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Em ano de crise, Trench, Rossi & Watanabe amplia quadro de sócios para crescer também em 2015

Ampliar investimentos em plena crise. Essa foi a ousada estratégia adotada pelo Trench, Rossi & Watanabe no ano passado, com vistas em 2015 e 2016.

Na contramão do mercado, a tradicional banca aumentou o quadro de sócios em áreas estratégicas: compliance, gestão de patrimônio e propriedade intelectual.

“Estamos bastante otimistas, não acreditamos em recessão em áreas como reestruturação de dívidas, setor financeiro e de infraestrutura. Pelo contrário, nós vemos uma tendência de investimentos que precisam ser levados adiante”, afirma Anna Mello, sócia administrativa do escritório.

Ela comemora o crescimento de 5% a 10% no faturamento da banca no ano. “Crescer quando tudo vai bem é muito mais fácil”, diz. Leia abaixo a íntegra da entrevista:

Qual a avaliação do escritório sobre o desempenho em 2014?

O ano de 2014 foi de crescimento para o escritório por quase todos os ângulos: em número de sócios, em número de funcionários, em faturamento; adicionamos novas áreas, projetos e clientes importantes. Poderíamos ter tido um crescimento ainda maior? Claro, se a economia estivesse mais aquecida, se não tivessem ocorrido desacelerações pontuais nas atividades das empresas, como no período pré-Copa e no período eleitoral. Um exemplo claro disso foram os investimentos estrangeiros, que ficaram num compasso de espera nesses períodos. Mas independentemente desses soluços da economia e da retração de certos segmentos, nós crescemos entre 5% e 10%  –o que é um excelente resultado, porque crescer quando tudo vai bem é muito mais fácil. Por isso fizemos investimentos.

Quais foram esses investimentos?

Logo no começo do ano, apostamos na área de gestão de patrimônio [wealth management], que é uma área relativamente nova no país. Recebemos uma nova consultora, a advogada Elisabeth Libertuci, que já tinha uma boa experiência nesse segmento –especialmente na área de tributação de expatriados e de pessoas físicas— e trouxe com ela sua carteira de clientes. Também investimos fortemente no crescimento da área de compliance e de direito penal corporativo, para atender à crescente demanda por esse serviço. É uma área que já vinha crescendo e que teve um boom nesse ano (2014).

Chegaram os novos sócios Davi Tangerino, advogado criminalista, que atua na área de compliance; Marcela Trigo, na área de propriedade Intelectual e TI, mas com foco em patentes. Trouxemos do Veirano a advogada Lúcia Aragão, especializada em infraestrutura e direito imobiliário, com foco nas Olimpíadas. E também investimos no crescimento orgânico, com dois sócios home grown, que estavam há muitos anos no escritório: Henrique Frizzo, na área de direito público, com foco em regulatório, e Adriana Giannini, especialista em antitruste e direito de concorrência.

Por que investir em um ano de crise?

Mesmo com esse ano difícil, fizemos esses investimentos porque enxergamos oportunidades e identificamos demandas crescentes nessas áreas. E continuamos investindo. Acabamos de fechar com um grupo para reforçar nossa área financeira, bancária e de mercado de capitais, com foco em reestruturação de dívidas. Eles vêm com um sócio e mais seis advogados e trazem consigo uma carteira de clientes própria.

Estamos bastante otimistas, não acreditamos em recessão em áreas como reestruturação de dívidas, setor financeiro e de infraestrutura. Pelo contrário, nós vemos uma tendência de investimentos que precisam ser levados adiante. Os projetos estão aí e não tem volta. Apesar de tudo que está acontecendo e de todos os problemas com essas denúncias de corrupção, o país precisa entregar essas obras e esses investimentos vão continuar.

Quais áreas do escritório se destacaram em 2014?

Os grandes destaques foram o M&A, a área de fusões e aquisições, a área de planejamento tributário, e a área de projetos de infraestrutura. Vimos também crescimento nos negócios relacionados a determinados setores da economia: agronegócio, indústria farmacêutica, indústria química, e principalmente, infraestrutura. Nessa área, nós lidamos com projetos que representaram um investimento médio de R$ 350 milhões por operação.

E nós tivemos também um crescimento bastante expressivo da área de investigação corporativa, o compliance. Podemos dizer, com orgulho –e isso é reconhecido pelo mercado—que somos o escritório número um nessa área.

O escritório teve a chegada de novos clientes?

Nós temos uma carteira de clientes muito ampla, que também é muito fiel. Muitas vezes os projetos de maior destaque não vem de clientes novos, mas de empresas que já trabalham conosco há anos. Em 2014, nós passamos a trabalhar de forma mais abrangente com a General Eletric, que já era nossa cliente em alguns segmentos. Tivemos um projeto importante e novo da Braskem, que já é nossa cliente. Passamos a trabalhar também com o Carrefour e a Queiroz Galvão. Outro cliente novo importante foi a NBC Universal. O grupo adquiriu a exclusividade dos direitos de transmissão dos Jogos Olímpicos de 2016 no mundo, com exceção do Brasil. Eles nos contrataram para auxiliá-los em todo o projeto de cobertura desse evento.

Quais as projeções para o ano?

Nós projetamos crescimento para 2015. É claro que gostaríamos que o país estivesse em um outro momento econômico, porque isso nos beneficiaria também, mas ainda assim, nós esperamos colher os frutos de todos esses investimentos que foram feitos ao longo desse ano. Nós temos a vantagem de sermos um escritório full-service. Por atuarmos em várias áreas, conseguimos passar por esses momentos em que a economia não vai muito bem, direcionando esforços para as áreas que tem maior demanda. Em momentos de crise, os grandes projetos diminuem, mas as áreas de contencioso, planejamento fiscal, administração de crises crescem, o que acaba compensando.

Um sinal de como as coisas vão bem e devem continuar assim é que nós estamos nos mudando. O escritório de São Paulo ficou pequeno, e por isso nós vamos para um novo local na mesma região (Brooklin, zona sul da capital).

O que esperar do Judiciário no próximo ano?

Infelizmente, nós ainda estamos bastante céticos em relação a mudanças significativas no funcionamento do nosso Judiciário no curto prazo, para que ele se torne célere como a gente gostaria. Por outro lado, nós temos acompanhado o crescimento e a consolidação de outras formas de solução de conflitos, como a arbitragem e a mediação. A arbitragem saiu do papel e já é uma realidade. Nós temos um grupo forte de arbitragem que atua em sintonia com a área do contencioso. E acompanhamos com atenção o crescimento do uso da mediação.


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