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“Está mais difícil advogar hoje do que na ditadura”

Antônio Mariz de Oliveira, ex-advogado de Temer, criticou MP e imprensa em evento da OAB

O criminalista Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, ao longo de boa parte de sua fala na XXIII Conferência Nacional da Advocacia Brasileira, organizada pela OAB, criticou duramente a imprensa e o Ministério Público.

Na visão do advogado, que defendeu o presidente da República Michel Temer (PMDB) nas duas denúncias recentes apresentadas contra ele, está muito difícil advogar nos dias de hoje. A dificuldade é maior até do que na época da ditadura.

Nos anos de chumbo, com as auditorias militares “munidos de procuração, os autos nos eram entregues imediatamente”. “Hoje, não. As provas são seletivas. E o advogado tem grande dificuldade de ter acesso a elas e de dizer à família porque seu cliente está sendo acusado”, criticou.

Antigamente, diz, o jornalista ligava para o advogado perguntando se o cliente havia sido denunciado.”Hoje em dia sou eu que ligo para o jornalista perguntando se ele tem alguma notícia do meu cliente. Porque eles têm acesso”, afirmou.

Para o advogado, estamos vivendo um momento em que se quer transformar a missão do juiz de Direito. “Juiz não combate crime. Ministério Público não combate crime. Se ambos se se tornarem combatentes, perderão a imparcialidade. Juiz que combate o crime é vingador, não um examinador”, disse.

“Reféns da mídia”

Para Mariz de Oliveira, os operadores do Direito em geral se tornaram reféns da mídia, que capturou a vaidade desses profissionais. Se dirigindo ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso, que compunha a mesa, o criminalista disse:

“Eu aprendi que juiz, advogado e promotor falam nos autos. Não é possível mais que nós estejamos ouvindo magistrados do porte de Vossa Excelência – um dos mais contidos – emitir opiniões sobre os casos que vão julgar”.

Barroso, mais tarde durante sua palestra, rebateu:

“Quem participa do debate público não pode falar apenas nos autos. Mas não falo de política, nem de processo que vai ser julgado. Não comento os fatos do dia, não sou opinador geral da República”.

Mariz de Oliveira relativizou ainda a liberdade de imprensa. “A mídia merece liberdade desde que essa liberdade cesse quando outro direito lhe vem a ser contraposto”, disse.

A imprensa, na visão de Mariz de Oliveira, não está preocupada com a verdade, mas com faturamento e ibope. “Divulga primeiro doa a quem doer, fira a quem ferir. E todos nós, em nome da liberdade de imprensa, nos calamos.”


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