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Franquia de marketing jurídico

Consultorias de olho na evolução do mercado de advocacia

Uma nova vertente econômica está surgindo dentro do mercado de consultoria de marketing para escritórios de advocacia: a franquia de suas atividades. A Consultoria em Gestão Legal Selem e Bertozzi (SB) – formada pelos consultores Lara Selem, advogada, e Rodrigo Bertozzi, administrador -, está abrindo a SB Franquia em Gestão Legal.

Criada em 1998, em Curitiba, onde permanece até hoje, a consultoria surgiu para atender, até então, a um mercado virgem neste ramo, de marketing para escritórios de advocacia. Sentem-se pioneiros, pois pesquisaram e conceituraram os modelos técnicos para o mercado jurídico, desde então, adaptando a gestão para as bancas de advocacia. “Nós comandamos uma revolução de conceitos em todo o país”,  entendem.

Hoje, a empresa atende não só escritórios e advogados independentes mas, departamentos jurídicos de empresas – públicas e privadas – e órgão públicos, como tribunais e cartórios, nos 23 estados brasileiros. Além disso, sua área de atuação extrapolou o marketing estratégico e partiu para a de recursos humanos, gerenciamento financeiro e administrativo, design e produção, totalizando vinte consultores especializados.

Até agosto passado, a SB Gestão Legal havia atendido a mais de trezentos clientes e os seus sócios majoritários proferiram mais de quatrocentas palestras pelo país e escreveram 26 livros sobre o marketing jurídico. Os números destes dois consultores impressionam. Eles já falaram para mais de 23 mil pessoas, em eventos, palestras e cursos presenciais. Recentemente, adquiriram a revista especializada no setor, a Advogado, Mercado e Negócios, que se junta aAdvogado Corporativo e a B2L.

Agora, com a abertura para a franquia de seu negócio, eles pretendem ser a maior empresa da América Latina em gestão legal. Para isto, o futuro franqueado deverá fechar um contrato de oito anos e trabalhará com um mix de produtos, como educacional e treinamentos. Precisará investir R$ 25 mil, só em mobiliário, dispor de uma área de 40 a 100 metros quadrados e contratar de 4 a 8 funcionários. Outra necessidade inicial é possuir um capital de giro de R$ 15 mil  e terá, ainda, que pagar uma taxa de franquia entre R$ 25 e 75 mil e mais 9% a título de royalties. Entretanto, o faturamento médio anual proposto é de R$ 500 mil a R$ 1,7 milhão, com um prazo de retorno do capital investido de 11 meses, para a média de 45 a 55% de rentabilidade.

O franqueado receberá treinamento e consultoria interna no preparo da unidade; orientação para a seleção de pessoal; se valerá de um plano de metas e de carreiras, e de gestão financeira e administrativa para a unidade; além de acompanhamento em campo. A percepção de Rodrigo Bertozzi e Lara Selem é de que estão diante de uma evolução do mercado jurídico rumo a uma inevitável explosão de indicadores e números de advogados, escritórios e departamentos, profissionais. “O chamado mercado congestionado favorece a franquia, uma vez que seremos a chave para que possam se profissionalizar e se diferenciar da concorrência”, informam.

A mesma opinião é compartilhada por Alexandre Motta, da Inrise Consultoria em Marketing Jurídico, com sede em São Paulo. Para ele, existe uma demanda de profissionais que possam implementar ações de marketing focados no mundo jurídico. “A grande tendência é que cada escritório hoje tenha seu profissional de comunicação internalizado e para isso necessita-se de consultorias que formem este profissional para rotinizar as ações de marketing, sempre baseadas no Código de Ética da OAB”, disse.

Desde 2002, a Inrise apresenta aos escritórios e departamentos jurídicos as técnicas éticas que podem e devem ser utilizadas visando a sua melhor estruturação, conquistas e manutenção de clientes, com a potencialização de sua marca institucional no mercado. Entretanto, a franquia do negócio passa longe da Inrise. Seus sócios vieram da implementação real de um projeto de marketing em um escritório, com esta banca passando de 9 para 60 profissionais em três anos, quadruplicando faturamento ao implementar as ferramentas de marketing jurídico. “Depois desse escritório, resolvemos abrir nossa empresa, que não precisa de filiais, pois atende o Brasil inteiro”, afirmou.

Outra situação interessante e inversa vive o ex-consultor de marketing jurídico, Marco Antonio P. Gonçalves. Há pouco mais de um ano, ele decidiu deixar sua empresa de lado e partir para ser gerente de marketing de um escritório de advocacia de grande porte, deixando de prestar consultoria externa.

Para ele, surgiu a oportunidade de desenvolver um projeto amplo de marketing jurídico, com viés estratégico, em um escritório com gestão efetivamente profissionalizada e que valoriza a atividade de marketing. “Essa é uma realidade nem sempre compatível com o trabalho de consultoria, que lida com escritórios de diferentes portes e contextos, bem como com advogados de diferentes vivências, que muitas vezes estão interessados em marketing, muito mais por uma pressão/tendência de mercado do que por compreenderem sua real importância”, analisou.

Como se vê, o mercado de consultoria ainda tem muito a oferecer aos advogados, escritórios, departamentos jurídicos, e até mesmo ao Poder Judiciário, com suas soluções e ferramentas de implementação de um eficaz marketing jurídico.


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