Advocacia

CADE

Demarest pretende repetir receita de crescimento na crise – M&A, falências e reestruturações

Venda de empresas para estrangeiros ajudou escritório a navegar recessão de 2015

A atuação do Demarest Advogados na aquisição de empresas brasileiras por estrangeiras garantiu bons resultados à banca em um cenário de crise econômica, em 2015. Enquanto os projetos de infraestrutura e direito bancário desaceleraram, houve crescimento em áreas como fusões e aquisições e arbitragem.

+JOTA: Como os principais escritórios de advocacia do país enfrentaram o duro ano de 2015

+JOTA: Relembre as principais notícias jurídicas e políticas do ano de 2015

Com 52 sócios e 210 advogados associados, a banca aposta em recuperações judiciais, fusões e aquisições e restruturações financeiras para crescer em 2016. O setor de compliance também deve ser destaque, especialmente diante de grandes operações do Ministério Público e da Polícia Federal envolvendo empresas.

O escritório possui uma peculiaridade em relação à sua carteira de clientes. Atualmente, conta com 2 mil clientes ativos, principalmente entre multinacionais e grandes grupos brasileiros. Mesmo assim, de acordo com a banca, a lista consegue ser pulverizada a ponto de nenhum cliente responder por mais de 2% do faturamento anual do escritório.

Leia os principais trechos da entrevista com os sócios do conselho do Demarest, formado por Douglas Mota, Paulo Rocha, José Diaz, Luíz Fernando Henry Sant Anna e Celso Martins Xavier:

Quais áreas registraram crescimento e garantiram faturamento em 2015? 

Por todo o cenário econômico apresentado, vimos um crescimento da área de Fusões e Aquisições com a compra de empresas brasileiras por estrangeiras, fundos soberanos e private equities. A área de restruturação também foi beneficiada pela conjuntura político-econômica, assim como cível e arbitragem. Ainda, as práticas tributária e trabalhista apresentam consistente crescimento.

Quais áreas tiveram retração em 2015?

Devido à crise e a instabilidade econômica as áreas de direito bancário e financeiro apresentaram uma retração, em mercado de capitais a emissão de ações, principalmente IPOs, também sentiu.

Quais as grandes vitórias da banca em 2015? E quais as derrotas mais sentidas?

Dentre as grandes transações de 2015, podemos destacar:

O Demarest assessorou a maior empresa de cimentos do mundo, a irlandesa CRH plc na aquisição de ativos da Lafarge e Holcim, o montante global da operação é de EUR 6.5 bilhões, esta operação foi premiada com o Deal of the Year pelo American Lawyer, a mais renomada revista americana do segmento jurídico.

Também assessoramos o fundo soberano de Singapura (GIC – Government of Singapore Investment Corporation) em três aquisições de participação no capital social da Rede D’or São Luis, o maior grupo de hospitais privados do Brasil. Em maio, o GIC adquiriu 15% do capital social da Rede D’Or de investidores particulares e do Banco BTG Pactual. Em julho, o fundo passou a ter uma participação de aproximadamente 16%. No início de dezembro, a GIC adquiriu uma nova participação do BTG Pactual, passando a aproximadamente 29%. O total investido nas 3 operações foi de aproximadamente BRL 5,9 bilhões.

Demarest assistiu a Dow Brasil em uma transação global de USD 5 bilhões referente à separação das unidades de cloro-álcali e vinil, orgânicos clorados globais e epóxi globais e a incorporação desses negócios com a fabricante de produtos químicos Olin Corp. Além disso, assessoramos a AMBEV, na oferta pública de distribuição de debêntures (Instrução CVM 476) totalizando BRL 1 bilhão, sob coordenação do Banco Itaú BBA. A operação é a primeira emissão da empresa desde 2010 e a primeira de acordo com o artigo nº 1 da Lei 12.431.

Assessoramos ainda o Banco Bradesco BBI e a Octante Securitizadora na oferta pública de certificados de recebíveis do agronegócio (CRA), totalizando a captação de BRL 1 bilhão em nome da BRF. Essa é a maior emissão de CRA da história do Brasil.

Também auxiliamos a Monsanto do Brasil no planejamento do encerramento das suas operações no Brasil relacionadas à cana-de-açúcar.

Por último, destacamos a assessoria a Fibria Celulose em todos os aspectos da negociação e celebração de um Contrato de Opção de Compra e Venda de Fibra Curta de Celulose com a Klabin, por meio do qual esta venderá à Fibria celulose a ser produzida em sua nova fábrica na cidade de Ortigueira/PR. O preço total estimado do contrato é de BRL 5 bilhões, sendo esse projeto é o maior investimento da história da companhia.

Qual a maior frustração de 2015? O que esperavam que aconteceria este ano que na prática não se concretizou?

Esperávamos que mais projetos de infraestrutura caminhassem.

A paralisação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) durante praticamente todo o ano afetou o escritório?

Afetou todos os escritórios que têm grandes áreas de Tributário e Previdenciário, como o nosso.

O escritório aposta em quais áreas para crescer em 2016?

Fusões e aquisições, recuperação judicial, restruturações financeiras e compliance.

Quais as perspectivas para o mercado de advocacia para 2016 em um contexto de tanta instabilidade política e econômica?

Com o ambiente político tão atribulado, fica muito difícil fazer quaisquer previsões.  O que podemos dizer é que os escritórios full-service têm menos dificuldade em atravessar períodos de instabilidade, pois conseguem se alavancar pelas áreas de maior demanda.  Para os escritórios com menor número de áreas de prática, a situação pode ser mais difícil.

A atuação da Justiça em relação a companhias, como visto na Lava Jato e na Zelotes, abre espaço para um trabalho diferenciado de advogado?

Sim. Estes processos têm cada vez mostrado às empresas a necessidade de se ater a programas de compliance.

Qual as perspectivas do escritório sobre o Judiciário em 2016?

Nenhum ângulo especial. Continuará tendo um papel importante no fortalecimento das instituições brasileiras.

Se 2015 foi o ano da lei anticorrupção, que lei será o destaque no ano que vem?

Apesar da regulamentação da Lei Anticorrupção ter ocorrido em 2015, na verdade ainda há muito que podemos ver em seu desenvolvimento (como, por exemplo, a “lista negra” de empresas que podem passar a ser impedidas de fazer negócios com o governo).  À parte disso, temos um novo Código de Processo Civil, e segue em discussão o anteprojeto do novo Código Comercial.


Cadastre-se e leia 10 matérias/mês de graça e receba conteúdo especializado

Cadastro Gratuito