Advocacia

Cinema

Escritórios planejam como racionar água em SP

Bancas de advogados resistem ao sistema de home office

O momento que muitos preferiram acreditar que não chegaria parece cada vez mais próximo. A não ser que chova em fevereiro tudo o que não choveu nesse e no verão passado na região do sistema Cantareira, deve faltar água em São Paulo a partir do mês de março. A Sabesp, concessionária responsável pelo abastecimento na região metropolitana, já fala em um rodízio de cinco dias com torneiras secas para cada dois dias com água no mês que vem.

Maior tribunal do país, o TJSP surpreendeu com o anúncio de que haverá um número menor de sua Corte Especial para economizar água –decisão criticada pela OAB e que deve ser seguida pelas demais Câmaras de julgamento.

Diante de um cenário que se avizinha, como se portarão os demais operadores do direito?

Assim como o TJ, grandes escritórios de advocacia com base na capital paulista já começam a se preparar para a seca, e as medidas vão desde campanhas de conscientização dos funcionários até a contratação de carros-pipa.

+JOTA: O que mais os escritórios esperam de 2015

+JOTA: Estrelas do MP-SP se enfrentam por uma vaga no CNJ

É o caso do Demarest Advogados. A tradicional banca não cogita, por enquanto, adotar medidas como a instituição de home-office ou a transferência de funcionários e sócios para outros Estados, mas trabalha com alternativas para garantir o funcionamento de sua matriz, localizada no bairro de Pinheiros.

“O plano emergencial se baseia na contratação de caminhões-pipa”, afirma o sócio Paulo Frank Coelho da Rocha, que espera não haver prejuízo no atendimento aos clientes.

No Pinheiro Neto, a possibilidade de advogados e funcionários trabalharem remotamente também é tratada como um último recurso.

“Não acreditamos que chegaremos a esse ponto”, diz Alexandre Bertoldi, sócio-gestor do escritório. “Temos capacidade e equipamentos para instituir o home office, mas essa seria uma alternativa utilizada apenas em caso de necessidade extrema”, acrescenta.

Segundo Bertoldi, as caixas d’água da unidade do escritório no Jardim Europa têm capacidade para manter o prédio por até quatro dias sem abastecimento. “Superando isso, passamos a lidar com o imponderável”, adiciona o advogado, que também disse ter conseguido uma economia de 250m³ de água por mês com campanhas de conscientização.

Aposta na racionalização

Outra grande banca que aposta na redução do consumo para atravessar o período de seca é o Machado, Meyer, Sendacz e Opice Advogados. O escritório, que ocupa 8 dos 13 andares de um prédio na avenida Brigadeiro Faria Lima, reduziu o horário de funcionamento do ar-condicionado e diminuiu o volume de água das torneiras de copas e banheiros. A limpeza de áreas comuns do condomínio está sendo feita com água de reuso.

“Estamos confiantes de que as medidas de redução de consumo e conscientização serão suficientes e que não será necessário instituir um revezamento nas dependências do escritório”, diz Carlos José Santos da Silva,  diretor de Relações Institucionais do Machado Meyer. “Porém, a hipótese de home-office está em estudo.”

Localizado em um edifício novo na região da Vila Olímpia, o Souza, Cescon, Barrieu & Flesch acredita que não será tão afetado pela crise no curto prazo, já que não é abastecido pela Sabesp, mas por um poço artesiano. Ainda assim, o escritório tem incentivado o consumo responsável de água por seus funcionários. “A questão da água afeta a todos, e nós esperamos que os nossos colaboradores levem as nossas orientações para as suas vidas e economizem água em casa também”, diz Alessandra Sanches, superintendente administrativa do escritório.

Ministério Público não prevê mudança de ritmo

Procurado pela reportagem, o Ministério Público de São Paulo disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que “segue as orientações dos órgãos competentes” e que “não há previsão ou necessidade que tenha sido detectada” para uma redução de suas atividades, nos moldes do que foi anunciado pelo TJSP.

O órgão também afirma tem orientado todos os usuários sobre a necessidade de redução do consumo de água, e que não haverá prejuízo ao atendimento ao público.

Por meio de nota, a Defensoria Pública do Estado de São Paulo afirmou que “empreenderá todos os esforços necessários para garantir que o atendimento à população seja resguardado em suas unidades” e que iniciará uma campanha interna pelo uso racional da água em suas atividades diárias.

“Cabe apontar que a Defensoria Pública busca informações detalhadas junto aos órgãos responsáveis pelo abastecimento, com o objetivo de mapear as localidades em que suas unidades possam ser afetadas pela falta de água”, diz o comunicado.


Faça o cadastro gratuito e leia até 10 matérias por mês. Faça uma assinatura e tenha acesso ilimitado agora

Cadastro Gratuito

Cadastre-se e leia 10 matérias/mês de graça e receba conteúdo especializado

Cadastro Gratuito