Advocacia

Cinema

Campanhas para OAB-SP ganham velocidade

Conheça o perfil dos primeiros advogados habilitados para a disputa

O próximo presidente da seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) será escolhido no mês de outubro. São quase cinco meses até a eleição, mas a disputa está na rua e ganha velocidade. O vencedor comandará uma instituição com uma receita anual de mais R$ 300 milhões, 2.600 funcionários, 350 mil advogados e uma magnífica história, mas com representatividade e prestígio cada vez menores.

A atual gestão, de Marcos da Costa, sucessor do longevo mandatário da entidade Luiz Flávio Borges D’Urso, deve enfrentar uma disputa acirrada, se mantida a queda da vantagem da situação em relação à oposição.

Em 2006, D’Urso bateu o concorrente Rui Fragoso por 17.203 votos. Em 2009, a diferença entre os dois caiu para 7.209, com nova vitória de D’Urso. Em 2012, Costa venceu Alberto Zacharias Toron por apenas 4.951 votos, uma diferença de 3,1%.

Atualmente, a OAB-SP tem 222 mil advogados adimplentes, aptos a votar. O voto é facultativo e costuma atrair de 55% a 65% do eleitorado, o que significa aproximadamente 100 mil pessoas.

Desde o fim de 2014, cinco profissionais se habilitaram publicamente para a disputa: Ricardo Sayeg, Sergei Cobra Arbex, Raimundo Hermes Barbosa, João Biazzo e Anis Kfouri. A situação não tem pré-candidato lançado. Costa está internado no hospital Oswaldo Cruz, onde se recupera, com dificuldades, de um grave acidente de carro no interior de SP, em abril. O então tesoureiro da entidade, Carlos Roberto Fornes Mateucci, que estava ao volante, não resistiu aos ferimentos e faleceu.

O atual presidente seria o candidato natural, mas não se sabe se terá condições de disputar. “Se ele conseguir sentar numa cadeira de rodas, fará campanha na rua. Se não, será candidato mesmo sem ir para a rua porque já é muito conhecido”, diz um de seus aliados mais próximos. Os primeiros boatos de que ele se afastaria da corrida começaram a circular entre opositores e também entre membros da atual composição há cerca de um mês. Os nomes de Fábio Canton e Antônio Ruiz Filho são apontados como possíveis substitutos.

O repórter William Maia, do JOTA, contatou os pré-candidatos em busca de uma entrevista para apresentá-los. Todos concordaram, com exceção de Arbex e Kfouri, que se mostraram pouco interessados pela corrida – ao menos, por enquanto. É o primeiro passo do JOTA na cobertura da disputa, que será acompanhada de perto pelo site.

As campanhas envolvem viagens pelo maior número possível das 229 subseções do estado, marketing político, assessoria de imprensa, material impresso e atuação forte em redes sociais, além de eventos e festas. Advogados que se viabilizam na disputa gastam, normalmente, de 3 a 4 milhões de reais em suas campanhas, apesar de sempre falarem que têm “gastos modestos” e arrecadam “contribuições de colegas que acreditam na causa”.

São comuns os vôos de galinha: aqueles casos em que a pessoa mal se lança, negocia alguma posição em outra chapa e já sai de campo. Há também vôos de maior fôlego, mas que igualmente não cruzam a linha de chegada. Na última eleição, por exemplo, Roberto Podval imprimia ritmo forte na pré-campanha, mas desistiu no último minuto, em favor de Toron. Até 45 dias antes da eleição quem estiver na disputa é pré-candidato — somente depois disso aqueles que se mantiverem na corrida tornam-se candidatos oficiais.

Nos cinco meses até a eleição, há muitos apoios a serem costurados, o que define as candidaturas mais fortes. Cada chapa conta com 176 pessoas: presidente, vice-presidente, secretário-geral, tesoureiro, presidente da Caasp (Caixa de Assistência dos Advogados de São Paulo), três conselheiros federais efetivos e 150 conselheiros estaduais.

A campanha começou a ganhar velocidade em maio com a entrada em cena do novato Biazzo, o B, do Aidar SBZ. Ele contratou uma conceituada empresa de comunicação, a Máquina da Notícia, passou a dar entrevistas quase diárias, publicar material nas redes sociais e caiu na estrada. Biazzo vem com a cara do mercado: é jovem e bonito, sócio fundador de um escritório moderno. A juventude, contudo, pode pesar contra ele na hora da formação alianças, pois precisará de apoios de peso para convencer os colegas que reúne as condições necessárias para administrar a Ordem.

Sayeg faz o estilo maluco beleza. Professor na PUC, defende uma teoria jurídico-econômica de sua própria autoria, chamada “Capitalismo Humanista”. Cristão fervoroso, diz que seu nome “emergiu” para a disputa. Atua fortemente nas redes sociais desde a campanha de 2012, quando ficou em terceiro lugar. A pré-campanha se faz por meio do movimento #terepresento. O advogado também gosta de exibir o jatinho Cessna 525-0441, do escritório Nelson Wilians, em que viaja para atividades do movimento. Na comunicação, conta com a preciosa experiência da jornalista Santamaria Nogueira Silveira, que assessorou a OAB-SP por 17 anos e conhece todos os seus bastidores e personagens.

Barbosa tem 30 anos de vida associativa. Como gosta de repetir, já passou por “todos os cargos dentro da entidade, menos presidente”. Não tem uma atuação de destaque na advocacia. O vice em sua chapa é Marcos Antônio Pereira, todo-poderoso do PRB, ligado à TV Record e à Igreja Universal, cujo nome chegou a ser citado para concorrer como cabeça de chapa. Presidente nacional e principal operador político do partido que pretende lançar Celso Russomanno à Prefeitura em 2016, Pereira teria como objetivo se tornar conhecido no Estado para vôos futuros.

Está dado o pontapé inicial. Conheça melhor os três pré-candidatos nas entrevistas abaixo:

Ricardo Sayeg: “A OAB-SP precisa mostrar que advogados são homens de bem.”

Hermes Barbosa: “Quero aproximar a Ordem da boa política.”

João Biazzo Filho: “A Ordem precisa voltar a ser a voz da sociedade.”


Faça o cadastro gratuito e leia até 10 matérias por mês. Faça uma assinatura e tenha acesso ilimitado agora

Cadastro Gratuito

Cadastre-se e leia 10 matérias/mês de graça e receba conteúdo especializado

Cadastro Gratuito