocacia em ano de crise econômica?

A grande dificuldade de um escritório em ano de crise é não desestruturar suas áreas ou ter de reduzir o número de profissionais. Nós, por exemplo, tivemos apenas um IPO no ano e não quisemos desmontar nossa equipe, pelo contrário, até cresceu. Conseguimos realocar as pessoas para matérias afins.

A prática de óleo e gás, em tese, com toda essa questão do petróleo, parando obra e infraestrutura, poderia sofrer algum impacto. No entanto, essa crise irá gerar muita renegociação de contratos e contenciosos. Muda o perfil de trabalho, mas a área continua tendo demanda. A ideia é sempre aproveitar os profissionais nas áreas que deixaram de ter um fluxo maior e aproveitar as oportunidades da crise nas áreas do direito em que ela viabiliza isso, como em recuperação judicial, litígios, no Cade em caso de cartel, leniência etc. Além disso, continuará sendo uma oportunidade fundamentalmente a parte de M&A e financiamento, ainda que em tempos de crise.

Que oportunidades o escritório vislumbra em 2015?

Não vejo que o ano será de queda ou de grandes saltos. Será um ano de estabilização. As pessoas sentirão, nos primeiros três meses, como a nova equipe econômica do governo vai atuar. Por isso, o primeiro trimestre tende a não ser tão bom. Se a confiança for restaurada e o governo caminhar na linha do controle de gastos, a atividade econômica será incrementada e o mercado jurídico acompanhará o crescimento.

Enxergo como oportunidade para 2015 no escritório a questão do agronegócio, que passa a ganhar importância. Estamos estruturando a área de agronegócio, pois já temos muito trabalho disperso, precisamos organizar essa prática e congregar todos os itens em um único gestor. Hoje o problema no mundo é a redução no preço das commodities, por essa razão é preciso estar preparado para quando estiver em crescimento.

Nossa área internacional, se comparada a de outros escritórios, ainda é menor e, portanto, com grande oportunidade de conquistar market share. Atualmente, temos predomínio de clientes domésticos, temos muitas chances de melhorar essa participação em 2015.

Quais as perspectivas do Judiciário?

Não tenho perspectiva para mudanças no Judiciário no próximo ano, deve continuar igual. Nos próximos anos, devemos ter mudanças no Supremo, vamos, então, ver como o governo irá se portar com a indicação dos ministros. No mais, o Judiciário irá se manter um pouco da forma como está, com maior aplicação da arbitragem. Vejo uma estabilidade que em nada prejudica ou favorece o mercado.

 

Raio X do Mattos Filho Advogados em 2014

Crescimento de 10% a 12% em termos nominais (sem descontar a inflação)

3.607 novos casos até meados de dezembro

62 sócios. Oito advogados integraram a sociedade no ano:

·         Mercado de Capitais – Ana Carolina Lima Nomura e Bruno Mastriani Simões Tuca

·         Seguros, resseguros e previdência – Camila Leal Calais, Luciana Dias Prado e Cássio Gama Amaral

·         Negócios Imobiliários – Rossana Fernandes Duarte

·         Infraestrutura – Fabiano Ricardo Luz de Brito

·         Societário – Claudio Oksenberg

283 advogados.

Foram realizadas 83 contratações, a maior parte nas áreas tributária (14), de contencioso e arbitragem (12) e societário (11).

 

 


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